terça-feira, 11 de maio de 2010

Resumo Cultural do Semestre II

O blog post anterior foi uma especie de list-mania - dos livros que eu estava empacotando para levar pra Cambridge ou para colocar em algum lugar seguro (debaixo da mesa do meu escritorio em Ithaca) ateh minha volta. Eu menti no blog post passado por deixar de fora os livros tecnicos (que iriam entediar alguns leitores desse blog), por adicionar alguns livros que eu nao li esse semestre mas a algum tempo atras mas que estavam na minha estante e que eu decidi falar sobre eles, por omitir outros tantos (porque eu de fato sempre empresto, perco, ... livros) e por nao falar de audiobooks.

Um dos livros que eu comecei a "ler" em formato audiobook foi Predictably Irrational, mas nao gostei da experiencia. Quero dizer, o livro eh excelente, mas eu em determinado momento preferi parar com o audiobook e comprar o livro (isso, a versao impressa). Isso tinha acontecido a um ano atras com "Heart of Darkness". Eu nao gostei muito do audiobook. O livro deve ser bom, de fato eh muito famoso, mas eu acabei nao lendo nem ouvindo ateh o final. O problema de audio-books eh que, diferentemente de novelas de radio ou musicas, eles nao foram feitos para serem ouvidos, mas para serem lidos. E eu acho o processo bem diferente, principalmente no que se refere a tempo. Eu pelo menos sinto que eu gosto de parar para entender alguma coisa quando quero e quero passar rapido por determinadas partes se eu estou achando chato. Em audiobooks isso ainda pode ser feito em certo sentido, mas eh menos natural. O problema eh que seu seu nao paro pra entender algumas coisas, eu me perco. Se eu quero passar rapido por uma parte, mas nao consigo, eu fico entediado, meu pensamento vai pra outra coisa, e novamente me perco. Em resumo, minha experiencia nao tem sido a melhor.

Mas tem algo excelente para ouvir: lectures. Varias universidades como Yale, MIT, Stanford, Berkeley colocaram lecures em mp3 ou em video online:
para nao falar no TED, Google Tech Talks, ... Em geral sao materiais que foram feitos para serem ouvidos e vistos e acho muito mais facil entender. E acabo aprendendo muita coisa. Eu comecei a fazer os cursos de Religious Studies de Yale. Eu sempre me senti como querendo entender melhor a minha religiao e de forma mais geral minha cultura. Acho que minha formacao religiosa eh meio falha e em algum sentido, quer voce queira quer nao, o cristianismo eh uma das principais fundacoes da cultura ocidental. Voce pode entrar em qualquer museu, ler qualquer obra da literatura classica, que voce nao consegue passar 3 quadros ou 10 paginas, sem uma referencia religiosa. Sao as historias que da Vinci, Rafael, Dante, todos os filosofos leram, e que inspiraram eles. Da mesma forma, toda a musica classica, as operas giram em torno de temas religiosas. E para nao parecer que isso eh coisa do passado, os filmes modernos de sucesso como "Lord of the Rings", "Avatar", "Star Wars", "Harry Potter" seguem o mesmo framework de um "messias" que vem para salvar seja a Terra Media (LOTR), Pandora (Avatar), Imperio (Star Wars), ... O Verissimo dizia que a Biblia eh o livro-texto da nossa civilizacao.

De forma geral, religiao eh um assunto que me interessa muito e eu sempre quis ler mais a respeito. Embora imparcialidade seja algo impossivel, esses dois cursos de Yale sao dados de um ponto de vista academico. Nao sei definir bem o que seria um ponto de vista academico para religious studies, mas eh algo no seguinte sentido: tentando analisar as historias de varios pontos de vista, dar varias explicacoes associadas a diversos momentos da historia, analisar os textos dentro do contexto historico em que eles foram escritos, fazer analises de literatura comparada com outros textos do Oriente Medio, ... Eu aprendi muito e recomendo fortemente. Eu ouvi todas as aulas da Christina Hayes sobre o Antigo Testamente (Hebrew Bible).

Eu consegui explicacoes boas para varias coisas que sempre me intrigaram como a historia de Abraao e Isaac ou sobre o livro de Jo. Mas acho que ao inves de eu tentar explicar e acabar me enrolando, eh melhor ir direto ao curso. O curso tem em mp3, em video e o texto transcrito. Vou colocar uma parte que gostei muito e que achei muito illuminating abaixo:

[...] So Deuteronomy is itself an implicit authorization of the process of interpretation. And the notion of canon, or sacred canon, that's exemplified then by biblical texts is one that allows for continued unfolding and development of the sacred tradition. And that's an idea that I think differs very much from modern intuitions about the nature of sacred canons. I think a lot of people have the intuition that a sacred canon means that the text is fixed, static and authoritative because it is fixed and static, or unchanging. That's not the biblical view or ancient view of sacred canon. Texts representing sacred revelation were modified, they were revised, they were rephrased, they were updated and they were interpreted in the process of transmission and preservation. It was precisely because a text or a tradition was sacred and authoritative that it was important that it adapt and speak to new circumstances; otherwise it would appear to be irrelevant. So it's a very different notion of what it means for something to be canonical and sacred, from what I think some moderns have come to understand those terms to mean. [...]  (Lecture 11)
De fato, ouvir esse curso em mp3 me deixou com muita vontade de ler a Biblia do comeco ao fim - o que eu nunca fiz, embora eu conheca varias partes. Por um lado tem o fato de eu querer conhecer minha propria religiao melhor, e por outro me parece uma perspectiva literaria fascinante, afinal as boas historias da literatura estao sempre voltando as historias originais.

