terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Alguns filmes, livros e videos

Eu vi recentemente dois otimos filmes alemaes: o primeiro de maneira mais ou menos acidental: Kirschblüten - Hanami, que assisti porque nao consegui ingressos pra ver Abracos Partidos. Depois descobri que era o filme que tinha o melhor rating pelo menos na lista da Veja e que estava sendo muito bem comentado em todo lugar. Eh um filme muito bonito sobre a saudade e a lembranca. E de fato, se voce tem parentes mais velhos, o filme trata de uma serie de conflitos familiares com os quais voce vai se identificar. O filme fala da distancia (em varios sentidos: geografica, entre geracoes, ...) dentro da familia. Eh uma historia triste, mas muito bonita, se passando entre a Alemanha e o Japao. De fato, o filme tem duas fases - uma em cada pais e cada uma eh encantadora a sua maneira.




O outro filme alemao que vi recentemente eh um pouco mais antigo e se chama Die Welle (The Wave) e ele explora de uma maneira bem diferente o tema mais recorrente dos alemaes: o nazismo. Tendo estuda em uma escola alema, eu jah me cansei de todos os possiveis approaches desse tema - mas Die Welle eh realmente otimo. Na verdade ele nao eh sobre nazismo em si, mas sobre regimes autoritarios e controle de massas de uma forma geral. O filme comeca assim: um professor, que queria estar conduzindo um seminario sobre anarquia, eh obrigado a dar o seminario do tema exatamente oposto: autocracia - o governo de uma pessoa ou de uma elite (uma ditadura). Meio a contragosto, ela vai lah dar a aula e comeca pedindo que os alunos definam o que eh autocracia e deem exemplos. O exemplo natural eh "o Terceiro Reich" e um dos alunos comenta: "Por que a gente tem que voltar nisso o tempo todo? Isso eh um tema superado." E outro diz: "na Alemanha de hoje, isso nao seria mais possivel. Todos jah sao muito conscientes para que isso se repita." Como prova de conceito, o professor comeca a conduzir um experimento em sala criando naquela turma as bases de um sistema autoritario. Durante aquele curso, ele usa uma serie de taticas pra criar um culto a personalidade do proprio professor, um movimento - Die Welle, que tem uniforme, uma saudacao tipica, regras, ... - no qual os alunos estao muito felizes em estar participando. E isso escala para proporcoes fora do que ele inicialmente esperava. O filme eh excelente e eh uma demonstracao clara de como sao formadas ditaduras, gangues criminosas, porque as pessoas se envolvem com drogas, ... - tudo eh tracado as mesmas necessidades nao satisfeitas de uma certa forma.

Vi outros filmes bons: Abracos Partidos do Almodovar que jah mencionei, por exemplo. Eu tinha visto jah dois filmes dele: Volver e Hable con ella. Os dois excelentes e isso abriu meu apetite. Tambem vi Avatar e Sherlock Holmes no cinema, dos quais gostei muito. Achei q a segunda parte de Avatar podia ser bem encolhida (eu gostei muito da primeira parte, mas tenho muito pouca paciencia pra batalhas longas como a da segunda parte). Sherlock eh legal e mistura acao e historia na dose certa. Ouvi dizer que fizeram nesse filme com Sherlock Holmes o que fizeram no ultimo filme de Star Trek - adicionaram mais acao do que eh costumeiro, mas nao ao ponto de descaracterizar. Concordo.

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Livros dessas ferias: comecei o meu Winter Break (verao aqui no Brasil, ainda bem) lendo Banker to the Poor, sobre a vida do Muhammad Yunus e sua luta pra erradicar a pobreza em Bangladesh. Eh um dos livros que me enche de esperanca sobre o futuro do mundo. De fato, acho que ele merece um blog-post soh pra ele, e eu estou planejando fazer isso no futuro. A nova ideia aqui eh erradicar a pobreza nao atraves de caridade, mas de social business - o microcredito nao dah dinheiro aos pobres, mas empresta a taxas muito baixas e cria uma serie de incentivos para liberar o poder empreendedor deles - de forma que eles possam se desenvolver e pagar os emprestimos de volta.  O fato de ter que pagar de ter que pagar de volta os emprestimos leva eles a nao se acomodarem e usarem o dinheiro de forma produtiva. Melhor que eu explicar eh ele mesmo explicar: recomendo muito a tech talk dele no YouTube. Na verdade, depois de ver ela eh que eu tive vontade de ler o livro.

