quarta-feira, 11 de março de 2009

Um post frívolo


Descobri um pouco sem querer que os sabores de "Orchard Peach" e "Chocolate Peanut Butter" são uma excelente combinação - enquanto um é bem doce, outro é bem azedo - ambos muito bons, no entanto, e um ajuda bastante a quebrar o sabor do outro. De fato, essa coisa de garantir diversidade no que você come ou faz é uma questão interessante. Sei, por exemplo, que as lojas de perfume mantém grãos de café para que as pessoas cheirem entre um perfume e outro. Desse modo elas não ficam influenciadas por um cheiro quando vão sentir o próximo. O café funciona bem com o perfume nesse sentido. Acho que as pessoas que degustam vinhos fazem algo semelhante, embora eu não saiba bem o quê. De fato, algo nesse sentido é necessário.

Outra coisa que isso me lembra são os meus tempos de IME+IMPA. Enquanto tinha várias coisas técnicas de engenharia para estudar pro IME, haviam várias outras coisas bem matemáticas e formais para o IMPA. E lembro que funcionavam muito bem juntas. Dessa forma eu não me cansava de nenhum dos modelos... Se eu pensava: quanta teoria, eu quero alguma aplicação... era só mudar e ir estudar pras matérias do IME e quando eu pensava: que coisas bagunçadas e pouco formais, eu quero algo mais bonito e fechadinho... eu ia estudar matemática.

Aliás, isso me lembra um pouco de uma conversa que eu estava tendo agora a pouco: quando você é da graduação, ou até do mestrado, vc lê quase que somente livros (a maioria já sobre teorias comprovadas e bem arrumadas) e todas as coisas fazem todo o sentido. No doutorado, grande parte das suas leituras são de papers que foram publicados nos últimos 5 anos. Você passa grande parte do tempo estudando sobre coisas que ainda estão por fazer e que ainda contém vários furos e coisas mal explicadas. No entanto ainda existem muitos resultados clássicos por serem aprendidos. Existem muitas teorias bonitas e fechadas por aí que não sabemos. Qual então é o balanço entre ficar lendo coisas clássicas e bons resultados e ficar lendo resultados novos e cheios de furos e coisas em aberto? Enquanto o primeiro te ensina técnicas e mostra casos bem sucedidos, os segundos te dão idéias de direções de pesquisa e coisas que podem ser feitas. As duas coisas são muito importantes. Mas quanto é necessário e suficiente de cada um? Eu ainda não tenho uma resposta pra essa pergunta, mas ando conversando com várias pessoas sobre isso e descobrindo que ninguém tem uma resposta clara para isso também.

Uma ultima observação gastronômica: às vezes duas coisas vão muito bem uma com a outra e às vezes uma coisa totalmente engole a outra e não deixa você perceber o sabor das demais (ketchup é o exemplo mais clássico disso). Como todas as coisas na vida isso não é bom ou mal - mas sim pode ser usado para o bem ou para o mal. Vivendo sozinho aqui em Ithaca, eu acabo me aventurando na cozinha de noite e tem uma técnica ótima para me virar caso as coisas não dêem muito certo: simplesmente tenho uma quantidade suficiente de queijo gorgonzola (ou outro queijo de sabor forte) na minha geladeira. No pior caso, meu jantar tem gosto de queijo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sopas Campbell

Eu já estou a algum tempo sem postar nada. De fato, têm sido bem corrido esse último mês: eu passei duas semanas fora de Ithaca e, voltando, descobri que eu era um dos "Visit Day Czars", ou seja, eu era da comissão que vai organizar a visita dos alunos admitidos pra Cornell - que vai ocorrer nesse fim de semana. Se você está se perguntando por que se chama czar, saiba que eu estou me perguntando a mesma coisa. Ok, eu sempre achei títulos de nobreza legais, inclusive sempre achei que algo como "visconde" ou "barão" ficaria muito bem antes do meu nome (depois de algum tempo eu abri mão desse sonho nobiliático e resolvi tentar ter "doutor" antes do meu nome). Mas imperador russo já é meio demais. Na verdade, se você olhar o artigo da Wikipedia sobre czar, você vai ver que um uso metafórico aqui nos EUA é para "posições de autoridade" - mas aqui no departamento de computação é meio diferente: definição de czar do Cornell CS. De fato, essa coisa de dar nomes pomposos e de autoridade me lembra muito o Reino do Preste João, onde todos os seus empregados eram condes e bispos, os seus copeiros eram todos barões, os ajudantes eram viscondes e arquimandritas, enquanto o rei conservava apenas o humilde título de preste (uma versão para padre). Eu sempre fui fascinado por essa lenda medieval em especial, e acho essa coisa dos títulos em relação a determinadas corporações modernas. Mas é claro que a coisa toda de czar é brincadeira e não cai bem nessa categoria. Mas acho que era uma ocasião legal de mencionar.