Eu estou atualmente ouvindo 3 cursos desses de Yale. O segundo curso de Religious Studies, um de Psicologia e um de Microeconomia. Acho uma maneira boa de aprender coisas (bem) diferentes da minha area enquanto caminho de casa para a faculdade. Ainda: se voce tem um iPod/iPhone/iAlgumaCoisa, dah pra pegar eles direto do iTunes.

domingo, 9 de maio de 2010

Resumo cultural do Semestre I

Estou empacotando minhas coisas pra mandar pra Cambridge. Muitos dos meus livros eu vou deixar aqui em Cornell no meu escritorio esperando por mim e estou ainda decidindo quais levar e quais deixar. Alguns eu posso simplesmente levar pro Brasil. De certa forma eu gosto de olhar meus livros e por isso resisti e nao comprei um Kindle. Eu gosto de olhar pra eles na estante e gosto de sentir o paper (se vc leu o post anterior, isso eh de certa forma uma referencia a coisa do monge copista). Esse semestre meio que eu voltei a ler com mais frequencia de manha. Pensei em fazer uma lista com alguns comentarios. Eu nao ordenei muito cronologicamente pelo que eu li - de fato eu vario os estilos, mas mais pelo que eh parecido:

  • SuperFreakonomics: eu tinha gostando muito do Freakonomics e fiquei feliz de saber que um novo livro do Levitt tinha saido. Gosto do estilo dele e acompanho o blog dele. Eh tao bom quanto o primeiro.
  • Predictably Irrational: ainda na onda de ler livros de economistas pop, nao dah pra deixar de ler o Dan Ariely. O livro eh muito legal. Dan Ariely eh um economista behaviorista, e ele argumenta que as pessoas nao agem sempre racionalmente. Eu nao aceito completamente esse ponto - prefiro pensar que as pessoas agem racionalmente mas podem ter "funcoes utilidade" nao esperadas. Outra coisa que eu prefiro os livros de economistas mais classicos como o Levitt eh que muitos dos pontos do livro do Predictably Irrational sao provados com experimentos de laboratorio - o que parece menos convincente - ainda mais quando as pessoas que sao testadas nos experimentos sao os alunos dele do MIT. Nao me parece um otimo sample para investigar o comportamento humano medio. De toda forma, o livro eh muito bom de ler e eh cheio de insights geniais. Recomendo.
  • Blink: Malcolm Galdwell, o autor de Blink, nao eh exatamente um economista, mas acho que ele ainda entraria na categoria economia pop em algum sentido. Gostei dele tambem
  • Antropologo de Marte: seis contos paradoxais. A proxima leva eh de livros de neurologia. O Oliver Sacks eh um dos autores mais geniais que conheco. Ele usa os casos que ele encontrou como neurologista para analisar a mente humana - tentando entender nossa mente olhando nos casos limite. Em seguida dois outros livros do Oliver que eu li recentemente:
  • Musicophilia: sobre musica e o cerebro.
  • The man that mistook his wife for a hat: outro livro de casos clinicos, relacionando filosofia, medicina, espiritualidade, psicologia, literatura... Eh um livro onde Hume e Kant sao citados junto com o neurologista russo Luria e o eclesiastes. Alias, fiquei com vontade de ler os livros desse neurologista russo: que eh de onde o Oliver Sacks clama que vem a tradicao da literatura clinica. Isto eh, escrever medicina com os cuidados de quem escreve literatura. Alias, talvez nos matematicos e computer scientists, deveriamos comecar a fazer o mesmo. De fato, alguns jah estao fazendo.
  • Logicomix: quadrinhos sobre a historia da Logica. Acompanha a (muito intrigante e real) historia de Bertrant Russell (se vc eh matematico, vc jah deve ter cruzado com Paradoxo de Russell, por exemplo). Foi uma epoca muito interessante, com gente como Cantor, Hilbert, Frege, Poincare, Godel, Wittgestein, ... como personagens. Uma misteriosa e tragica conexao sobre os fundadores da logica eh que a maioria deles acabou sua vida louco, internado num manicomio ou algo assim. E eles em geral tiveram historias familiares muito conturbadas. Somando-se a isso tudo, era a epoca da guerra e a Europa caia aos pedacos. Eh um livro dificil de parar.
