A minha percepcao do tempo na internet varia dependendo do site que eu estou perdendo tempo ao inves de fazer pesquisa: invariavelmente eu me culpo por ficar no Orkut/Facebook/YouTube, mas eu considero meu tempo no Google Reader parcialmente produtivo, jah que eu acabo me atualizando das noticas, aprendendo algo pra falar numa mesa de bar (nao fica tao bem comentar da estrutura de matroides numa mesa de bar - ok, em algumas mesas de bar, talvez - entao eu tenho que ler outras coisas), mas um lugar eu realmente nao me culpo de ficar passeando (as vezes por longo tempo): a Wikipedia. Eu sempre acho que estou aprendendo algo novo - embora ok, nao seja nada que eu vah usar na minha pesquisa, mas eu sempre tenho medo da minha cultura inutil estagnar, entao eh importante continuar lendo coisas aleatorias. Ok, pensei em documentar alguns dos meus passeios na Wikipedia no ultimo ano. Claro que tem aqueles que voce simplesmente vai e le um artigo isolado sobre as mulheres em Burma, mas tem aqueles onde voce consistentemente le sobre varios artigos. Aih vao algumas tracks que me divertiram:
SETI e o Grande Silencio: Recentemente estava conversando com alguns amigos no jantar sobre extra-terrestres, o que eh um topico bem popular. Deve ser interessante o que eles estao vendo sobre a gente: do jeito que a terra emite radiacao pro espaco sob formas de onda de TV e radio, os aliens lah longe devem atualmente estar vendo televisao da decada de 70 e 80. Em alguma estrela distante, deve ter algum alien assistindo "O Bem Amado" ou "Tieta do Agreste" e sonhando com o Brasil. Interessante pensar que todos esses nossos produtos culturais estao eternamente por aih, vagando pelo universo. A pergunta interessante eh: porque eh que eu nao consigo sintonizar canais de televisao extra-terrestres? Por que esse grande silencio no universo: nosso planeta aih, emitindo varios tipos de sinais a todo momento e nenhum sinal de vida inteligente lah fora: nao falo sobre naves, homenzinhos verdes, mas radiacao eletromagnetica que possa ser reconhecida como informacao, ainda que nao saibamos do que se trata. Agora falando de artigos da Wikipedia (podem seguir os links que eh diversao garantida): Paradoxo de Fermi (fala sobre a questao do Grande Silencio), Equacao de Drake (aquela famosa equacao que tenta prever a existencia de vida extra-terrestre, que inclusive jah apareceu em LOST, eu acho), Grande Filtro (hipotese para o Grande Silencio) e o projeto SETI - esse projeto que tenta detectar vida fora da Terra (de uma maneira cientifica, diga-se de passagem e nao como uma brincadeira UFOlogica). Alias, na Wikipedia vi que eles tentam detectar inclusive de forma ativa - o active SETI, que busca mesmo contatar aliens e dar provas da nossa existencia pra eles e nao somente detectar.
Conde de San German e sociedades secretas: A algum tempo atras passei um tempo lendo na Wikipedia sobre sociedades secretas, tipo cavaleiros templarios, massonaria, rosacruzes, ... (novamente links valem a pena seguir) motivado em parte por um livro do Umberto Eco e em outra parte por uma viagem a Portugal e por um tour que eu fiz lah mostrando simbolos dessas sociedades ocultistas em Igrejas e locais historicos de Sintra. Sempre tive essa impressao que portugueses e espanhois tinham uma religiosidade mais mistica do que o resto da Europa - algo que herdamos no Brasil, de certa forma. As poesias do Pessoa, por exemplo, tinham um tom meio secreto, como a epigrafe de Eros e Psique e o poemas sobre os rosacruzes. Acabei nao lendo muito mais que isso, mas uma referencia do livro do Umberto Eco eh particularmente interessante: o Conde de San German - essa figura misteriosa associada a varias sociedades ocultas que aparece em diversos pontos da historia da Europa em narrativas bem deconexas - onde ele eh retratado como ora alquimista, ora mago ou musico, violinista, amante das mulheres da corte da Franca, espiao na Inglaterra, filho do rei de Portugal, amigo e conselheiro do Rei da Franca, governador de provincias na India, prisioneiro dos jacobinos, entre outros. Atribui-se a ele uma vida extremamente longa (Elixir da Vida?) - dizem que teria aprendido as suar artes quimicas/magicas com os antigos egipcios e que estaria pelo mundo desde aquela epoca ou bem antes. Varios impostores e charlatoes na Europa teriam usando a figura do conde ao longo do tempo e possivelmente varias lendas acabaram se juntando nesse nome comum. Mas sem duvida eh um artigo interesante da Wikipedia.