Depois disso eu li o terceiro volume da serie Milenium, que foi jah publicado no Brasil mas nao nos EUA (e eu nao entendo o por que disso). Depois eu li o Antropologo de Marte - um livro do neurologista ingles Oliver Sacks. Cada um capitulo contem casos medicos curiosos - como o pintor que sofre um acidente e deixa de enxergar cores ou a mulher que nao pode compreender sentimentos humanos mas eh uma grande especialista em comportamento animal - e discussoes sobre o cerebro humano e nossa maneira de agir. De certa forma a pergunta principal eh: como esses casos medicos - que reprsentam situacoes expremas - podem jogar uma luz sobre quem somos e nossa maneira de se comportar. Depois de ler esse livro eu pensei que se eu nao fosse um engenheiro/matematico/economista/... nem nenhuma math-related subject, eu gostaria de ser neurologista. Se vc quer abrir seu apetite, tem um talk otima do Oliver Sacks no TED:



Alias, eu tenho assistido muitos videos no TED. Recomendo muito o site. Alguns que eu gosto em particular sao:
A minha experiencia eh que quase todas as talks que eu vejo no TED eu gosto, entao eh bem seguro ir ateh o site, buscar pelos seus interesses e ver alguma delas. Sao todas bem curtinhas - 15 a 20 min e sao otimas pra ver nos intervalos de alguma coisa - quando vc estah cansado desse ou daquele projeto e quer ver alguma coisa divertida e interessante na pausa. Por exemplo, duas talks sobre criatividade que sao interessantes:
A primeira eh especialmente interessante pois eh sobre algo que cientistas e artistas passam de uma forma mais ou menos semelhante.  A segunda traz lembrancas (nao muito boas) dos tempos de escola.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Arte


Estou atualmente num quest sobre o poster certo pra colocar na parede do meu escritorio e nao, isso nao eh uma tarefa facil. Eu jah estou quase decidido, mas achei que seria legal falar sobre o que ander pensando. No meu quarto no Rio de Janeiro eu tenho varios posters do Escher. Para ser mais preciso: The Waterfall, The Belvedere, Day and Night e meu preferido Ascending and Descending (que depois que eu sai de casa acabou indo parar na parede da sala). Meu primeiro instinto foi colocar Ascending and Descending tambem na parede do meu escritorio. E de fato ainda penso em fazer isso.



 Mas monocromatico demais - e de fato eu tenho espaco pra dois posters. Na verdade, eu jah tenho um quadro que comprei na Feira de Arte da Praca General Osorio. Tem um cara lah que faz uma otimas aquarelas do Rio - e resolvi levar uma delas pra colocar lah. Acabou que nao conseguindo prender ele e tirei um pedacao da pintura da parede. Entao acabei colocando ele apoiado na mesa e sobrou um grande pedaco de parede (que de fato eu tenho que cobrir - jah a algum tempo - com alguma coisa). A conclusao eh que ha espaco de parede para mais alguma coisa e eu pensei em algum dos posters de um japones chamado Utagawa Hiroshige. Eu conheci os posters desse cara em um paper que eu li de computacao grafica e fiquei impressionado com as cores e simplicidade das gravuras. Esse cara chegou a influenciar Van Gogh ao ponto dele fazer quadros que eram claras homenagens ao trabalho do Hiroshige. Por exemplo, o seguinte par de quadros, o da direita eh a homenagem do Van Gogh:




Eu estou basicamente em duvida em relacao a essas duas em seguida pra colocar do lado do Ascending e Descending no office:




que sao respectivamente "Drum Bridge At Meguro" e "Wave Off Satta Coast". A paisagem de inverno talvez seja bem mais apropriada para o clima de Ithaca, mas pela mesma razao talvez seja bom ficar olhando para uma paisagem de verao com o Monte Fuji atras. (Alias, falando em Monte Fuji, essa semana eu vi o filme Kirschblüten - Hanami e eh excelente. Recomendo muito. Fui bem sem querer e me impressionei muito.) Mas acho que eu estou certo de colocar um par: o Ascending and Descending e um dos quadros acima.