  • The Ladies of Grade Adieu and Other Stories: O meu romance de fantasia preferido de todos os tempos se chama Jonathan Stange & Mr Norrell, e se voce gostou de Harry Potter, Lord of the Rings ou gosta de historias com magos (de fato eu gosto deles todos), leia Jonathan Strange. Se voce conhece os meandros do mundo academico, voce vai se divertir muito mais com as ironias e as sutilezas deles. Jonathan Strange transborda cultura e imaginacao de uma maneira que eu nunca vi. Cada detalhe, ironia e piada eh incrivelmente trabalhado como uma igreja barroca. A autora, Susanna Clarke, trabalhou durante 10 anos nesse livro, ateh bem pouco tempo, seu unico livro - e nesse meio tempo ela trabalhava para uma editora em um cargo administrativo. E eh uma obra prima. Digo ateh bem pouco tempo porque recentemente ela publicou uma serie de contos, esse que eu coloquei aih. Os contos sao otimos e os melhores sao realmente fantasticos. Mas nada que se compare a Jonathan Strange...
  • Coisas frageis: eu sempre gostei dos filmes baseados nos livros do Neil Gaiman mas nunca tinha lido nada dele. Gostei dos contos nesse livro. Na verdade, gostei muito de um ou dois, gostei da metade eles e a outra metade achei meio sem graca. Mas recomendo pelos que sao realmente bons, como "Keepsakers and Treasures". Mas talvez de pra ler esses na livraria mesmo. Sao contos pequenos.
  • A rainha do castelo de ar (The Girl Who Kicked the Hornet's Nest): excelente ultimo volume da Trilogia Milenium.
  • Man from Beijing: algumas pessoas que eu conheco gostam do Henning Mankell e o comeco (ateh 1/3 ou a metade) do livro eh realmente muito atraente. Mas depois ele perde o ritmo e fica chato. Achei que os personagens tambem nao eram muito profundos e que o misterio era facilmente resolvido logo sem nenhuma surpresa grande no fim. De toda forma, talvez eu tenha escolhido o romance errado dele pra ler. Mas de uma forma boa, acentuou minha vontade de visitar a China.
  • Life of Pi: Nao cheguei a terminar. Todos que eu falei sobre o livro deram a mesma descricao - o comeco eh empolgante e interessante, mas ele fica chato pelo meio. Talvez ele ofereca algo muito bom no fim, porque as reviews dele na Amazon sao otimas. Mas nao funcionou muito pra mim. Ou pelo menos eu nao cheguei ateh o ponto que ele fica realmente bom.
  • The Castle of Crossed Destinies: nao eh bem desse ano. eu li ano passado, mas estah aqui na estante, entao falemos dele. O Italo Calvino eh meu autor favorito, entao acabo gostando de quase tudo que leio dele (se voce nao leu nada, o meu preferido eh "Se um Viajante numa Noite de Inverno" - mas se voce eh um cientista, talvez voce se divirta mais com as "Cosmicomicas"). Mas voltando ao "Castle of Crossed...". Eh um livro fascinante. Um viajante chega a um castelo (que eh uma especie de hospedagem) depois de muito tempo na estrada. Chegando lah, ele percebe que ele e os outros viajantes perderam a voz. Tudo que ha na mesa eh um baralho de taro. Entao cada um comeca a contar sua historia usando as cartas de taro. Daih pra frente eu prefiro nao contar, mas eu gostei. E acabei indo ler sobre taro na Wikipedia. Acho que tem o mesmo papel que signos do Zodiaco no meu imaginario. Eu nao realmente acredito neles como forma de prever coisas, mas sao um exercicio cultural fascinante. Eh uma forma de colocar ordem no mundo de uma forma discreta e altamente estruturada. Nessa categoria estah tambem o I-Ching (the Chinese Book of Change)
  • Baron in the Trees: tambem do Calvino, eh o unico livro que eu nao tinha lido da trilogia "Nossos Antepassados". Os outros eu li a muito tempo atras. Otimo tal como os outros.
    Num proximo post eu falo dos audiobooks.

    sexta-feira, 7 de maio de 2010

    Macarons no cafe da manha e minha tentativa frustrada de comer pato laqueado

    Esse eh mais um post sobre comida. Comecou assim: eu fui visitar a IBM Watson por uns dias e dado que eu fui ateh lah eu resolvi chegar um dia antes e sair um dia depois e passar um tempo em NYC. A razao foi explorar o mapa que eu coloquei no post anterior. Se vc lembra do antigo, alguns pontos azuis viraram vermelhos.