Dom Sebastiao, Ines de Castro, o Reino Encantado: Como eu falei, eu gosto de historia de Portugal. Eh dificil nao gostar, por exemplo, de historias como Dom Pedro, o Cruel e Ines de Castro. Ok, concordo, eh uma historia bem triste, mas bonita e misteriosa. Alias, nao eh a unica lenda europeia sobre rainhas mortas: uma das minhas preferidas eh aquela do anel de Charlemagne. Em todo caso, nenhuma influenciou a gente no Brasil tanto (politicamente na epoca e culturalmente, ateh hoje) como a de Dom Sebastiao, o desejado - o rei portugues sumido no meio da nevoa durante a batalha de Alcácer-Quibir, na Africa, jogando Portugal num periodo negro da sua historia - a Uniao Iberica. Por centeas de anos se esperou que Dom Sebastiao iria reaparecer na nevoa e resgatar a gloria do Imperio Portugues. Esse mito chegou no Brasil e eh tao forte que tem um nome: o Sebastianismo, que azia parte, por exemplo, do universo mitologico de Antonio Conselheiro. Recentemente li esse otimo blog post sobre Dom Sebastiao e seu Reino de Encantados no fundo do mar no Maranhao e que, quando o feitico finalmente se quebrar, o Reino de Dom Sebastiao voltara para a superficie e Sao Luis irah submergir.
Historias misteriosas demias por hoje, mas fica a dica dos artigos da Wikipedia linkados. Alguem que esteja lendo esse blog: voce tem artigos preferidos na Wikipedia: se tiver, poste aih nos comentarios, eh sempre legal passar um tempo lendo enciclopedias. A tecnologia eh excelente e faz com que nao precisemos sair por aih com a Enciclopedia britannica debaixo do braco no onibus pra isso.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Hayao Miyazaki
Eu nao sou um grande fa de historias japonesas - nunca li muito manga, as manias de Cavaleiros do Zodiaco e Pokemon eram legais, mas nao me deixavam tao aficcionado quanto as outras criancas. Eu podia levar uma vida bem distante do oriente se nao fosse por Hayao Miyazaki. Foi mais ou menos sem querer que eu descobri um dos filmes dele: eu perdi a Viagem de Chihiro (Spirited Away) no cinema e nem ia ver depois. Um dia, no entanto, trocando de roupa pra ir a faculdade eu liguei a televisao como quem nao quer nada e estava passando. Eu comecei a ver e acabei nao saindo de casa: fiquei lah vendo o filme ateh o final, impressionado e me culpando por nao ter visto antes.
Tem aquela sensacao de voce querer comer algo bom e nao saber dizer o que eh. Quando no futuro voce de fato prova algo que te agrada bastante, voce pensa: ah, era aquilo que eu queria. Bom, eu sinto isso com historias tambem. Volta e meio eu penso: eu bem que queria ler uma historia assim, mas nao encontro. Algum tempo depois eu acho algo incrivelmente bom e fico pensando qu era aquilo. A Viagem de Chihiro foi um exemplo excepcional disso. Eu encontrei todos os elementos de fantasia que eu geralmente procuro em historias nele. Ele consegue um equilibrio entre nonsense e racionalidade como poucos.