Falando em arte, eu passei uma semana em NYC antes de voltar ao Rio e pela primeira vez eu fui ao MOMA. Eu jah tinha ido no MET e no meu preferido, o Museu de Historia Natural, mas eu tinha negligenciado o MOMA por achar que eu nao gosto de Arte Moderna. E de fato minhas experiencias com museus na Europa me diziam isso. Achei o Centre George Pompidou um dos piores museus que eu jah visitei - uma grande perda de tempo em Paris. Mas o MOMA foi diferente. O que eu encontrei lah foi diferente do que eu esperava.




Em vez de coisas tipo Duchamps, havia coisas como pop-art, Bauhaus, quadrinhos/cinema, ... Tinham excelentes gravuras do Andy Warhol e ateh Van Gogh, Picasso e Kandinsky. Eu tenho uma idea que arte tem que ser antes de tudo decorativa e a varias pessoas certamente descordam de mim. Alguns vao dizer que o importante eh a mensagem: eu concordo, mas os espectadores tem que ser antes convidados a admirar (seja pelo belo ou pelo grotesco) mas a gostar, se sentir atraido, ... para depois entender a mensagem. O mesmo acredito para livros, concordo que livros profundos sao importantes, mas acho que eles tem que divertir. Ninguem vai ler obras profundas soh por isso. Se elas demandarem varios litros de suor por pagina, como eh esperado que alguem leia tudo e pegue a mensagem. Isso vale ateh pra textos cientificos - o leitor tem que ser atraido e se sentir bem em ler aquilo. Nesse sentido, esses artistas todos que mencionei fazem um otimo trabalho - sem deixar de ser inovadores e transmitir mensagens importantes.

Mas voltando ao MOMA, eu gostei particularmente das duas exposicoes itinerantes. Uma delas era sobre a obra do Tim Burton, que, diferente de como eu pensava, nao tem soh filmes e livros, mas tambem quadros, gravuras e outros tipos de arte. Grande parte eh voltada para o cinema e para ilustrar os personagens dele.  A outra exposicao era sobre o Bauhaus - um estilo alemao voltado pra arquitetura e pro design. Haviam quadros e gravuras tambem, mas o grande foco era uma arte utilitaria: moveis, cadeiras, vasos, edificios, ... Eu aprecio muito esses estilos onde a arte se integra ao cotidiano e eh um modo de repensar o que fazemos todo o dia. Achei inclusive o site da exposicao.


domingo, 27 de dezembro de 2009

Papai Noel e Piratas

Jah a algum tempo eu nao faco mais parte da geracao mais nova da familia: a jah uns 5 ou 10 anos os meus primos vem tendo filhos e meu avo estah cheio de bisnetos, e atualmente as criancas estao lah por volta dos 5 ou 6 anos. Isso significa que Papai Noel estah nos visitando no Natal novamente. Esse ano o bom velhinho apareceu logo depois da meia-noite. As criancas estavam esperando ansiosamente por ele e de fato ele fez um otimo trabalho. Contou umas historias, falou do significado do Natal e no fim, naturalmente distribuiu os presentes. Aih as criancas ficaram entretidas com os brinquedos e abandonaram o velhinho, que foi embora sozinho. Alguns mais velhos comentaram que as criancas dao cada vez menos importancia ao Papai Noel e mais aos brinquedos. Ok, dah sempre pra argumentar que comentamos isso todo ano, desde que eu era pequeno. Eu, junto com meu irmao ficamos pensando em como aumentar o fascinio das criancas por Papai Noel e pensamos em algo interessante: ao inves da entrada classica de Papai Noel chega e distribui os presentes jah na arvore, podiamos fazer algo do tipo:

Alguem bate na porta. - Ho ho ho ... Criancas vao lah abrir, esperando Papai Noel mas encontram piratas que falavam: - Yo ho ho e uma garrafa de rum! Entao os piratas entram, roubam os presentes que estao na arvore e saem correndo com eles. Entao explicamos pra criancas como os Piratas roubaram o Natal. Nisso, se ouve os piratas sendo capturados por Papai Noel e entao o bom velhinho chega como um heroi trazendo de volta os presentes, explicando o significado do Natal e discutindo a geopolitica do chifre da Africa e por que o fenomeno da pirataria estah ressurgindo no mundo.