    No primeiro dia eu segui a recomendacao do Daniel e fui no Momofuku. Eh um lugar pequeno e escondido, dificil de achar se uma boa recomendacao. Ele tem dois: eu fui no noodle bar. Sao poucas mesas, e cadeiras em torno do noodle bar - onde voce senta e ve eles preparando os noodles. O restaurante eh tao pequeno e lotado que as mesas sao compartilhadas: se houver um lugar vazio na sua mesa, pode crer que eles vao sentar uma pessoa lah. Os noodles sao simples, mas incrivelmente bem feitos. Eu sentei no noodle bar e tudo que eu via parecia excelente. Metade do que eu via saindo era o momofuku ramen (pork belly, pork shoulder, poached egg), que foi o que eu pedi tambem e era delicioso. De sobremesa comi um sorvete de azeite (isso, olive oil soft ice-cream). Era uma especie de frozen-yogurt com gosto de azeitona - mas um gosto bem suave. Chegava a ser levemente salgado. Ele ficava sobre crumbles e damascos. E a combinacao foi excelente (isso, muito gostosa alem de curiosa).

    Uma side note foi uma conversa que tive antes de ir pra lah: esses restaurantes bons tem menus muito pequenos. Em geral se preparam 5 ou 6 pratos diferentes por dia. De fato, voce nao consugue manter qualidade com tanta variedade. Nao tem como ter ingredientes frescos pra 50 pratos diferentes ou fazer tudo na hora se vc tem que fazer um monte de coisas. De certa forma, acho que o tamanho do menu (1/M onde M eh o tamanho do menu) eh uma metrica interessante de qualidade. Como eu jah falei no post anterior, eu gostaria de um restaurante com somente um item no menu. Ou uns dois ou tres. E isso acaba com um dos grandes problemas: regret. De vc ficar com ciume do que vem pra mesa do lado.

    No segundo dia eu fui jantar no Limon, que eh um restaurante turco pequeno. A comida era boa, mas o que eu gostei mesmo foi da sopa. Alias, eu sempre fico arrepiado quando eu como Red Lentil Soup. O que me faz pensar que eu se acreditasse em vidas passadas eu devo ter vindo da Turquia ou de algum lugar no Oriente Medio. De fato, falando em vidas passadas, eu sempre pensei que eu devo ter sido um desses monges copistas que ficavam em um monasterio da Idade Media copiando Os Elementos de Euclides. Isso explicaria o quao eu gosto de matematica, de copiar de coisas e de como eu me sinto bem perto de tinta e papel. Juntando as coisas eu soh posso ter sido um monge ortodoxo copiando os Elementos em algum lugar proximo da Antioquia, parando para comer Red Lentil Soup no almoco. Mas divagacoes a parte, eu realmente gostaria de aprender a fazer essa sopa. De acordo com a Wikipedia, ela aparece ateh na Biblia em Esau e Jaco. Mas isso eh historia pra outro post.

    Meu proximo dia comecou muito bem: eu fui ateh o Madeleine Patisserie (peguei a recomendacao aqui), o melhor lugar que eu jah encontrei para sentar e ler um livro ou trabalhar... Mas nao se engane, nao eh um lugar que voce vah pelo ambiente - eh um lugar para quem gosta de doces. Eh um lugar escondido no Chelsea com otimos paes. O croissant que eu comi acho que foi o melhor que eu jah comi nos EUA. Mas o carro chefe sao os macarons. Sim, macarons e eu to falando disso:



    E nao, ateh entao eu nao conhecia, ou sim, jah tinha visto alguns na Fauchon ou em outro lugares, mas nunca me encheram os olhos e eu nunca provei. Talvez vendo a foto no blog do Muthu eu tenha decidido tentar. E eh daquelas coisas que voce se arrepende de nao ter descoberto mais cedo. Hoje em dia eu fico um certo tempo pensando em macarons. Ainda tenho uma caixa de macarons no Madeleines na minha geladeira, mas ela estah quase no fim.

    Por fim eu deixei o que eu mais estava com vontade. Nos comentarios do blog anterior o Italo me deixou curioso sobre o Pato Laqueado. De fato, eu jah tinha ouvido falar muito dele. Teve muito discussao em torno do tal pato quando o Eike Batista abriu o Mr Lam no Rio e soh se falava no bendito do pato - os precos nao eram os que eu podia pagar com meu salario de aluno de mestrado e acho que ainda nao o sao com o meu salario de aluno de doutorado. mas em NYC eh bem mais razoavel, Entao resolvi ir na indicacao de todas as pessoas e ir no Peking Duck House, na Mott St, no fim da Chinatown de NYC.

    Eu passei alguns dias sonhando com o pato laqueado e deixei ele para o fim com aquela ideia de que adiar um prazer eh uma forma de amplifica-lo. Nao soh isso: eu discuti o pato laqueado com meus amigos chineses e sempre eu via um sorriso no rosto deles quando mencionava ele. Eles inclusive me contaram que na China os animais vinham para mesa com a cabeca e tudo (o que eh o caso do pato, que voce pode ver pendurado em varios lugares em Chinatown com a cabeca e tudo) mas que os ocidentais preferem nao olhar pra cabeca e se lembrarem que aquilo eh um animal de verdade.