Logo eu procurei os outros filmes do mesmo diretor e descobri que ele tinha outros no mesmo estilo. Howl's Moving Castle eh um dos melhores dele. My Neighbor Totoro e Kiki's Delivery Service sao bons, tambem, mas mais infantis. Comecei a escrever sobre isso porque essa semana eu vi um outro filme dele: Princess Mononoke. - que tem um sabor semelhante aos dois primeiros de que eu falei. Um amigo meu jah tinha me falado o quao legal esse era, mas eu por alguma razao acabei nao vendo. Vi que ele tem um filme novo no cinema: Ponyo, que ainda nao vi, mas depois eu comento.
Ver os varios filmes eh ainda mais interessante, porque eles todos dialogam de certa forma. Como nas historias fantasticas e contos de fada, os temas sao bem recorrentes, guerras, maquinas voadoras, conflitos ambientais, fronteira tenue entre o bem e o mal, equilibrio delicado da natureza, ...
Todos os filmes sao desenhos animados, mas eh dificil dizer que sao historias pra criancas. Os temas sao complicados - eh sempre necessario pensar por algum tempo pra entender o que estah acontecendo. E sinceramente, acho que eh bem facil as criancas menores se assustarem (bastante) com os personagens do filme.
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Comecei a ler um pouco mais a noite: terminei o segundo volume daquele romance sueco (bem legal) e comecei o Barao nas Arvores. Esse ultimo eh uma aposta certa: ele faz parte de uma trilogia do Italo Calvino chamada Nossos Antepassados. Os outros dois: Visconde Partido ao Meio e Cavaleiro Inexistente eu li a muito tempo atras e estao entre os meus livros preferidos. Nao sei como deixei passar esse.
Tem aquela sensacao de voce querer comer algo bom e nao saber dizer o que eh. Quando no futuro voce de fato prova algo que te agrada bastante, voce pensa: ah, era aquilo que eu queria. Bom, eu sinto isso com historias tambem. Volta e meio eu penso: eu bem que queria ler uma historia assim, mas nao encontro. Algum tempo depois eu acho algo incrivelmente bom e fico pensando qu era aquilo. A Viagem de Chihiro foi um exemplo excepcional disso. Eu encontrei todos os elementos de fantasia que eu geralmente procuro em historias nele. Ele consegue um equilibrio entre nonsense e racionalidade como poucos.

Logo eu procurei os outros filmes do mesmo diretor e descobri que ele tinha outros no mesmo estilo. Howl's Moving Castle eh um dos melhores dele. My Neighbor Totoro e Kiki's Delivery Service sao bons, tambem, mas mais infantis. Comecei a escrever sobre isso porque essa semana eu vi um outro filme dele: Princess Mononoke. - que tem um sabor semelhante aos dois primeiros de que eu falei. Um amigo meu jah tinha me falado o quao legal esse era, mas eu por alguma razao acabei nao vendo. Vi que ele tem um filme novo no cinema: Ponyo, que ainda nao vi, mas depois eu comento.
Ver os varios filmes eh ainda mais interessante, porque eles todos dialogam de certa forma. Como nas historias fantasticas e contos de fada, os temas sao bem recorrentes, guerras, maquinas voadoras, conflitos ambientais, fronteira tenue entre o bem e o mal, equilibrio delicado da natureza, ...
Todos os filmes sao desenhos animados, mas eh dificil dizer que sao historias pra criancas. Os temas sao complicados - eh sempre necessario pensar por algum tempo pra entender o que estah acontecendo. E sinceramente, acho que eh bem facil as criancas menores se assustarem (bastante) com os personagens do filme.
