Eu tenho me interessado muito por Teoria dos Jogos, principalmente pela sua relacao com Algoritmos, que eh um campo novo chamado Algorithmic Game Theory. Jogos estah cada vez um assunto mais quente: nao soh por que estah na moda no meio academico mas porque a industria estah explorando eles fortemente. Por exemplo, voce pode pensar na venda de keywords da Google (AdWords) como um jogo, mais especificamente um leilao - as famosas Sponsored Search Auctions.
Mas nao eh bem sobre isso que eu queria falar (como sempre). Eu fico lembrando de um dos contos das Cosmicomicas chamado "How much should we bet?" onde dois personagens ficavam apostando sobre o que ia acontecer desde a criacao do universo. "Eu aposto que vai ser formar uma atmosfera naquele planeta", "Eu aposto que vai haver um dinossauro!", "Eu aposto que os turcos vao tomar Constantinopla!" e assim por diante... E cada vez as coisas iam ficando mais complicadas e as apostas mais dificeis e arriscadas. Eh um ponto delicado afirmar que o mundo tem ficando mais incerto desde o Big Bang. Eu nao vou me arriscar a falar isso, mas eh sempre mais complicado saber se a Dilma Rousseff vai concorrer as proximas eleicoes do que imaginar que os a vida sairia do mar e iria se expandir pela terra ou que cairia um meteoro e acabaria com todos aqueles repteis gigantes.
Apostar sempre foi um negocio divertido, por isso a grande quantidade de negocios envolvendo apostas. Cassinos, jogo do bicho, loteria esportiva, ... a lista nao para por aih. Um dos jogos que mais tem-se falado ultimamente eh a Bolsa de Valores. Na pratica, voce vai lah e aposta seu dinheiro no sucesso ou no fracasso dessa ou daquela empresa. Eh um jogo engracado, porque o sucesso ou nao depende do jogo em si (diferente por exemplo da loteira, onde o numero 23 eh sorteado independente de um monte de pessoas apostarem nele ou nao - ou pelo menos deveria ser assim).
O interessante nesse jogo eh que o valor das acoes serve pra predizer de certa forma o quao bem uma empresa estah indo: se as pessoas estao dispostas a apostar nela, eh provavelmente porque elas tem alguma informacao (ou palpite) de que ela estah indo bem. Se voce nao entende nada de negocios (computadores nao entendem, por exemplo), voce ainda ainda fazer boas compras e vendas no mercado de acoes observando como as outras pessoas estao se comportando. A sacada eh usar esses mercados pra agregar informacao. Eu nao sei nada sobre a Enron, mas se as pessoas estao vendendo suas acoes, coisa boa nao pode ser.
Outro exemplo de mercados que agregam informacao sao as apostas em esportes, como o jah defundo Tradesports. Eu por exemplo nao sei nada sobre futebol, mas posso fazer boas previsoes sabendo o que as pessoas estao apostando. Naturalmente, uma opniao nao eh muita coisa (todo brasileiro eh tecnico de futebol, eu sei), mas se as pessoas estao dispostas a colocar seu dinheiro lah, a coisa muda um pouco de figura.
Porque nao generalizar essa ideia e tentar agregar informacao sobre coisas mais gerais: Eu assisti duas palestras recentmenete sobre Prediction Markets e me interessei bastante, nao sei quanto tempo eu vou ter no futuro pra me dedicar a olhar isso com mais calma, mas eh algo q a longo prazo eu quero olhar com mais calma. Prediction markets funcionam como o mercado de acoes mas vc aposta em eventos. Eh ao mesmo tempo algo em que vc pretende:
(1) fazer dinheiro (claro!)
(2) agregar conhecimento e beliefs (se vc estah colocando seu dinheiro lah, vc vai estar muito mais interessado em acertar as probabilidades dos eventos). O objetivo eh capturar algo como Wisdom of the Crowds e tb em analisar a Wisdom of the Fools.