    Em todo caso, eu dei uma volta pela Chinatown pra entrar no clima e fui caminhando para Mott Street. Chinatown eh cheio de restaurantes - muitos - mas nem todos onde eu teria coragem de entrar. O Peking Duck House eh um lugar bem chic comparado a maioria e eh onde td mundo fala quando mencionam Peking Duck em Manhattan. Se eh o melhor Peking Duck de Manhattan? Nao sei, duvido. Essas coisas acho que o melhor deve ser em algum lugar bem sujo e underground, preparado por alguma vovo chinesa. O melhor Peking Duck de Manhattan seria um que eu provavelmente nao teria coragem de comer. Mas bom, fui ateh o Peking Duck House.

    O problema foi que chegando lah, nao havia nenhuma porcao pequena de pato. Era um pato inteiro ou nada. Era um prato pra 4 pessoas - e estava sozinho. Se eu estivesse com mais alguem, eu encarava - feliz. Mas estando soh eu, eu olhei com resignacao e com uma certa inveja pro casal do meu lado e pras outras mesas ao redor, todas comendo pato e pedi um General Tso's Chicken, que alias estava muito boa. E de certa forma, eh bom ter desejos nao concretizados nessa vida. Eu definitivamente preciso de alguem pra me acompanhar em Manhattan para uma caminhada por Chinatonw, chegar a Mott St e comer pato.

    domingo, 18 de abril de 2010

    Comida, cha, habitos saudaveis e uma boa dose de esnobismo

    Se voce nao gosta de posts falando sobre comida e bebiba e principalmente de posts onde o autor fica contando vantagem por saber apreciar a boa mesa e no fim o post eh uma grande descricao das suuas ultimas refeicoes, voce pode pular esse. Se por outro lado, voce gosta particularmente de posts assim, voce deve ir aos classicos e ler O Troisgros (ou mais geralmente a Mesa Voadora) do Verissimo. Eh o auge do que eu gostaria de escrever sobre a boa mesa. De fato, as vezes, depois de ir em algum lugar que me excita muito (em termos gastronomicos, que fique bem dito) eu tenho vontade de escrever um blog post detalhando cada prato e cada impressao. Mas eu fico com medo de parecer esnobe, entao eu escrevo e soh mando pra minha familia e amigos, que jah sabem que eu sou esnobe, deletam o email e nao me falam nada pra eu nao ficar chateado. Foi assim em uma refeicao de 7 pratos diferentes no Heights Cafe aqui em Ithaca, meu jantar no Craftbar de NYC e meu almoco memoravel no Sauc de Barcelona (alias, veja esse blog post sobre restaurantes em Barcelona). Eu lembro que chegando no Sauc (no almoco, claro, porque eu ainda nao tinha cacife pra jantar nesses lugares - detalhe eh que a maior parte dos restaurantes na Espanha - o mesmo acontece nos EUA - servem no almoco pratos excelentes mas com precos incrivelmente mais razoaveis do que eles servem no jantar - e que cabem no meu orcamento restrito de aluno de doutorado), mas voltando, chegando ao Sauc no almoco, eu lembro de simplesmente pedir (no meu portunhol) pra eles me surpreenderem e me trazerem o que iria me impressionar. E eu nao me arrependi. Alias, eu sempre pensei que restaurantes deveriam ser assim: voce nao precisa escolher. Voce soh entra, conversa um pouco com o garcom e ele decide o que te trazer. Ou melhor: ele te olha e te traz pratos, jah intuindo o que voce vai querer. Continuando o roteiro de descricoes esnobes: uma vez, numa cidadezinha da Italia, eu entrei num restaurante com um grupo e pedimos o menu. Menu? Eles olharam a gente meio sem saber o que falar e disseram que nao havia menu: e pediram pra descrever o que estavamos com vontade de comer e entao eles entenderam, foram lah, e trouxeram algo fantastico. Acho que assim que deveriam ser.

    Alias, recentemente eu fiquei pensando como seria um restaurante perfeito: e acho que seria algo assim: voce entraria e veria os garcons usando mascaras (como a mascara da serva na comedia dell'arte, ou o gato ou uma mascara catala). Voce nao veria o rosto deles nem conseguiria se comunicar com eles. Eles seriam mudos e soh se comunicariam por gestos, ou entao falariam entre si numa lingua estranha - como a lingua basca ou uma variacao perdida do aramaico. Voce simplesmente sentaria, eles entenderiam o que voce quer - talvez voce pudesse indicar de alguma forma se voce preferia peixe ou carne - e eles trariam a sequencia de pratos que seria sua refeicao. No final, voce soh pagaria e sairia feliz sem entender o que aconteceu.

    Uma nota: eu estou compilando uma lista de restaurantes em Manhattan - em vermelho os que eu jah fui e em azul os que eu ainda quero ir. Por causa do meu budget e do fato de eu nao ir sempre a Manhattan, a lista demora a crescer, mas  se voce tiver alguma sugestao... Alias, aceito sugestoes de restaurantes em qualquer lugar.