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Comecei a ler um pouco mais a noite: terminei o segundo volume daquele romance sueco (bem legal) e comecei o Barao nas Arvores. Esse ultimo eh uma aposta certa: ele faz parte de uma trilogia do Italo Calvino chamada Nossos Antepassados. Os outros dois: Visconde Partido ao Meio e Cavaleiro Inexistente eu li a muito tempo atras e estao entre os meus livros preferidos. Nao sei como deixei passar esse.
sábado, 1 de agosto de 2009
Coraline
Eu tenho visto poucos filmes, mas tenho tido em geral sorte com os que eu ando assistindo. Hoje assisti Coraline, filme baseado em um livro do Neil Gaiman. Isso me faz pensar que eu provavelmente deveria tentar ler os livros dele, porque eu jah gostei muito de outro filme tambem baseado em um dos seus livros: Stardust. Mas voltando a Coraline, tudo eh impressiontemente bem orquestrado - a simetria (ou assimetria) das diversas partese o modo como os diversos elementos sao elegantemente combinados me lembra as fabulas antigas. Um livro que gosto muito eh o livro de fabulas compiladas pelo Italo Calvino, chamado Fabulas Italianas:
As fabulas tem elementos comuns que conseguem criar uma atmosfera magica e dar um ritmo interessante a historia. Por exemplo a repeticao de elementos: "entao voce deve passar por tres bruxas, se elas estiverem de olhos fechados, espere, porque elas estao vigiando. Se estiverem de olhos abertos, passe, pois elas estao dormindo. E entao voce vai encontrar tres leoes, se eles...". O mesmo tipo de repeticao de elementos acontece em Coraline, seja por elementos como botoes e esferas ou por mesmas cenas re-contadas em varios contextos: realidade, sonho e pesadelo.
As fabulas tem elementos comuns que conseguem criar uma atmosfera magica e dar um ritmo interessante a historia. Por exemplo a repeticao de elementos: "entao voce deve passar por tres bruxas, se elas estiverem de olhos fechados, espere, porque elas estao vigiando. Se estiverem de olhos abertos, passe, pois elas estao dormindo. E entao voce vai encontrar tres leoes, se eles...". O mesmo tipo de repeticao de elementos acontece em Coraline, seja por elementos como botoes e esferas ou por mesmas cenas re-contadas em varios contextos: realidade, sonho e pesadelo.
Taughannock Falls de bicicleta
A uns dois meses eu comprei uma bicicleta aqui em Ithaca. O verao aqui eh otimo: o tempo eh excelente e a regiao eh cheia de parques nacionais, vinicolar, cachoeiras e lagos. Eu pedalado quase todo dia pra faculdade. A cidade aqui eh cheia de sobes-e-desces, o que torna isso um bom exercicio. Mas tenho feito poucas rides longas. Logo que eu comprei a bicicleta eu pedalei ateh o aeroporto, ateh o laboratorio de ornitologia e hoje eu fiz a primeira ride longa: ateh o Taughannock Park, que eh um state park a uns 18 km de Ithaca.
Eh interessante como a paisagem de NY state muda abruptamente em alguns lugares. O campus de Cornell e arredores eh uma area bem sofisticada - cheia de otimos restaurantes, principalmente restaurantes etnicos. Eh uma area bem internacional: eh muito facil ouvir todo tipo de linguas alem de ingles sendo falada (ok, principalmente essa outra lingua eh chines ou coreano, mas mesmo assim). Indo um pouco mais pro downtown, a imagem muda para algo que eu imagino ser mais proximo de uma cidade americana media: dinners tipicos, fast-foods, casas enfeitadas para o 4 de julho e pessoas com jeito e penteados de atores de filmes da decada de 80. Hoje, margeando o Lago Cayuga de bicileta eu vi uma outra cara da regiao - uma area com ares meio nauticos, uma serie de barcos parados no cais, restaurantes de frutos do mar, casas enfeitadas com pequenos farois e ancoras e placas como "Ben's Harbour".O Taughannock Park e suas respectivas Falls foram bem legais e valeram bastante a pena. Fiquei agora com vontade de fazer a volta em torno do lago, mas acho que essa ainda vai me exigir mais preparacao e algumas rides intermediarias.