Bom, mas uma das nossas funções como czar é levar os alunos admitidos (prospective students ou prospies) para passear pelo campus. Dado que eu vou ter que fazer isso no domingo, achei legal fazer o tour oficial que acontece uma vez por dia. Fazer o "Campus Tour" para conhecer um pouco mais das histórias e do folclore da universidade já é algo que eu planejava fazer a muito tempo, mas estava sempre adiando. (Na verdade, tem uma lista enorme de coisas que eu queria fazer aqui no campus e ainda não fiz, mesmo estando aqui a mais de 6 meses. Eu ainda falo das outras mais tarde...). As histórias são bem interessantes e a maioria delas está nesse artigo. Mas uma eu achei particularmente interessante: aquela sobre as sopas Campbell.


Eu conhecia as sopas Campbell principalmente por esse quadro acima do Andy Warhol. Na verdade eu cheguei a comprar uma lata de sopa Campbell quando eu vim aqui pra os EUA, mas ela ainda está fechada no meu armário. Até hoje eu nunca cheguei em casa com vontade de abrir a lata. Como a validade desses enlatados é absurdos, acho que dá pra esperar tranquilamente pelo próximo cataclisma, quando vamos ter que ficar trancados em casa comendo comida enlatada e trabalhando na nossa tese de doutorado pra eu abrir a sopa.

Mas voltando ao assunto: aparentemente eles estavam procurando um padrão de cores para colocar na lata de sopa, e, determinaram que iam colocar as cores do vencedor de um jogo Cornell versus Princeton (acho que de futebol americano). Como vocês podem ver, Cornell ganhou o jogo.

Falando em cores, existe uma cor chamada carnelian - é a tonalidade de vermelho que Cornell usa. Ainda preciso de uma boa história pra explicar a conexão do nome da faculdade com a cor.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pesos e medidas

Após um longo inverno sem posts (que na verdade foi por causa do meu quinhão de verão no Rio de Janeiro), conversemos sobre medidas. Uma das dificuldades de morar nos Estados Unidos é se acostumar com o sistema de medidas: Fahrenheit ao invés de Celsius, inches, ounces, miles, ... No início eu tive que usar busca binária pra determinar a temperatura certa do aquecimento do meu quarto (ok, talvez fosse mais fácil procurar no Google a conversão de Celsius pra Fahrenheit, e sim, talvez eu devesse saber isso da escola, mas busca binária converge rápido). Discutindo isso com meu colega de escritório, ele me apresentou uma razão bem interessante pra isso.

Inicialmente, usar o sistema métrico é bem mais natural: o zero Celsius é a temperatura em que a água congela e você precisa tirar os casacos mais pesados do armário, e o que diz o 0oF ? Um quilômetro são 1000 metros, mas por que uma milha são 5,280 pés e um pé são 12 polegadas? O sistema métrico é bem mais razoável e intuitivo.

Os padrões estranhos não param por aí: as maçanetas nas portas rodam pro lado contrário do resto do mundo, os interruptores acendem pro outro lado e os tamanhos de papel são diferentes (A4 não é uma proporção tão mais agradável que letter?). Acho que isso é um misto de adotar medidas britânicas, mas pervertê-las como uma forma de gerar um sentimento patriótico e de liberdade em relação aos antigos laços coloniais. Meus amigos indianos, que adotam também sistemas herdados dos britânicos sentem a diferença em relação ao que eles estavam acostumados.

Eu poderia terminar esse post de uma forma ranzinza me queixado sobre as unidades americanas, mas vou falar sobre Cuba Libre. Li uma reportagem na época que o Fidel deixou o poder pra seu irmão que os cubanos exilados em Miami estariam brindando com Cuba Libre aquele dia histórico e só naquele momento me toquei do significado do nome. Mas peraí? "Libre" de quem? Poderia ser várias coisas: livre dos americanos depois da revolução, livre dos comunistas depois da queda da URSS, livre da própria resolução depois do fim do Fidel ? Na verdade isso é ainda mais antigo: essa bebida, como diz o artigo da Wikipedia é da época da "Spanish-American War", na guerra dos americanos com os espanhóis pelo reconhecimento da independência de Cuba. Isso faz bastante sentido, dado que envolve Coca Cola.