    Bom, mas essa foi a introducao e eu me perdi falando sobre outras coisas. O que eu queria falar eh ligeiramente diferente. Meu topico inicial na verdade eh sobre o que beber e nao sobre comer: eu sempre achei cerveja uma bebida sem graca. De fato, eu diria inclusive que nao se trata de uma bebida de homem, mas de adolescentes. Vinho eh uma coisa mais refinada e que agrada bem mais meu paladar. Mas ainda nao eh o auge. A tese que eu gostaria de sustentar eh que bebida de homem mesmo eh cha - isso mesmo, cha (tea). Eu poderia usar varios fatos da Wikipedia para sustentar essa tese, mas eu vou deixar isso pra outro post pra evitar mais digressao. O fato eh que eu tenho gostado cada vez mais de cha no ultimo ano. O mesmo pode ser dito sobre cafe. Voce pode dizer que eh o inicio de um vicio por cafeina. Eu prefiro dizer que se trata de refinar meus habitos.

    Tudo comecou assim: eu tinha uma vizinha inglesa e comentei com ela que achava dificil acordar de manha. Que eu era muito improdutivo nas primeiras horas do dia e tal... Ela me disse que isso acontecia porque eu nao fazia as coisas certas de manha. Ela me explicou que depois de acordar e tomar banho. Ela precisava de uma xicara de cha e de meia hora lendo  um livro ou o jornal. E depois disso eh que ela ia tomar o cafe da manha. Eu resolvi fazer o teste e passar meia hora (as vezes uma hora) lendo e tomando o cafe de manha e de fato isso funciona muito bem. Eu saia bem mais desperto - e me sentindo muito bem. E minha leitura melhorou muito - eu de certa forma voltei a ler livros - por um bom tempo quase tudo o que eu lia eram blogs. Por exemplo, quando eu chegava no office de manha eu nao costumava ter energia pra comecar a trabalhar logo - entao eu ficava um tempo perdendo tempo na internet, lendo blogs, ... Depois de colocar a leitura da manha com o cha, eu parei de fazer isso. E de fato acho que minha produtividade aumentou. De certa forma, isso eh a adicao de mais meia hora de "wellness" (desculpas as pessoas que detestam esse termo e acham ele sem sentido) no meu dia-a-dia. Atualmente meu dia contem:
    • leitura + cha e cafe da manha demorado pela manha
    • almoco de uma hora no meio do dia. Para os brasileiros isso eh altamente trivial - eh algo normal e nao um tempo extra de relaxamento que voce estah se concedendo. Mas isso nao vale pra os americanos - eh muito normal aqui comprar um sanduiche e comer enquanto trabalha ou comer correndo enquanto assiste um seminario ou se discute trabalho.
    • pausa pro cafe de tarde
    • uma hora de academia no fim do dia
    Ok, isso na conta o tempo que eu realmente tiro pra na fazer nada ou que eu saio, mas o tempo que eu insiro no meio do meu dia produtivo (e voce pode estar pensando, talvez com razao, se existe tempo produtivo mesmo com isso tudo), mas isso eh outro ponto eu deixo pra discutir depois.

    O meu cafe da manha em geral eh cha, iogurte e depois algo como uma vitamina de banana. Sabado, eu tenho bem mais tempo, e ficando mais adepto dessa coisa de cafe da manha, eu decidi fazer as vezes algo mais complicado. Eis a foto do meu ultimo cafe:

    • cha (blend de cha verde com cha preto) com leite e mel
    • salmao
    • queijo de cabra
    • pasta de pera e nozes
    • uvas
    • meia baguete
    • iogurte grego de morango
    E sim, dado que eu estava em um cooking mood, eu tentei fazer frango teriyaki no almoco (com capelleti) que ficou assim:


    E jah que eu estou postando as fotos legais do meu computador que eu tirei ontem, eis o animal que estava escondido atras dos vasos de planta do jardim quando eu cheguei em casa:



    quinta-feira, 8 de abril de 2010

    FHC @ Cornell

    Eu poderia comecar esse blog post falando sobre o comeco da primavera, como as cerejeiras estao florescendo e os excelentes 25oC que estao fazendo aqui, mas vou falar sobre hoje eu ter encontrado o FHC - isso mesmo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para provar, eis uma foto:


    O FHC recebeu uma especie de premio - "Henry E. and Nancy Horton Bartels World Affairs Fellowship" e como sempre nesses eventos as pessoas vem dar talks aqui. Procurando no Google, aparentemente uma pessoa recebe isso por ano e em anos anteriores ganhadores foram pessoas como pessoas como o Dalai Lama, ex-presidentes, embaixadores da ONU, ... A talk dele (link aqui) foi sobre a crise economica mundial - eu tenho mixed feelings sobre a talk. Por um lado ele eh um cara muito culto, fala muito bem e sabe fazer piadas bem colocadas. E eu admiro bastante ele e o governo dele. Achei tambem legal no inicio ele falar que varias pessoas do governo dele que foram de Cornell. O Jose Serra - atual candidato - foi PhD em economia aqui por Cornell - e o Celso Lafer, que foi ministro do exterior e ministro do comercio - que tem PhD em Ciencias Politicas por Cornell. Bom, mas voltando a talk, por outro lado, a parte principal da talk foi meio cheia de abobrinha - mas com alguns momentos interessantes. E eu sai da talk com a impressao de nao ter uma mensagem concreta. Mas talvez isso seja somente o modo de sociologos darem talks que eh diferente do modo que engenheiros fariam.