Como sempre depois de uma discussao, eu comeco a divagar e aqui eu posso divagar em varias direcoes: piratas, Papai Noel e o verdadeiro significado do Natal. O terceiro eh profundo e importante, mas eu vou pular e ir para os mais frivolos.


Sobre Piratas e as Particularidades da Atividade Bucaneira
  • IMB Live Piracy Map 2009: se vc acha que vai se alistar num navio ingles e ficar saqueando galeoes espanhois no Caribe, pode tirar sua perna de pau e olho de vidro da chuva, que as melhores ofertas de emprego atualmente estao na Somalia
  • An-arrgh-chy: um estudo da pirataria sobre o ponto de vista da economia. Li sobre ele nesse blog post do Steven Levitt (alias, recomendo muito o blog dele). O livro parece ser bem legal tambem. Ele discute que tipo de mecanismos organizacoes criminosas implementam para garantir governanca corporativa. Como manter os lucros altos, fazer com que os objetivos do capitao do navio pirata se alinhem com o dos ingleses ricos que financiam a pirataria, evitar predacao internal, minimizar conflitos da tripulacao e garantir o lucro. Ainda nao li ele todo (ateh porque eh um trabalho bem grande), mas parece bem interesante e os piratas parecem ser exemplos realmente bons de uma boa organizacao criminosa.
  • Piracy @ Wikipedia: nao podia faltar um artigo da Wikipedia. Tem varios links interessantes sobre o Jolly Rogers, ou sobre codigos de conduta piratas ou sobre a lenda de piratas enterrarem tesouros, o que nao eh muito acurado.
Sobre Papai Noel, a Coca-Cola e foreign branding

O assunto natural eh Papai Noel, e contrariamente ao que se ouve por aih, ele nao foi inventado pela Coca-Cola, mas quase. A imagem que temos hoje dele (a roupa vermelha - as mesmas cores da Coca-Cola, as botas, e toda aquela roupa classica que eh praticamente obrigatoria hoje) surgiu nas campanhas de marketing da Coca, que alias sao otimas. O mito de Papai Noel (Santa Claus, Sinterklaas, Pai Natal, ...) tem varias origens de acordo com a Wikipedia: Sao Nicolau, um bispo grego que distribuia presentes (e portanto, sendo bispo, tambem se vestia de vermelho), o deus Odin da mitologia nordica (que se parece muito com o Gandalf), ou a figura britanica do Pai Natal.

Mas voltando a Coca-Cola: em varias historias interessantes envolvendo marcas - uma que me surpreendeu eh o fato da Haagen-Dasz nao ser nenhuma marca nordica, nem ao menos europeia, mas uma marca americana que queria dar a impressao de um nome escandinavo. Na verdade, Haagen-Dasz nao eh nem sequer uma palavra em nenhuma das linguas no norte da Europa. Em todo caso, o sorvete eh muito bom e esse tipo de fenomeno nao eh tao incomum quanto voce possa pensar: se chama foreign branding. As famosas facas Guinsu, tao famosas pelos comerciais da decada de 90 sao uma compania de Rhode Island, bem como a sopa vichyssoise foi inventada no Ritz Carlton em NY. Um exemplo local que eu ouvi a muito tempo, mas eu nao consigo achar nenhuma referencia na internet eh o do escondidinho. Por ser um prato de carne seca, tem toda a pinta de um prato nordestino, mas aparentemente foi inventado no Rio de Janeiro, especialmente para o cha da Academia Brasileira de Letras. Vou procurar a fonte e se achar posto aqui.