Falando em Coca Cola e terminando com uma frase do Andy Warhol sobre a Coca-Cola / United States:

What's great about this country is that America started the tradition where the richest consumers buy essentially the same things as the poorest. You can be watching TV and see Coca Cola, and you know that the President drinks Coca Cola, Liz Taylor drinks Coca Cola, and just think, you can drink Coca Cola, too. A coke is a coke and no amount of money can get you a better coke than the one the bum on the corner is drinking. All the cokes are the same and all the cokes are good. Liz Taylor knows it, the President knows it, the bum knows it, and you know it

Não que eu seja um fã dos Estados Unidos, na verdade é fácil fazer várias críticas (assim como é fácil fazer vários elogios, principalmente às universidades e à pesquisa em ciência e tecnologia), mas sou um fã da globalização e dos seus efeitos. E de como o McDonalds pode ser uma instituição tão democrática, que serve da mesma forma na Champs-Élysée e num subúrbio do Rio. Um exemplo de por que eu gosto tanto da globalização é uma foto que tirei no meu banheiro no semestre passado:

terça-feira, 25 de novembro de 2008

There is truth in data!

Eu tenho ficado cada vez mais viciado em dados. Não, por enquanto eu ainda não fui a Las Vegas ou Atlantic City. Quando eu digo dados, eu quero dizer informação ou números em uma planilha, se você preferir dito dessa forma. Antigamente os estatisticos tinham um grande trabalho compilando varios livros, indo de casa em casa fazer entrevistas, contando coisas, ... e, se voce queria saber algo sobre você mesmo (em termos numéricos), a única saida era ser uma pessoa meticulosa e ficar anotando coisas como: quantas vezes tomei Coca Cola essa semana ou, quanto tempo eu demorei lendo o jornal hoje. Com a Web tudo isso mudou. Medir comportamentos é muito facil. Um anunciante na Web sabe exatamente quantas pessoas viram o seu anuncio, quantas dessas pessoas que viram, clicaram e quantas das que clicaram no anuncio de fato compraram o produto. Além do fato de o anunciante conseguir exibir anuncios só pras pessoas que interessam a ele. Ok, eles sempre conseguiram fazer isso de certa forma. Se eles queriam exibir anuncios para donas de casa, a novela das 6 era a mais indicada. Para pessoas que chegam do trabalho, talvez a novela das 8, pra crianças, no comercial de desenho animado, homens de 20 ou 30 anos no intervalo de jogos de futebol, e por aí vai. Mas nunca foi tão facil fazer isso como na internet. Os mecanismos de busca sabem o que o usuario esta buscando e podem exibir anuncios relacionados a isso. Embora Sponsored Search Auctions seja um assunto interessante, não é sobre isso que eu queria escrever.

Recentemente, percebi que o Google Reader tem uma opção trends onde dá pra ver o perfil de utilização do usuário. Normalmente eu olhos os feeds (news, blogs, comics,...) que eu assino quando estou meio cansado do trabalho. E em geral fico trabalhando no computador durante a tarde. Esse é meu perfil de utiizacao do Reader ao longo de um dia, ou seja, quantos posts eu leio a cada hora:


Impressionantemente tem um horario que eu perco bem mais tempo no Reader - que eh quando eu começo a ficar mais cansado de ficar programando, estudando ou seja lá o que eu estiver fazendo. Ainda, olhando meus posts de acordo com o dia da semana, dá pra ver que:


segunda feira eh o dia que fico mais tempo no Reader. Gosto muito dessa minha medida de ficar perdendo tempo quando eu deveria estar estudando.