    Em geral, essas pessoas como o FHC sao muito dificeis de serem vistas no Brasil - por exemplo, eu nao lembro de nunca ter um presidente ter ido no IME ou no IMPA, e pelo que eu conversei com os brasileiros daqui, tao pouco eles foram na UFRJ, USP, ITA, ... Ok, no IME nos vemos os figuroes das Forcas Armadas, o que eh legal. Eu recebi meu diploma, por exemplo, do comandante do Exercito no dia da minha formatura. Mas eh facil passar longe dos figuroes civis. Eu nao lembro nem de ter visto o governador do Estado - seja lah quem ele eh hoje. Tudo bem, eu nao faco nenhuma questao de tirar uma foto com a Rosinha Garotinho, mas de toda forma, eh estranho que eles nao venham as principais instituicoes de ensino. E mais estranho ainda eh que estando em Cornell, Harvard, Brown, ... seja facil ver esses caras.

    Eu posso ter passado um tempo chateado com esse fato descrito acima, mas de certa forma eu entendo: aqui eles conseguem ter uma discussao mais neutra e relaxada - sem imprensa, militantes politicos, manifestantes, ... Ainda com varias pessoas querendo autografos e fotos (como eu) mas em um numero controlavel.

    Falando em encontrar celebridades brasileiras nos EUA, eu nao consigo deixar de lembrar do seguinte: eu morei minha vida inteira no Rio de Janeiro, onde fica a Globo e onde era gravado o Show da Xuxa (e se voce nasceu na decada de 80/90 voce sabe do que eu estou falando) - e mesmo assim eu nunca vi a Xuxa no Rio. Em umas ferias eu fui passar com meu irmao e meus pais na Disney e quem estava lah: a Xuxa. Para provar, eis a foto aih embaixo:


    Meus agradecimentos ao Pedro por ter achado essa foto e escaneado pra mim. Alias, ele poderia facilmente clamar que eh ele nessa foto e nao eu. De toda forma, ainda ele tem outra foto assim, mas acho que dentro de algum tempo vamos entrar na discussao de sempre quando olhamos pra fotos de crianca, que eh saber qual de nos dois estah em que foto.

    domingo, 4 de abril de 2010

    Espanha

    Eu nao sei exatamente o que me deixou com essa obsecao com a Espanha. Talvez tenha sido a seguinte musica da Adriana Calcanhoto. Talvez tenha sido uma historia que eu li que se passava em Ceuta - ou talvez seja Gibraltar. Quando eu vi todos aqueles filmes do Almodovar eu provavelmente jah tinha comecado e logo eu estava aprendendo a fazer gazpacho, que alias, costuma ficar muito bom, e dah pra fazer em menos de 20 minutos. Eh bom notar que eh mais divertido fazer/comer gazpacho depois de ver "Mujeres al borde de un ataque de nervios" - que eh um dos filmes mais engracados que eu jah vi.

    Eu fui a Europa algumas vezes, mas sempre evitei a Espanha, por alguma razao que eu nao sei - mas a um mes atras eu descobri que ia para um workshop na Italia, e dado que a Espanha era logo ali do lado, resolvi esticar uma semana (que, luckly, era Spring Break) e viajar por lah. Tentei convencer algumas pessoas a virem comigo - o que geralmente funciona - mas dessa vez nao consegui ninguem - um pouco por causa da epoca do ano.

    Foi uma experiencia boa viajar sozinho. Por um lado eu senti que eu nao tinha alguem para trocar impressoes sobre as coisas como quando eu viajo com amigos meus, mas por outro lado me senti mais aberto e falar com outras pessoas e gostei de eu poder definir o ritmo da viagem - parando para fazer coisas que eu gosto e que nao necessariamente agradam a todo mundo, como imprimir uma lista dos chocolatiers de Barcelona e planejar meu roteiro para visita-los todos - ou fazer almocos demorados de uma hora e meia, duas horas. Ir na feira comprar mel e queijo e coisas assim... Eu fiquei em hostel durante toda a minha viagem. Mesmo viajando acompanhado eu costumo ficar em hostel, mas indo soh eu, eu preferi ao inves de procurar um na hora, reservar todos no HostelWorld e minha experiencia foi otima - eu peguei os hostels mais bem rankeados de cada lugar e fiquei neles. Nao sei se foi coincidencia, mas nos quartos que eu fiquei - e eram quartos de 6 ou 8 pessoas, havia sempre mais da metade das pessoas viajando sozinha - e eu achei gente pra sair quase todo dia. A Espanha tem hostels bem animados, de forma que em todos tinham atividades como tapas tour, bar hopping, night clubs e coisas do tipo. Na maioria dos aspectos, achei que eles tinham qualidade melhor do que a maioria dos hoteis que eu fiquei (conforto da cama, limpeza, servicos, ...)