Abraco e bom fim de ano!

domingo, 1 de novembro de 2009

Centro de Gravidade

Eu fiz recentemente um mapa com os lugares de onde vem os meus officemates e calculamos o centro de gravidade: descobrimos que o centro estah no meio do Yemen:

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pensamento randomico sobre o doutorado

... ou sobre a vida de forma geral. Eu nunca consegui responder de forma precisa se o ideal eh ter objetivos claros e definidos ou ser aberto a possibilidades e tentar coisas novas. Nao ficar estreito demais, mas nao se perder em varias coisas rasas. Mas a pergunta principal eh: como fazer para "walk long enough" ? De toda forma, nao sei se eh isso que o Gato de Cheshire estava tentando dizer, mas eis um pequeno texto:

Alice: Would you tell me, please, which way I ought to go from here?
The Cat: That depends a good deal on where you want to get to
Alice: I don't much care where.
The Cat: Then it doesn't much matter which way you go.
Alice: …so long as I get somewhere.
The Cat: Oh, you're sure to do that, if only you walk long enough.



Recebi hoje minha copia de LOGICOMIX - An Epic Search for Truth e eh incrivelmente delicioso, pelo menos a primeira metade que eu li hoje. Jah falando do Papadimitriou, isso me lembra que eu gostei muito da introducao da tese do Costis ainda sobre esse assunto:

Christos once told me that I should think of my Ph.D. research as a walk through a field of exotic flowers. “You should not focus on the finish line, but enjoy the journey. And, in the end, you’ll have pollen from all sorts of different flowers on your clothes.”

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Corcovado



Outro dia fui a um restaurante (uma refeicao memoravel, diga-se de passagem, mas isso eh o assunto pra outro post), e lah estava tocando uma versao em ingles de Corcovado. Eu nao sou uma pessoa muito musical, mas algumas musicas me deixam particularmente com saudade do Brasil. Aih vai uma pequena lista, comecando com Corcovado:
  • Corcovado: eh uma musica do Tom Jobim e tem varias versoes em ingles. Eu gosto particularmente da versao (em portugues, claro) cantada pela Nara Leao
  • Samba do Aviao, tambem do Tom. O Samba de Orly do Chico e do Vinicius tem um efeito semelhante.
  • Outono no Rio, Ed Motta
  • Inverno, Adriana Calcanhotto. Por alguma razao eu acho que o "inverno no Leblon eh quase glacial" bem tocante. E esse verso em particular me lembra muito do Rio e por isso a musica entra nessa lista
Basicamente. Devem ter outras, mas essas que me ocorrem agora. Se vc lembrar mais alguma, por favor, deixe lah nos comentarios. Eu resolvi escrever isos porque o frio estah chegando e com isso a hora de renovar o que estah no meu iPod. Explico: essa semana a temperatura jah tah negativa, aih andar de bicicleta fica complicado e faz meu caminho pra faculdade demorar 20 min ao inves de 5 ou 6. O bom disso eh que eu comeco a minha manha ouvindo alguma coisa, em geral sao audiobooks. Eu tenho aprendido bastante coisa. Como coisas tecnicas sao complicadas de ouvir no caminho (e sempre vem aquela tentacao de parar no meio do caminho e comecar a rabiscar umas contas num papel) eu acabo preferindo baixar aulas de materias de humanas do Academic Earth pra ficar ouvindo. Basicamente eu baixei essa (que jah ouvi metade e eh excelente, recomendo fortemente), essa (que parece bem interessante mas eu soh vi a primeira aula) e essa (que eu tb soh ouvi a primeira aula, mas tava muito bem recomendada no blog do Mitzenmacher). De toda forma, eu deixo umas musicas pra ouvir as vezes. Bossa Nova e MPB ainda conseguem me conquistar um pouco e eu acabo me divertindo.

Em tempo: eu nao coloquei varias outras musicas como a famosa Aquarela do Brasil, Cancao do Expedicionario, ... que sao bem bonitas e me lembram o Brasil porque me tocam menos em certo sentido que as outras - embora me tragam recordacoes boas, como essa ultima (e as outras marchinhas militares, que por mais que as pessoas falem, tem um sentimento romantico bonito).