Em resumo, eh como um mercado de apostas em esportes (na verdade, essa eh a origem), mas vc pode comprar "shares" de todo tipo de eventos, como "Democrats win 2012 elections", or "Outbreak of flu in Asia", ... Mesmo nao havendo um individuo que saiba a verdade, se espera que o conhecimento nesses ambientes venha da iteracao entre os participantes. Estah tendo um buzz bem grande em torno disso na academia e estao surgindo tecnicas interessantes que talvez possam ser aplicadas no mercado de acoes (que nao deixa de ser uma forma de prediction market). Uma referencia inicial (que eu imprimi mas ainda nao comecei a ler) eh o "Computation in a Distributed Information Market" de Feigenbaum, Fortnow, Pennock, and Sami. Alguns exemplos de Prediction Markets na pratica sao o Intrade e Newsfuture.
Falando desses jogos online com um amigo, descobri a existencia de um tal de Swoopo. Eh um jogo do tipo leilao tambem. Esse menos interessante do ponto de vista teorico mas incrivelmente interessante do ponto de vista de marketing por duas razoes: (1) dah a impressao ao usuario de ser um grande negocio e eh na verdade uma grande furada (e eh nao trivial perceber isso no inicio) e (2) nao eh nada diferente de um jogo de VideoPoker, Roleta online, ... mas parece totalmente diferente disso. Parece que voce tah comprando coisas (de um modo meio arriscado) e nao apostando. Sacada muito boa mas uma completa furada. Achei interessante de toda forma.
-----------------------
Em tempo: ontem eu descobri que o Bob Metcalfe, o criador do protocolo Ethernet e portanto, um dos pais da internet, ia dae uma palestra em Cornell. A palestra foi algo do tipo: "blue is the new green" onde ele discutia solucoes energeticas para o planeta e comparava os avancos no setor de energia aos avancos na internet. De acordo com ele, ainda nem ao menos chegamos no equivalente aos PCs no setor energetico. Ainda estamos no mainframes da decada de 80 (producao centralizada escoando energia para os consumidores). A palestra abordou varias coisas - mais filosoficas do que praticas - mas sintetizou algumas coisas que eu jah percebia a tempo - como um certo desagrado por coisas como o Greenpeace e outras formas de ambientalismo barato. Li a algum tempo um post otimo sobre isso, mas vou deixar esse assunto pra outro dia.
sábado, 4 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Mais coisas romanticas
Sempre achei que faltava tambem um protocolo pra os namorados se comunicarem antes de serem propriamente namorados. Algo como fazer a pergunta "nos devemos namorar?" eh complicado. Em geral o namoro ocorre quando os dois respondem sim a essa pergunta. Entao eh como se duas pessoas, cada uma tivesse um bit (0=nao, 1=sim) e isso fosse uma maneira de computar o operador AND desses bits. Digamos que Alice tem um bit x que diz se ela quer namorar Bob e Bob tem um bit y dizendo se ele quer namorar Alice. Eles querem saber (x AND y), mas suponha: se y = 1, Bob nao quer revelar isso a menos que Alice diga x = 1. Se Alice tem x = 0, Bob preferia manter o bit dele em segredo. O ideal eh que eles os estados (0,0), (0,1) e (1,0) fiquem indistinguiveis caso a resposta seja 0.
Se nos tivermos uma autoridade confiavel (digamos, um amigo que os dois confiam) podemos simplesmente dizer nossos bits pra ele e ele nos responder Sim ou Nao. Ok, assim eh facil. Mas e se nao tiver essa pessoa central, como criar um protocolo pra que nos dois calculemos (x AND y) sem revelar nossos bits um para o outro?
A resposta estah no exemplo da secao 1.2 desse pdf.
Se nos tivermos uma autoridade confiavel (digamos, um amigo que os dois confiam) podemos simplesmente dizer nossos bits pra ele e ele nos responder Sim ou Nao. Ok, assim eh facil. Mas e se nao tiver essa pessoa central, como criar um protocolo pra que nos dois calculemos (x AND y) sem revelar nossos bits um para o outro?