domingo, 26 de julho de 2009
Clusterizando meus amigos
Ontem eu fiz um experimento com alguns resultados interessantes: peguei uma lista de todos os meus amigos do Orkut e os amigos deles. Alem dos nomes, sei quem eh amigo de quem. Meus amigos do IME estao conectados nos meus amigos do IME, e meus amigos do segundo grau estao conectados nos meus amigos do segundo grau. Entao olhando, deveria ser facil perceber os clusters de amigos. Mas como fazer isso automaticamente? Nao eh uma tarefa tao trivial dado que tenho amigos da faculdade que conhecem meus amigos da escola e vice versa. Mas existem algumas arestas cruzando essas comunidades. Uma solucao que vi recentemente foi usar metodos espectrais: de forma geral voce calcula os autovalores da matriz de adjacencias e plota os amigos no plano de acordo com os coeficientes dos autovetores. Eu escrevi um blog post mais tecnico sobre isso no meu outro blog, explicando um pouco mais a intuicao por tras de metodos espectrais. O resultado foi o seguinte:
Depois que o grafico jah estava montado, eu olhei quem era cada vertice e colori da seguinte maneira: azul os meus amigos da faculdade, verde os meus amigos da escola, amarelo as pessoas da minha familia e vermelho os demais q nao se encaixavam em nenhuma das categorias anteriores (e as pessoas que usam caracteres esotericos no seu nome do Orkut que eu nao consegui parsear). O algoritmo conseguiu claramente separar os meus amigos da faculdade dos meu amigos da escola e conseguiu tambem colocar as pessoas da minha familia mais ou menos proximas (e em nenhum momento o algoritmo usou as cores, elas soh foram fornecidas depois). E tambem mostrar que elas estao mais conectadas aos meus amigos da escola do que os da faculdade.
Uma imagem maior e com os nomes nos vertices estah aqui.
Depois que o grafico jah estava montado, eu olhei quem era cada vertice e colori da seguinte maneira: azul os meus amigos da faculdade, verde os meus amigos da escola, amarelo as pessoas da minha familia e vermelho os demais q nao se encaixavam em nenhuma das categorias anteriores (e as pessoas que usam caracteres esotericos no seu nome do Orkut que eu nao consegui parsear). O algoritmo conseguiu claramente separar os meus amigos da faculdade dos meu amigos da escola e conseguiu tambem colocar as pessoas da minha familia mais ou menos proximas (e em nenhum momento o algoritmo usou as cores, elas soh foram fornecidas depois). E tambem mostrar que elas estao mais conectadas aos meus amigos da escola do que os da faculdade.Uma imagem maior e com os nomes nos vertices estah aqui.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Novo Blog
Eu comecei um outro blog - mais tecnico e em ingles - junto com meu amigo Hussam, aqui de Cornell. O blog eh BigRedBits, e a gente pretende postar lah coisas interessantes de computacao, puzzles matematicos e coisas desse tipo. Eu pretendo continuar mantendo esse aqui (em portugues e sobre coisas mais frivolas). Mas fica aih o link pra aqueles q acham legais os meus posts mais geeks.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Miscelânia mais ou menos cultural
Só pra variar vou escrever sobre algo não muito técnico. Depois do fim do semestre eu fiquei um tempo de bobeira lá em Ithaca e depois vim aqui pro Rio. O tempo de bobeira em Ithaca, mais todo o tempo perdido nos aeroportos fizeram com que eu tivesse tempo de colocar em dia (ok, colocar em dia é muita bondade) a leitura, filmes e seriados. Acho que um bom post de férias seria falar sobre algumas coisas legais que andei lendo e vendo.