(Uma nota: um aluno de primeiro ano de estatística seria tentado a logo imaginar que esses dados seriam uma gaussiana. Eu também pensava assim. Embora gaussianas sejam ubiquas por causa do Teorema Central do Limite, nesse caso não temos uma exatamente, mesmo tendo um volume grande de dados. Isso acontece porque vários fenômenos sociais interferem no horário que as pessoas mandam ou lêem posts)

Outro dado interessante eh a estatistica de acesso do meu site. Tenho um site com alguns cadernos que tinha na epoca do IME escaneados e o Google Analytics mantém estatísticas de acesso dele. Abaixo o grafico de acessos vindos do Rio de Janeiro:


Eu consigo predizer quando sao as provas no IME só olhando pro perfil de acesso do meu site. Achei essa estatistica bem interessante.

domingo, 16 de novembro de 2008

Meu dentista, a Wikipedia, o numero pi e a fé em probabilidades

Eu sempre tive um pé atras com probabilidade - sempre pensei se era realmente um bom modelo para se tomar decisoes. As vezes nos guiamos por ela e acabamos nos dando mal. O tempo de espera na sala do meu dentista nunca foi uma distribuição exponencial. Nunca acreditei também naqueles fittings que a gente fazia de dados no Laboratório de Fisica ou dos nossos experimentos com paquimetro na escola e nos primeiros anos de faculdade. Eram cheios de erros grosseiros e no fim, sempre tínhamso que ajustar um pouco os dados pra obter algum resultado interessante. A culpa não era nossa, era do Teorema Central do Limite. Em termos bem básicos, se você tem um processo complicado mas cuja soma são vários processoszinhos simples você obtém no final, uma distribuição gaussiana. O problema é que nós em geral esperamos que vamos jogar 20 moedas para cima e, puf! uma gaussiana. Não é bem assim que funciona, o que leva a gente a se desencantar com probabilidade e estatística. Esse artigo é para que você não fique ranzinza e descrente.

Ok, queremos achar coisas bonitas, como aquelas distribuição dos livros. Com poucas moedas, a nossa experiencia diz que isso não é possível - mas e com muitas moedas? Eu sempre tive vontade de analisar quantidades imensas de dados - como o banco de dados de compra da Amazon, a rede de relacionamento do MSN ou faturas de cartão de crédito. Infelizmente essas são todas informações proprietárias. Existem informações livres - como o grafo da web, que são muito interessantes, mas grandes demais para se analisar (pelo menos no meu computador). Há, no entanto, um grafo muito interessate e aberto: o da Wikipedia:http://download.wikimedia.org/

E você nem precisa fazer um crawler, já tem tudo bonitinho, em xml. E vc pode processar ele durante a noite no seu computador. Ele tem aproximadamente 2*10^6 nos. Os datasets tem todos os dados historicos - o que é muito interessante, porquê você pode ver como grafos evoluem no tempo. Abaixo tem um log-log plot do histograma de frequencia dos graus dos vertices da wikipedia (in-degree de um artigo é quantas páginas linkam ele, e e out-degree é o número de links ele tem pra outras páginas):

Achei impressionante como de cara você obtém (sem truques, modificações, filtros, ... ou seja, sem roubar) uma curva de uma distribuição bonitinha. A linha reta nos graficos log-log (também chamados logscale) é característica de distribuições como power-laws e log-normals. Essas distribuições aparecem de forma bastante ubiqua em fenomenos socias, como tamanho de cidades, frequencias de palavras em textos, distribuição de grau pelos vértices de um grafo do mundo real (Web, redes sociais, paginas da Wikipedia, ...). Aqui tem um ótimo survey sobre isso.

Mas voltando a falar do dataset - eu fiquei emolgado de processar dados desse tamanho (o arquivo descomprimido tem 300GB e não, eu não tenho HD pra isso - tem que processar comprimido - quer dizer, ir processando a medida que você vai descomprimindo). Isso claro, ocupou meu computador por uma noite inteira - mas ok, ele não tinha nada mais interessante pra fazer. Todo esse processamento me deixou preocupado em estourar a memória RAM, então eu fiquei olhando o que acontecia no System Monitor. Eu aviso logo: abrir o SystemMonitor é que nem colocar um aquário ou uma lava lamp no seu escritório - você vai perder um certo tempo de trabalho babando na frente daquelas curvas coloridas e tentando colocar alguam ordem naquele caos.

A primeira coisa que me deixou feliz foi descobrir pelo System Monitor que meu computador tinha 2 processadores. O mais interessante foi ver o uso dos processadores: eu tinha esse grande processo de analise da Wikipedia que era muito pesado e vários processos mais leves abertos - Firefox, editor de texto, ... Pelo screenshot da direita do meu System Monitor, parece que esse processo grande ficava toda hora trocando de processador. Achei isso interessante. Eu nunca parei pra olhar como o escalonador do Linux funcionava, mas fiquei curioso depois dessa.