    Meu roteiro foi o seguinte:


    Cheguei via Madrid, mas logo peguei um trem pra Granada, e de lah pra Cordoba (que foi quase uma day-trip), Sevilla e Barcelona no fim. As fotos, como sempre, estao no Picasa ou no mapa. Como tinha uma semana soh eu tive que cortar muito do meu plano: eu gostaria de ir ateh Ceuta e chegar ao Marrocos (cruzar de Tarifa pra Tangier) mas isso fica pra proxima viagem. Tambem nao pude ir nos Paises Bascos nem no Caminho de Santiago. Acabei indo a Barcelona (que eh impossivel deixar de ir, principalmente pela criatividade catala - tanto na arquitetura de Gaudi e dos outros modernistas - como na famosa cozinha criativa da Catalunia - os doces lah sao particularmente bons) e alem de Barcelona, o sul da Espanha: a Andalusia - que hospedou os reinos arabes mais influentes da Europa e em seguida os Reinos Catolicos. De certa forma, eu inclui eles no meu roteiro por gostar muito de arquitetura arabe de forma geral e por eles seram um dos blends mais elegantes que eu jah vi de cultura arabe e europeia.

    quinta-feira, 4 de março de 2010

    Filmes para ver antes de viajar

    Resolvei juntar uma lista dos meus filmes preferidos retratando as cidades que eu mais gosto da Europa. Na verdade eh mentira, sao cidades que eu gosto muito, mas a maioria das minhas cidades preferidas de fato na vai estar na lista (mais por eu nao saber nenhum filme que se passa nelas). Eh complicado de certa forma dizer o que eu mais gosto e em geral quando eu faco uma lista assim, sempre acabam aparecendo as cidades que eu visitei por ultimo e que me impressionaram. Atualmente minha lista eh algo como Lisboa, Istambul e Paris (em alguma ordem que eu nao sei bem qual). Isso sem contar com as cidades que nunca visitei (algumas da quais entram na lista) e que sempre sonhei: por alguma razao eu fico atraido por lugares que eu nunca fui. Os lugares mais recentes nessa categoria sao: Marrakesh, Gibraltar e Barcelona. Sem mais delongas, eis minha lista de filmes:

    Barcelona
    Vicky Christina Barcelona
    Albergue Espanhol (L'Auberge espagnole)

    Berlin
    Adeus, Lenin
    Corra, Lola, Corra

    Paris
    Fabuloso Destino de Amerlie Poulain
    Paris, Eu Te Amo
    Antes do Por do Sol

    Madrid
    Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos

    Viena
    Antes do Amanhecer




    Se eu esqueci de algum filme (ou cidade) e provavelmente eu esqueci, agradeco sugestoes. Uma idea legal seria tentar fazer uma lista em relacao a outras cidades como o Rio de Janeiro e Nova York. Sobre NYC eu penso em varios filmes do Woody Allen, Sobre o Rio eu penso em varios, mas nenhum se destaca na minha memoria agora como um "o filme do Rio". Tem filmes brasileiros excelentes (como Tropa de Elite, Central do Brasil, Cidade de Deus, ...) - mas eu nao vejo em nenhum deles a cidade sendo o personagem principal - como em varios dos que eu coloquei acima.

    Alguns comentarios adicionais sobre os filmes que eu inclui na lista: Amelie Poulain eh um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Sobre o filme de Madrid, eu recentemente vi Abracos Partidos e se voce viu tb, voce sabe que tem um filme dentro de um filme e o filme dentro do filme eh na verdade Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos. Eh uma das melhores comedias que eu vi nos ultimos tempos - principalmente se voce se diverte com comedias estilo "Sai de Baixo". Depois de ver esses eu tenho visto varios filmes do Almodovar. E isso tem a ver com a minha mania de coisas relacionadas a Espanha (recentemente eu aprendi a fazer gazpacho, e modestia a parte, costuma ficar muito bom). Ainda sobre os filmes, tem um par deles que eh particularmente especial: { Before Sunrise, Before Sunset }. Acho que vale a pena ver o primeiro antes do segundo: nao somente porque eles estao em ordem cronologica e Sunset se passa varios anos depois do Sunrise, mas porque acho que o Sunrise diz mais pra mim, pelo menos sobre o meu atual momento da vida (e provavelmente o seu, se voce tem uma idade parecida com a minha).

    Antes do fim, um agradecimento especial a pessoas que me motivou a fazer a lista de filmes acima.