A resposta estah no exemplo da secao 1.2 desse pdf.
terça-feira, 31 de março de 2009
Coisas romanticas
Antes de comecar qualquer coisa, o ideal eh revisar a literatura. Ler o que jah foi escrito sobre aquilo e como as pessoas antes de voce jah trataram. Eu semprei achei romance legal e tem uma extensa literatura poetica sobre o tema, alias, acho que foi o que mais pessoas jah escreveram sobre, tais como os in-adjetivaveis Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Luis de Camoes, ... Mas sempre senti falta de uma referencia mais formal (i.e., matematica) sobre o tema. Isso ateh bem pouco tempo. Eu estava vendo o seguinte video no YouTube
O video todo eh bem interessante, mas se vc quiser ir ao ponto sobre o qual eu estou falando, eh soh comecar a ver a partir do instante 4:50, onde o Steven Strogatz fala sobre uma experiencia dele se apaixonando na juventude e de como ele percebeu nisso uma relacao com campos lineares no plano. Lembrei logo do meu curso de EDO no IMPA. Ele publicou essa nota bem interessante sobre como usar o tema pra os alunos de graduacao terem uma maior intuicao sobre equacoes diferenciais lineares. Pra mais detalhes tiveram esses trabalhos mais aprofundados sobre o tema mais adiante:
Esse e esse.
O segundo um pouco mais complicado, necessitando saber um pouco de dinamica... Mas os dois bem ilustrativos e, digamos "iluminating". Resta saber quais sao minhas constantes.
O video todo eh bem interessante, mas se vc quiser ir ao ponto sobre o qual eu estou falando, eh soh comecar a ver a partir do instante 4:50, onde o Steven Strogatz fala sobre uma experiencia dele se apaixonando na juventude e de como ele percebeu nisso uma relacao com campos lineares no plano. Lembrei logo do meu curso de EDO no IMPA. Ele publicou essa nota bem interessante sobre como usar o tema pra os alunos de graduacao terem uma maior intuicao sobre equacoes diferenciais lineares. Pra mais detalhes tiveram esses trabalhos mais aprofundados sobre o tema mais adiante:
Esse e esse.
O segundo um pouco mais complicado, necessitando saber um pouco de dinamica... Mas os dois bem ilustrativos e, digamos "iluminating". Resta saber quais sao minhas constantes.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Fotografia
Recentemente eu comecei a fazer o curso de "Photography I" em Cornell e estou me divertindo muito fazendo um curso de artes - principalmente porque é bem diferente do que eu faço a maior parte do tempo. Minha primeira surpresa foi que o curso ia ser com fotografia preto e branca e com máquinas de filme (!) Achei exótico, mas gostei muito da idéia. Me surpreendi com muitas coisas. Primeiro fiquei feliz com a minha nova (na verdade já bem antiga e usada, mas nova pra mim) Pentax K-1000 com lentes de 50mm (the photographer's eye). Tive que comprar rolos de filme, papel fotográfico, ... uma série de coisas, em resumo. Fazer esse curso tem me feito refletir um pouco sobre o papel da tecnologia na nossa vida.
A justificativa de começar assim e usar uma camera simples é aprender como todo o processo funciona e aprender os detalhes como ajustar shutter speed, aperture, comprar um filme com ISO certo, ajustar o contraste e a exposição na hora da impressão, ... que geralmente ficam bastante ocultos quando usamos, por exemplo, nossas cameras point-and-shoot digitais. Ajustar todos esses parametros manualmente, ao invés de usar algum programa embutido na câmera que ajuste melhora muito sua percepção de pra que cada uma daquelas coisas serve.

A impressao eh feita em um darkroom (no caso esse da foto ai em cima, tirada naturalmente quando as luzes estavam acesas no comeco do dia). Primeiro imprimimos uma test-strip, que basicamente eh uma impressao onde submetemos partes diferentes do negativo a diferentes exposicoes de luz e vemos o resultado num paper fotosensivel, como a seguinte test-strip:

A ideia eh selecionar uma exposicao que capture toda a faixa de tons: temos que ter pretos ricos e detalhes nas areas mais iluminadas. Em geral, selecionamos a faixa logo anterior aquele em que comecamos a perder detalhes. Dependendo do processo, pode-se fazer outros testes com diferentes exposicoes, ou mudar o contraste, ... - mas nesse caso (essa acima foi meu primeiro print), simplesmente escolhemos a melhor e imprimimos a final, que no caso foi:

A impressao eh um processo bem demorado: depois de expor o papel, ele passa 2 minutos no developer, 30 segundos em um stop bath, 2 minutos em um tal de Fixer A e mais 2 minutos em um Fixer B. Por fim, ainda tem 10 minutos da fase de wash. Eh um processo que leva voce a valorizar cada foto, e de fato, depois desse trabalho todo, voce passa a valorizar cada foto. De fato, existe um filme soh com 36 fotos - voce as tira com bem mais cuidado, ve os negativos, pega duas ou tres fotos boas dessas 36 e essas voce imprime. E imprimir demora um tempo consideravel.