Para fechar: se você ainda não recuperou sua fé na probabilidade, tente calcular o número pi jogando agulhas no chão de ladrilhos (siga o link pra ver do que eu estou falando). Isso foi outra coisa que me ajudou a crer. Ainda estou procurando algo que vá me fazer crer na regra de Bayes.

domingo, 9 de novembro de 2008

Ariane e os perigos do overflow



É sempre bom ver esse video antes de começar qualquer projeto grande de software. Meu pai tinha um livro interessante sobre os grandes desastres da História da Medicina - era um livro bem interessante que contava, dentre outros, um caso de uma cirurgia onde morreram o paciente, o médico e um espectador (a muito tempo atrás, no século XIX eu acho, cirugia tinha platéia). Outro bom livro sobre desastres é o ótimo Caixa Preta de Ivan Sant'Anna. Eu li a muito tempo, mas ainda lembro da descrição daqueles três famosos acidentes da aviação brasileira. Eu tenho quase certeza que deve haver um livro semelhante sobre os grandes desastre da Engenharia de Software, mas eu não conheço. De qualquer forma, o Ariane V certamente deve figurar como um dos bugs mais caros da história.

Seguindo o link da Wikipedia para o "Ariane V" acabei lendo duas coisas sobre as quais me deu vontade de falar: HAL 9000 e a Princesa Margriet da Holanda. Primeiro sobre o HAL:

In the 1968 novel 2001: A Space Odyssey (and the corresponding 1968 film), a spaceship's onboard computer, HAL 9000, attempts to kill all its crew members. In the followup 1982 novel, 2010: Odyssey Two, and the accompanying 1984 film, 2010, it is revealed that this action was caused by the computer having been programmed with two conflicting objectives: to fully disclose all its information, and to keep the true purpose of the flight secret from the crew; this conflict caused HAL to become paranoid and eventually homicidal.
Ok, o HAL é um bug bem pop da história da computação. Ele foi programado com objetivos conflitantes que o levaram a ficar paranóico - ok, isso é interessante. Mas o que é ainda mais interessante é que objetivos que nem parecem tão conflitantes, podem levar a resultados inesperadamente desagradáveis. Essa semana vi um ótimo exemplo disso - o Teorema de Arrow. Pode ficar tranquilo que eu não vou entrar em detalhes muito matemáticos (mas se você quiser, sempre posso indicar um livro). Vamos ao resultado:

Temos n pessoas e m candidatos. Cada pessoa rankeia (ordena) os candidatos segundo suas preferencias. Um esquema de votação é um método que toma todas essas preferencias individuais e produz um unico ranking. Duas coisas aparentemente bem razoáveis de se pedir de um esquema de votação são: (i) Unanimidade: se todos escolhem o mesmo ranking, esse será o ranking final escolhido e (ii) Independencia das alternativas irrelevantes: a posição relativa dos candidatos x e y no ranking final só deve depender das posições relativas de x e y em cada uma das preferencias individuais (em outras palavras, não deve depender de um outro candidato z. Isso parece bem natural, no entanto, o Teorema de Arrow diz que o único esquema de votação que satisfaz esse critério é a ditadura, ou seja, escolher um individuo i no grupo e tomar o ranking final como a preferência individual de i. Acho sempre bonitos esses teoremas que violam a intuição (como o Paradoxo de Tarski-Banach). Eu vou me furtar de comentar de possíveis implicações sociais e filosóficas do Teorema de Arrow, até porque sou um grande fã da democracia, mas é sempre bom prestar atenção a condições aparentemente inócuas que levam a coisas possivelmente bastante indesejadas.

Ah, sim, eu falei que ia falar também da Princesa da Holanda. Eu procurei Ariane na Wikipedia e um dos links no Disambiguation era a Princess Ariane of Netherlands. Mas não é dela que eu quero falar. Me lembrei da história de outra princesa - a Princesa Margriet. No começo do ano eu estive no Canadá e fiquei impressionado com a quantidade de tulipas na primavera em Vancouvert. E lembrei da Holanda (não que eu tenha visto muitas tulipas na Holanda, porque só fui lá no inverno). De toda forma, o Canadá está ligado à Holanda de uma forma bem interessante que não tem a ver com Vancouvert (e eu só estou escrevendo essas coisas para dar uma falsa impressão de continuidade no meu texto).