Ah, tambem estou em busca de bons audiobooks e lectures em mp3 pra ficar ouvindo. Estou numa epoca que preciso de recomendacoes.

sábado, 17 de outubro de 2009

Do Aleph ao Tav

O meu roommate me disse outro dia que eu sou a unica pessoa que ele conhece que tem um hobby por semana. Realmente, pensando nas coisas que eu tenho estado interessado nos ultimos tempos, isso ateh que faz sentido. Lendo esse blog eu pensei que fazer Origami seria divertido, mais particularmente Origami modular, que eh uma forma de Origami mais geometrica. O primeiro que eu fiz foi um do tipo Intersecting Planes, mas logo eu consegui o livro da Tomoko Fuse (a grande expoente do Origami Modular), e comecei a tentar com designs mais complicados (nem todos muito bem sucedidos). As minhas primeiras brincadeiras resultaram:

Mas logo minhas estante comecou a ficar mais cheia de Origami e eles comecaram a compartilhar o espaco com o meu hobby anterior: puzzles. Ano passado eu passei uma epoca entretido tentando aprender a resolver o Rubik Cube. Acabei aprendendo parte gracas a um amigo meu e parte gracas ao YouTube. Logo depois comecei a ler sobre um curso de Stanford sobre a algebras dos cubos de Rubik. Pouco tempo, eu migrei pra outros puzzles combinatorios e qualquer tipo de puzzle de madeira ou metal que envolve Entangle/Desentangle pecas. Como por exemplos, os varios puzzles da Hanayama e os diversos brinquedos inspirados nos designs do Nob Yoshigahara. Outra fonte sao os varios brinquedos do ThinkGeek. O ponto alto talvez foi na minha visita a Berkeley no meio desse ano, eu descobri um loja soh de puzzles do lado da principal estacao de metro de Berkeley. Ainda bem que nao estudo lah e assim eu nao gasto todo o meu dinheiro (e tempo) com esses brinquedinhos. Mas eh tentador. Soh de curiosidade, uma foto da minha estante (com direito a uma Japanese Puzzle Box no canto):


Ok, mas ainda passei por mais uma serie de hobbies. O meu proximo foi um revival das minhas tentativas anteriores de aprender a desenhar. Meu irmao sempre foi um excelente desenhista, e eu nao sabia desenhar mais do que bonecos palitinho (e ainda assim muito mal e soh quando eu ainda usava UML). Algum tempo no passado, eu pedi a Maria Clara que me ensinasse a desenhar e ela comecou a me mostrar como desenhar os meus quadrinhos preferidos - o TinTin. Eu lembro que na epoca foi muito divertido e eu lembro que gostei bastante, mas por alguma razao parei. Alguns meses atras eu tive vontade de retomar e comecei a procurar tutoriais na internet que ensinassem algo de desenho pra pessoas assim como eu e achei alguns. Aih eu brinquei de esbocar algumas coisas, como:

Uma coisa que sempre me surpreendeu eh como desenho eh uma atividade esturturada: pelo menos nos tutoriais, eles sempre ensinavam como criar toda a estrutura do corpo do personagem, desenhar por cima e ir adaptando os detalhes em varias fases. Acho que isso se aplica a todas as atividades da vida: quando vemos um bom livro, achamos que o autor eh incrivelmente criativo e que ele sentou um dia e escreveu aquelas coisas direto, quando na verdade isso eh um resultado de um trabalho duro de criacao de personagens, de escrever e re-escrever varios trechos. As obras realmente excelentes acho que sao trabalhos onde as coisas sao lapidadas como diamantes pouco a pouco. Isso me lembra uma tech talk do Randall Munroe do excelente xkcd em que ele dizia que as vezes passava horas desenhando as comics para conseguir os resultados que ele queria. Penso que pesquisa cientifica deve ser algo assim tambem: na verdade as grandes ideias nao sao resultado de grandes sacadas geniais do nada (ok, talvez as vezes sejam), mas acho que sao produto de longos periodos (aparentemente infrutiferos) pensando e construindo intuicao sobre os problemas e repensando e reburilando as ideias antigas. De toda forma, a maneira certa de fazer pesquisa ainda eh a grande questao em aberto da academia. Mas antes de passar para o meu proximo hobby, minha tentativa de desenhar o Professeur Tournesol no meu computador:


Mas isso me faz chegar a minha mais recente diversao. Daqui a um ano mais ou menos eu devo passar um semestre numa universidade em Israel - eh um dos grandes centros de Teoria Algoritmica dos Jogos e deve ser uma excelente oportunidade pra mim de conviver com uma realidade bem diferente tanto do Brasil quanto aqui dos Estados Unidos. Minha ideia foi entao comecar a aprender hebraico. Comprei alguns livros pela internet e comecei a estudar sozinho (aqui em Cornell nao oferecem o curso de Elementary Hebrew I no semestre que vem) entao a saida eh eu comecar a estudar por mim proprio. Hebraico logo de cara esbarra numa dificuldade basica - aprender um novo alfabeto. E por aih eu comecei: na verdade, ainda nao comecei a estudar a lingua propriamente dita, mas tenho um pouco a cada dia me dedicado a exercicios de caligrafia e a pronunciar as palavras cujo significado eu desconheco. O bom do hebraico eh que eh uma lingua fonetica, diferentemente do ingles, onde o som eh determinado exclusivamente pelas letras:


Acima sao as letras que eu jah aprendi ateh agora (em ordem alfabetica e desenhadas por uma pessoa que comecou a aprender essa semana). O alfabeto hebraico (ou melhor, o alephbet) contem 22 letras, todas consoantes. As vogais nao aparecem no texto, elas sao implicitas. Na verdade, acho que as vogais nao importam muito - ela sao faladas, mas o sentido mesmo da palavra vem das consoantes.

Estudar hebraico estah sendo bem divertido por varias razoes: eu sempre quis aprender uma lingua com um alfabeto diferente, como chines e russo. Mas nunca prossegui nesse projeto, acho que por falta de uma motivacao mais forte. Agora, indo pra Israel por seis meses parece uma motivacao boa o suficiente (na verdade, ok, quase todo mundo fala ingles em Israel, eu acho, mas mesmo assim acho que vai ser bem util). Escrever num alfabeto diferente me parece algo como escrever num codigo secreto ou algo assim.

O alfabeto hebraico (o alephbet) eh mais interessante ainda, afinal, alem de ser a lingua sagrada (de alguma forma) - as letras tem historias interessantes associadas a ela. Por exemplo, o Aleph eh a primeira letra do alfabeto. Indo pro link da Wikipedia, voce pode ver varias coisas interessantes - por exemplo, o Aleph tem a virtude de ser a mais humilde das letras, pois nao demandou comecar a Biblia, o texto sagrado. A Biblia em hebraico comeca em Bet, a segunda letra. Ainda assim, o Aleph tem a gloria de comecar os 10 Mandamentos.

O Aleph estah tambem muito presenta na cultura popular e na literatura de uma forma geral. Um bom exemplo eh o famoso conto de Jorge Luis Borges chamado "O Aleph". Recomendo bastante - eu nunca tinha lido (acho que nunca cheguei a ler Ficciones ateh o final) - mas voltei nele e fui ler lembrando da referencia. Me interessei pela literatura fantastica de Borges por causa de um livro do Verissimo, chamado Borges e os Orangotangos Eternos. - um romance policial envolvendo Jorge Luis Borges (e todos os misterios presentes na sua obra). Um dos livros que eu mais gosto de Borges eh um livro bem frivolo, na verdade, que se chamado "Dez Problemas para Dom Isidro Parodi", publicado na verdade sob o pseudonimo de H Bustos Domecq. Parodi, do titulo, eh realmente uma parodia das historias do detetive classico - mas com a perspectiva invertida em alguns aspectos. A elegancia e o misterio tipico de Borges aparece aqui em historias mais simples e detetivescas, mas ainda assim carregadas de um ar bem exotico - ilustrado pelas situacoes bem inusitadas onde os crimes ocorrem, e, pela situacao inusitada do proprio detetive.