Eh interessante pensar que a tecnologia desempenha um papel engracado. Quanto mais faceis as coisas ficam, menos damos valor a elas. Hoje ninguem fica tao feliz com uma ligacao telefonica quanto na epoca em que isso era raro e dificil. O mesmo com fotos. O fato de termos uma camera que nos deixa tirar um numero praticamente infinito de fotos faz com que simplesmente tiremos um numero muito grande do mesmo lugar e esperemos que, estatisticamente, uma esteja boa. Isso eh totalmente oposto a visao de que devemos procurar o ponto de vista certo, passar algum tempo analisando, e depois disparar aquela unica foto que deve ficar otima. Nao sei qual o melhor, de fato acho que nao ha um melhor, mas jeitos diferentes. De toda forma, acho interessante pensar como isso afeta nossas vidas.
Brincar com essa camera me deixou com saudades da minha infancia. Principalmente porque lembrei do cheiro do filme fotografico que usavamos nas nossas viagens quando eu e meu irmao eramos pequenos. Tudo que ha com nossas cameras comecou ali. Fiquei meio espantado como as nossas cameras de hoje ainda se parecem de certa forma com as cameras de antigamente e lembrei de uma entrevista que li a algum tempo com o cara que inventou o html. Ele se queixava que as pessoas usavam novas tecnologias para fazer as mesmas coisas. Que elas iam para a internet e esperavam encontrar coisas como nos livros, na televisao ou nos jornais - e que era muito lento o modo de usar novas midias para coisas totalmente novas. De fato, nao acho que a internet seja muito mais tao convencional assim (acho que era uma entrevista meio antiga), mas fiquei pensando nas cameras e me perguntando se realmente essas cameras de hoje sao modelos modernos das mais antigas e se realmente estao pensando em como usas a tecnologia hoje de forma inteiramente nova para a fotografia. Acho que devem estar fazendo isso sim, soh nao conheco ainda, mas digo mais se souber de algo.
-----------------------
Em todo caso, coloquei algumas das minhas fotos do curso online e hoje fui ver "The Reader" que achei fantastico. Lembro que tivemos que ler esse livro na aula de alemao quando eu estava na escola. Acho na epoca nem cheguei a terminar o livro, mas vendo agora em ingles, e com bem mais maturidade (ok, talvez nem tanto), gostei muito. Fiquei feliz em descobrir tambem que o Google dah os horarios do cinema de Ithaca. Tem tambem pro Rio de Janeiro.
A justificativa de começar assim e usar uma camera simples é aprender como todo o processo funciona e aprender os detalhes como ajustar shutter speed, aperture, comprar um filme com ISO certo, ajustar o contraste e a exposição na hora da impressão, ... que geralmente ficam bastante ocultos quando usamos, por exemplo, nossas cameras point-and-shoot digitais. Ajustar todos esses parametros manualmente, ao invés de usar algum programa embutido na câmera que ajuste melhora muito sua percepção de pra que cada uma daquelas coisas serve.
A impressao eh feita em um darkroom (no caso esse da foto ai em cima, tirada naturalmente quando as luzes estavam acesas no comeco do dia). Primeiro imprimimos uma test-strip, que basicamente eh uma impressao onde submetemos partes diferentes do negativo a diferentes exposicoes de luz e vemos o resultado num paper fotosensivel, como a seguinte test-strip:

A ideia eh selecionar uma exposicao que capture toda a faixa de tons: temos que ter pretos ricos e detalhes nas areas mais iluminadas. Em geral, selecionamos a faixa logo anterior aquele em que comecamos a perder detalhes. Dependendo do processo, pode-se fazer outros testes com diferentes exposicoes, ou mudar o contraste, ... - mas nesse caso (essa acima foi meu primeiro print), simplesmente escolhemos a melhor e imprimimos a final, que no caso foi:

A impressao eh um processo bem demorado: depois de expor o papel, ele passa 2 minutos no developer, 30 segundos em um stop bath, 2 minutos em um tal de Fixer A e mais 2 minutos em um Fixer B. Por fim, ainda tem 10 minutos da fase de wash. Eh um processo que leva voce a valorizar cada foto, e de fato, depois desse trabalho todo, voce passa a valorizar cada foto. De fato, existe um filme soh com 36 fotos - voce as tira com bem mais cuidado, ve os negativos, pega duas ou tres fotos boas dessas 36 e essas voce imprime. E imprimir demora um tempo consideravel.