Pra começar terminei hoje o ótimo romance Relato de um Certo Oriente de Milton Hatoum. Gostei bastante dele o que não foi muita surpresa, pois já tinha gostado muito de Dois Irmão do mesmo autor. Sempre gostei de romances contando grande histórias familiares e de histórias que se passam em lugares exóticos. O que é exótico aqui não é Manaus ou o Líbano mas essa mistura interessante que define os personagens. O modo de contar do "Relato de um Certo Oriente" é bem interessante: cada capítulo é a narrativa pessoal de um personagem diferente (e é complicado, mas também divertido, saber quem está narrando em cada momento). E isso traz um tom meio misterioso (diáfano?) - funciona como um jogo de memória, onde partes da história são ocultas de um ou outro narrador e você só consegue reconstruir (ou não) as coisas a partir do todo. É como ouvir histórias dos seus parentes mais velhos.
Achei que foi uma ótima escolha para ler. O problema de ler pouco literatura (como eu leio hoje em dia, acho q uns 2 ou 3 livros não-técnicos por semestre no máximo) é você acabar escolhendo coisas que você acha que vai gostar e não explorar coisas bem diferentes. Mas volta e meia ainda me surpreendo: na viagem que eu fiz pro Brasil em dezembro do ano passado eu comprei um romando policial no aeroporto do qual eu lembrava vagamente de uma critica do NYT: The Girl with the Dragon Tatoo. Romances policiais são excelentes pra se ler no avião, mas confesso que eu sou meio chato pra romances policiais. Quando eu era criança/adolescente eu devorei toda a coleção Sherlock Holmes e Agatha Christie. O que me deixou por algum tempo meio enfastiado de policiais e fez com que eu achasse a maioria meio chato logo depois disso. Até reler esses antigos não me traz a mesma sensação. Mas o "The Girl..." conseguiu me deixar surpreso. Ele tornou minhas várias horas na classe econômica da Delta incrivelmente agradáveis (e tensas). Ele é bem ágil e, como os americanos gostam de dizer, unputdownable.
Quanto às série eu consegui ver até o final a 5a temporada de LOST e comecei a ver alguns dos antigos episódios de Star Trek. Gostei muito do filme e agora entendo porque as pessoas mais velhas (ok, retiro os mais velhas e substituo por, as pessoas que viveram nas décadas de 60-80) gostam tanto dele. Eu gosto muito de The Big Bang Theory e vendo Star Trek eu peguei várias referências no sentido contrário, i.e., vi referências de StarTrek pra BBT, quando na verdade eram referências de BBT pra Star Trek. Estou me divertindo muito vendo a Série Original do Cap Kirk e do Mr Spock.

Vi também o filme baseado no romance do Dan Brown - Anjos e Demonios. Eu me surpreendi porque fui esperando muito pouco. A crítica estava ruim e o pouco que eu li dele não me agradou assim tanto, mas até que o filme foi bem divertido - as locações em Roma são ótimas. De fato é tudo um rocambole, mas até que diverte. Eu não sei quanto humor o Dan Brown tinha em mente quando escreveu esses livros, mas um romance bem irônico e interessante sobre essas lendas místicas medievais, sociedades secretas, e congeneres é o Pendulo de Foucault do Umberto Eco. Em certo sentido, os romances do Dan Brown são versões mais light, vulgares e com menos ironia desse (mas ao mesmo tempo mais agéis e fáceis de ler). Eu nunca consegui chegar ao fim do "Pendulo..." mas ele instigou minha curiosidade de certa forma, o que me levou a perder certo tempo na Wikipedia lendo sobre templários, rosa-cruzes, e outros artigos do gênero. Pelo menos me foi útil quando eu visitei no início desse ano a Quinta da Regaleira em Sintra. Esses romances me lembram que é divertido pegar alguns fatos históricos e criar em cima fatos fantasiosos com um certo ar de mistério - me parece um exercício legal.
Terminando o post longo: sempre que eu volto ao Rio de Janeiro eu me surpreendo: acho a orla de Copacabana cada vez mais bonita, as manhãs na Lagoa cada vez mais agradáveis e o clima mais hospitaleiro.