Um pequeno pedaço do Canadá já se tornou território holandês de uma forma bem inusitada. A família real holandesa morou em Ottawa no Canadá durante a ocupação nazista da holanda. Nessa época a rainha Juliana estava grávida e, naturalmente, uma princesa holandesa não pode nascer fora de terrirório holandês. A solução encontrada foi declarar a maternidade território holandês, para que a princesa não nascesse fora de seu país.

Gosto muito dessas histórias pequenas e interessantes. De toda forma, ando meio preocupado de uma parte considerável da minha expansão cultural se dar via a Wikipedia. Não sei até que ponto estou ficando dependente: de toda forma, não é muito saudável interromper horas produtivas de trabalho para ficar lendo sobre leis inglesas de naturalização ou sobre o pescoço das mulheres em Burma.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ithaca no Google Maps


Recentemente fiquei muito surpreso e feliz com algumas funcionalidades do Google Maps + Picasa. Já a algum tempo gosto de brincar nos dois, criando mapas e linkando eles com minhas fotos de viagem. Recentemente fui pra Nova York pra passear no fim de semana e tirei umas fotos com o iPhone (isso,eu cedi à tentação consumista e comprei um. Esse país é assim mesmo). Então fiz upload das fotos do iPhone pro Picasa. E pra minha surpresa as fotos já vieram com a sua localização! O Picasa criou pra mim um mapa com os locais onde eu tirei cada foto (aqui).


Aliás, ultimamente eu tenho ficado muito surpreso com a tecnologia. Como turista, eu sou particularmente desorientado quando eu chego em uma cidade nova - era em geral sempre assim na Europa, e graças ao Siqueira e ao Nicodemos eu me safava. Mas Nova York foi meio diferente. Eu consegui me orientar bem por uma série de fatores: uns mias ou menos relacioandos a tecnologia. Além de eu já estar bem mais acostumado a viajar do que naquela primeira viagem a Europa, a geografia de Nova York ajuda bastante: ruas dispostas em um grid, numeradas, e um bom sistema de transporte publico que eu diria que é razoavelmente intuitivo. Um bom sistema de transporte publico é o que em geral não falta na Europa, mas o intuitivo e as ruas dispostas num grid, isso eu não lembro. Não estou dizendo que isso seja bom ou ruim, só que ajuda mais ou menos a pessoa que não conhece a cidade. Mas, bom, o que me ajudou mais foi o Google Maps embutido no iPhone.

Sem querer fazer propaganda da Apple mas já fazendo, o iPhone me ajudou de várias maneiras:
  • querendo achar uma loja da Godiva, foi só digitar "Godiva" no search e ele me mostrou um alfinete vermelho em todos os pontos próximos onde havia uma loja Godiva
  • estando perdido no meio do Central Park, o GPS me disse exatamente onde eu estava...
  • ... e ainda me deu o caminho de onde eu estava pra o Metropolitan Museum
  • querendo comer em um determinado restaurante que me recomendaram, ele não deu só a localização e como chegar lá, mas os horários que estava aberto e reviews de pessoas
Ok, vocês já podem imaginar os revezes dessa tecnologia - que são os revezes que qualquer uma dessas novas tecnologias. Deixa a gente meio dependente. Eu que já era meio dependente de e-mail, passei a checar ele em tempo real. Se antes eu olhava o GMail sempre que abria o computador, agora olho sempre que entro no ônibus, sempre que entro no elevador, ... - ou seja, qualquer brecha de tempo que antes era perdida agora é usada checando o GMail (ou seja, continua sendo tempo perdido!). É importante olhar pras pessoas a nossa volta no elevador, ou pra paisagem na janela do ônibus, ... por mais importante que sua caixa de e-mails possa parecer. Eu sei, por enquanto tô curtindo a novidade, mas logo devo ter que passar por uma desintoxicação.

Em tempo: Ithaca (a cidade do estado de NY onde fica Cornell) agora tem um ótimo zoom na visão de satélite do Google Maps. Dá pra ver toda a univesidade. Engraçado que uma parte da universidade está "blurred" - deve ser algo secreto, não sei bem. É logo a parte perto da minha casa. E nem são os laboratórios dos quais falei no ultimo post. É algo que não sei direito do que se trata, mas vou investigar... Aliás, acho isso muito interessante, tem umas áreas apagadas no Google Maps, como essa no deserto do Novo Mexico. Mas engraçado que a visão de satélite não é apagada. Não se explicar a razão.