Eh interessante pensar que a tecnologia desempenha um papel engracado. Quanto mais faceis as coisas ficam, menos damos valor a elas. Hoje ninguem fica tao feliz com uma ligacao telefonica quanto na epoca em que isso era raro e dificil. O mesmo com fotos. O fato de termos uma camera que nos deixa tirar um numero praticamente infinito de fotos faz com que simplesmente tiremos um numero muito grande do mesmo lugar e esperemos que, estatisticamente, uma esteja boa. Isso eh totalmente oposto a visao de que devemos procurar o ponto de vista certo, passar algum tempo analisando, e depois disparar aquela unica foto que deve ficar otima. Nao sei qual o melhor, de fato acho que nao ha um melhor, mas jeitos diferentes. De toda forma, acho interessante pensar como isso afeta nossas vidas.
Brincar com essa camera me deixou com saudades da minha infancia. Principalmente porque lembrei do cheiro do filme fotografico que usavamos nas nossas viagens quando eu e meu irmao eramos pequenos. Tudo que ha com nossas cameras comecou ali. Fiquei meio espantado como as nossas cameras de hoje ainda se parecem de certa forma com as cameras de antigamente e lembrei de uma entrevista que li a algum tempo com o cara que inventou o html. Ele se queixava que as pessoas usavam novas tecnologias para fazer as mesmas coisas. Que elas iam para a internet e esperavam encontrar coisas como nos livros, na televisao ou nos jornais - e que era muito lento o modo de usar novas midias para coisas totalmente novas. De fato, nao acho que a internet seja muito mais tao convencional assim (acho que era uma entrevista meio antiga), mas fiquei pensando nas cameras e me perguntando se realmente essas cameras de hoje sao modelos modernos das mais antigas e se realmente estao pensando em como usas a tecnologia hoje de forma inteiramente nova para a fotografia. Acho que devem estar fazendo isso sim, soh nao conheco ainda, mas digo mais se souber de algo.
-----------------------
Em todo caso, coloquei algumas das minhas fotos do curso online e hoje fui ver "The Reader" que achei fantastico. Lembro que tivemos que ler esse livro na aula de alemao quando eu estava na escola. Acho na epoca nem cheguei a terminar o livro, mas vendo agora em ingles, e com bem mais maturidade (ok, talvez nem tanto), gostei muito. Fiquei feliz em descobrir tambem que o Google dah os horarios do cinema de Ithaca. Tem tambem pro Rio de Janeiro.
terça-feira, 17 de março de 2009
Dragon Day

Sexta feira passada foi o Dragon Day aqui em Cornell - acontece tradicionalmente no ultimo dia antes do Spring Break, onde os alunos do primeiro ano do curso de Arquitetura fazem um grande dragao e ao meio dia ha uma parada pelo campus. Existe uma certa rivalidade entre os alunos de arquitetura e os de engenharia civil, entao os engenheiros constroem uma phoenix para proteger o Engineering Quad da passagem do dragao nesse dia. Os dois sao essas fotos aih de cima.