Pra começar terminei hoje o ótimo romance Relato de um Certo Oriente de Milton Hatoum. Gostei bastante dele o que não foi muita surpresa, pois já tinha gostado muito de Dois Irmão do mesmo autor. Sempre gostei de romances contando grande histórias familiares e de histórias que se passam em lugares exóticos. O que é exótico aqui não é Manaus ou o Líbano mas essa mistura interessante que define os personagens. O modo de contar do "Relato de um Certo Oriente" é bem interessante: cada capítulo é a narrativa pessoal de um personagem diferente (e é complicado, mas também divertido, saber quem está narrando em cada momento). E isso traz um tom meio misterioso (diáfano?) - funciona como um jogo de memória, onde partes da história são ocultas de um ou outro narrador e você só consegue reconstruir (ou não) as coisas a partir do todo. É como ouvir histórias dos seus parentes mais velhos.
Achei que foi uma ótima escolha para ler. O problema de ler pouco literatura (como eu leio hoje em dia, acho q uns 2 ou 3 livros não-técnicos por semestre no máximo) é você acabar escolhendo coisas que você acha que vai gostar e não explorar coisas bem diferentes. Mas volta e meia ainda me surpreendo: na viagem que eu fiz pro Brasil em dezembro do ano passado eu comprei um romando policial no aeroporto do qual eu lembrava vagamente de uma critica do NYT: The Girl with the Dragon Tatoo. Romances policiais são excelentes pra se ler no avião, mas confesso que eu sou meio chato pra romances policiais. Quando eu era criança/adolescente eu devorei toda a coleção Sherlock Holmes e Agatha Christie. O que me deixou por algum tempo meio enfastiado de policiais e fez com que eu achasse a maioria meio chato logo depois disso. Até reler esses antigos não me traz a mesma sensação. Mas o "The Girl..." conseguiu me deixar surpreso. Ele tornou minhas várias horas na classe econômica da Delta incrivelmente agradáveis (e tensas). Ele é bem ágil e, como os americanos gostam de dizer, unputdownable.
Quanto às série eu consegui ver até o final a 5a temporada de LOST e comecei a ver alguns dos antigos episódios de Star Trek. Gostei muito do filme e agora entendo porque as pessoas mais velhas (ok, retiro os mais velhas e substituo por, as pessoas que viveram nas décadas de 60-80) gostam tanto dele. Eu gosto muito de The Big Bang Theory e vendo Star Trek eu peguei várias referências no sentido contrário, i.e., vi referências de StarTrek pra BBT, quando na verdade eram referências de BBT pra Star Trek. Estou me divertindo muito vendo a Série Original do Cap Kirk e do Mr Spock.
Vi também o filme baseado no romance do Dan Brown - Anjos e Demonios. Eu me surpreendi porque fui esperando muito pouco. A crítica estava ruim e o pouco que eu li dele não me agradou assim tanto, mas até que o filme foi bem divertido - as locações em Roma são ótimas. De fato é tudo um rocambole, mas até que diverte. Eu não sei quanto humor o Dan Brown tinha em mente quando escreveu esses livros, mas um romance bem irônico e interessante sobre essas lendas místicas medievais, sociedades secretas, e congeneres é o Pendulo de Foucault do Umberto Eco. Em certo sentido, os romances do Dan Brown são versões mais light, vulgares e com menos ironia desse (mas ao mesmo tempo mais agéis e fáceis de ler). Eu nunca consegui chegar ao fim do "Pendulo..." mas ele instigou minha curiosidade de certa forma, o que me levou a perder certo tempo na Wikipedia lendo sobre templários, rosa-cruzes, e outros artigos do gênero. Pelo menos me foi útil quando eu visitei no início desse ano a Quinta da Regaleira em Sintra. Esses romances me lembram que é divertido pegar alguns fatos históricos e criar em cima fatos fantasiosos com um certo ar de mistério - me parece um exercício legal.
Terminando o post longo: sempre que eu volto ao Rio de Janeiro eu me surpreendo: acho a orla de Copacabana cada vez mais bonita, as manhãs na Lagoa cada vez mais agradáveis e o clima mais hospitaleiro.
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