Esse ano so teve um pequeno problema. Normalmente no fim da parada, os alunos do ultimo ano colocam fogo no dragao. Esse ano, por causa de alguma legislacao ambiental nova, eles nao puderam queimar. Nos outros anos tem fotos bem legais desse dragao enorme pegando fogo no meio do campus. Tomara que nos anos seguintes consigam alguma forma de queimar o dragao de uma forma legal.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Um post frívolo

Descobri um pouco sem querer que os sabores de "Orchard Peach" e "Chocolate Peanut Butter" são uma excelente combinação - enquanto um é bem doce, outro é bem azedo - ambos muito bons, no entanto, e um ajuda bastante a quebrar o sabor do outro. De fato, essa coisa de garantir diversidade no que você come ou faz é uma questão interessante. Sei, por exemplo, que as lojas de perfume mantém grãos de café para que as pessoas cheirem entre um perfume e outro. Desse modo elas não ficam influenciadas por um cheiro quando vão sentir o próximo. O café funciona bem com o perfume nesse sentido. Acho que as pessoas que degustam vinhos fazem algo semelhante, embora eu não saiba bem o quê. De fato, algo nesse sentido é necessário.
Outra coisa que isso me lembra são os meus tempos de IME+IMPA. Enquanto tinha várias coisas técnicas de engenharia para estudar pro IME, haviam várias outras coisas bem matemáticas e formais para o IMPA. E lembro que funcionavam muito bem juntas. Dessa forma eu não me cansava de nenhum dos modelos... Se eu pensava: quanta teoria, eu quero alguma aplicação... era só mudar e ir estudar pras matérias do IME e quando eu pensava: que coisas bagunçadas e pouco formais, eu quero algo mais bonito e fechadinho... eu ia estudar matemática.
Aliás, isso me lembra um pouco de uma conversa que eu estava tendo agora a pouco: quando você é da graduação, ou até do mestrado, vc lê quase que somente livros (a maioria já sobre teorias comprovadas e bem arrumadas) e todas as coisas fazem todo o sentido. No doutorado, grande parte das suas leituras são de papers que foram publicados nos últimos 5 anos. Você passa grande parte do tempo estudando sobre coisas que ainda estão por fazer e que ainda contém vários furos e coisas mal explicadas. No entanto ainda existem muitos resultados clássicos por serem aprendidos. Existem muitas teorias bonitas e fechadas por aí que não sabemos. Qual então é o balanço entre ficar lendo coisas clássicas e bons resultados e ficar lendo resultados novos e cheios de furos e coisas em aberto? Enquanto o primeiro te ensina técnicas e mostra casos bem sucedidos, os segundos te dão idéias de direções de pesquisa e coisas que podem ser feitas. As duas coisas são muito importantes. Mas quanto é necessário e suficiente de cada um? Eu ainda não tenho uma resposta pra essa pergunta, mas ando conversando com várias pessoas sobre isso e descobrindo que ninguém tem uma resposta clara para isso também.
Uma ultima observação gastronômica: às vezes duas coisas vão muito bem uma com a outra e às vezes uma coisa totalmente engole a outra e não deixa você perceber o sabor das demais (ketchup é o exemplo mais clássico disso). Como todas as coisas na vida isso não é bom ou mal - mas sim pode ser usado para o bem ou para o mal. Vivendo sozinho aqui em Ithaca, eu acabo me aventurando na cozinha de noite e tem uma técnica ótima para me virar caso as coisas não dêem muito certo: simplesmente tenho uma quantidade suficiente de queijo gorgonzola (ou outro queijo de sabor forte) na minha geladeira. No pior caso, meu jantar tem gosto de queijo.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Sopas Campbell
Eu já estou a algum tempo sem postar nada. De fato, têm sido bem corrido esse último mês: eu passei duas semanas fora de Ithaca e, voltando, descobri que eu era um dos "Visit Day Czars", ou seja, eu era da comissão que vai organizar a visita dos alunos admitidos pra Cornell - que vai ocorrer nesse fim de semana. Se você está se perguntando por que se chama czar, saiba que eu estou me perguntando a mesma coisa. Ok, eu sempre achei títulos de nobreza legais, inclusive sempre achei que algo como "visconde" ou "barão" ficaria muito bem antes do meu nome (depois de algum tempo eu abri mão desse sonho nobiliático e resolvi tentar ter "doutor" antes do meu nome). Mas imperador russo já é meio demais. Na verdade, se você olhar o artigo da Wikipedia sobre czar, você vai ver que um uso metafórico aqui nos EUA é para "posições de autoridade" - mas aqui no departamento de computação é meio diferente: definição de czar do Cornell CS. De fato, essa coisa de dar nomes pomposos e de autoridade me lembra muito o Reino do Preste João, onde todos os seus empregados eram condes e bispos, os seus copeiros eram todos barões, os ajudantes eram viscondes e arquimandritas, enquanto o rei conservava apenas o humilde título de preste (uma versão para padre). Eu sempre fui fascinado por essa lenda medieval em especial, e acho essa coisa dos títulos em relação a determinadas corporações modernas. Mas é claro que a coisa toda de czar é brincadeira e não cai bem nessa categoria. Mas acho que era uma ocasião legal de mencionar.
Bom, mas uma das nossas funções como czar é levar os alunos admitidos (prospective students ou prospies) para passear pelo campus. Dado que eu vou ter que fazer isso no domingo, achei legal fazer o tour oficial que acontece uma vez por dia. Fazer o "Campus Tour" para conhecer um pouco mais das histórias e do folclore da universidade já é algo que eu planejava fazer a muito tempo, mas estava sempre adiando. (Na verdade, tem uma lista enorme de coisas que eu queria fazer aqui no campus e ainda não fiz, mesmo estando aqui a mais de 6 meses. Eu ainda falo das outras mais tarde...). As histórias são bem interessantes e a maioria delas está nesse artigo. Mas uma eu achei particularmente interessante: aquela sobre as sopas Campbell.

Eu conhecia as sopas Campbell principalmente por esse quadro acima do Andy Warhol. Na verdade eu cheguei a comprar uma lata de sopa Campbell quando eu vim aqui pra os EUA, mas ela ainda está fechada no meu armário. Até hoje eu nunca cheguei em casa com vontade de abrir a lata. Como a validade desses enlatados é absurdos, acho que dá pra esperar tranquilamente pelo próximo cataclisma, quando vamos ter que ficar trancados em casa comendo comida enlatada e trabalhando na nossa tese de doutorado pra eu abrir a sopa.
Mas voltando ao assunto: aparentemente eles estavam procurando um padrão de cores para colocar na lata de sopa, e, determinaram que iam colocar as cores do vencedor de um jogo Cornell versus Princeton (acho que de futebol americano). Como vocês podem ver, Cornell ganhou o jogo.
Falando em cores, existe uma cor chamada carnelian - é a tonalidade de vermelho que Cornell usa. Ainda preciso de uma boa história pra explicar a conexão do nome da faculdade com a cor.
Bom, mas uma das nossas funções como czar é levar os alunos admitidos (prospective students ou prospies) para passear pelo campus. Dado que eu vou ter que fazer isso no domingo, achei legal fazer o tour oficial que acontece uma vez por dia. Fazer o "Campus Tour" para conhecer um pouco mais das histórias e do folclore da universidade já é algo que eu planejava fazer a muito tempo, mas estava sempre adiando. (Na verdade, tem uma lista enorme de coisas que eu queria fazer aqui no campus e ainda não fiz, mesmo estando aqui a mais de 6 meses. Eu ainda falo das outras mais tarde...). As histórias são bem interessantes e a maioria delas está nesse artigo. Mas uma eu achei particularmente interessante: aquela sobre as sopas Campbell.

Eu conhecia as sopas Campbell principalmente por esse quadro acima do Andy Warhol. Na verdade eu cheguei a comprar uma lata de sopa Campbell quando eu vim aqui pra os EUA, mas ela ainda está fechada no meu armário. Até hoje eu nunca cheguei em casa com vontade de abrir a lata. Como a validade desses enlatados é absurdos, acho que dá pra esperar tranquilamente pelo próximo cataclisma, quando vamos ter que ficar trancados em casa comendo comida enlatada e trabalhando na nossa tese de doutorado pra eu abrir a sopa.
Mas voltando ao assunto: aparentemente eles estavam procurando um padrão de cores para colocar na lata de sopa, e, determinaram que iam colocar as cores do vencedor de um jogo Cornell versus Princeton (acho que de futebol americano). Como vocês podem ver, Cornell ganhou o jogo.
Falando em cores, existe uma cor chamada carnelian - é a tonalidade de vermelho que Cornell usa. Ainda preciso de uma boa história pra explicar a conexão do nome da faculdade com a cor.
Assinar:
Postagens (Atom)