Eu nao sei exatamente o que me deixou com essa obsecao com a Espanha. Talvez tenha sido a seguinte musica da Adriana Calcanhoto. Talvez tenha sido uma historia que eu li que se passava em Ceuta - ou talvez seja Gibraltar. Quando eu vi todos aqueles filmes do Almodovar eu provavelmente jah tinha comecado e logo eu estava aprendendo a fazer gazpacho, que alias, costuma ficar muito bom, e dah pra fazer em menos de 20 minutos. Eh bom notar que eh mais divertido fazer/comer gazpacho depois de ver "Mujeres al borde de un ataque de nervios" - que eh um dos filmes mais engracados que eu jah vi.
Eu fui a Europa algumas vezes, mas sempre evitei a Espanha, por alguma razao que eu nao sei - mas a um mes atras eu descobri que ia para um workshop na Italia, e dado que a Espanha era logo ali do lado, resolvi esticar uma semana (que, luckly, era Spring Break) e viajar por lah. Tentei convencer algumas pessoas a virem comigo - o que geralmente funciona - mas dessa vez nao consegui ninguem - um pouco por causa da epoca do ano.
Foi uma experiencia boa viajar sozinho. Por um lado eu senti que eu nao tinha alguem para trocar impressoes sobre as coisas como quando eu viajo com amigos meus, mas por outro lado me senti mais aberto e falar com outras pessoas e gostei de eu poder definir o ritmo da viagem - parando para fazer coisas que eu gosto e que nao necessariamente agradam a todo mundo, como imprimir uma lista dos chocolatiers de Barcelona e planejar meu roteiro para visita-los todos - ou fazer almocos demorados de uma hora e meia, duas horas. Ir na feira comprar mel e queijo e coisas assim... Eu fiquei em hostel durante toda a minha viagem. Mesmo viajando acompanhado eu costumo ficar em hostel, mas indo soh eu, eu preferi ao inves de procurar um na hora, reservar todos no HostelWorld e minha experiencia foi otima - eu peguei os hostels mais bem rankeados de cada lugar e fiquei neles. Nao sei se foi coincidencia, mas nos quartos que eu fiquei - e eram quartos de 6 ou 8 pessoas, havia sempre mais da metade das pessoas viajando sozinha - e eu achei gente pra sair quase todo dia. A Espanha tem hostels bem animados, de forma que em todos tinham atividades como tapas tour, bar hopping, night clubs e coisas do tipo. Na maioria dos aspectos, achei que eles tinham qualidade melhor do que a maioria dos hoteis que eu fiquei (conforto da cama, limpeza, servicos, ...)
Meu roteiro foi o seguinte:
Cheguei via Madrid, mas logo peguei um trem pra Granada, e de lah pra Cordoba (que foi quase uma day-trip), Sevilla e Barcelona no fim. As fotos, como sempre, estao no Picasa ou no mapa. Como tinha uma semana soh eu tive que cortar muito do meu plano: eu gostaria de ir ateh Ceuta e chegar ao Marrocos (cruzar de Tarifa pra Tangier) mas isso fica pra proxima viagem. Tambem nao pude ir nos Paises Bascos nem no Caminho de Santiago. Acabei indo a Barcelona (que eh impossivel deixar de ir, principalmente pela criatividade catala - tanto na arquitetura de Gaudi e dos outros modernistas - como na famosa cozinha criativa da Catalunia - os doces lah sao particularmente bons) e alem de Barcelona, o sul da Espanha: a Andalusia - que hospedou os reinos arabes mais influentes da Europa e em seguida os Reinos Catolicos. De certa forma, eu inclui eles no meu roteiro por gostar muito de arquitetura arabe de forma geral e por eles seram um dos blends mais elegantes que eu jah vi de cultura arabe e europeia.
domingo, 4 de abril de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
Filmes para ver antes de viajar
Resolvei juntar uma lista dos meus filmes preferidos retratando as cidades que eu mais gosto da Europa. Na verdade eh mentira, sao cidades que eu gosto muito, mas a maioria das minhas cidades preferidas de fato na vai estar na lista (mais por eu nao saber nenhum filme que se passa nelas). Eh complicado de certa forma dizer o que eu mais gosto e em geral quando eu faco uma lista assim, sempre acabam aparecendo as cidades que eu visitei por ultimo e que me impressionaram. Atualmente minha lista eh algo como Lisboa, Istambul e Paris (em alguma ordem que eu nao sei bem qual). Isso sem contar com as cidades que nunca visitei (algumas da quais entram na lista) e que sempre sonhei: por alguma razao eu fico atraido por lugares que eu nunca fui. Os lugares mais recentes nessa categoria sao: Marrakesh, Gibraltar e Barcelona. Sem mais delongas, eis minha lista de filmes:
Barcelona
Vicky Christina Barcelona
Albergue Espanhol (L'Auberge espagnole)
Berlin
Adeus, Lenin
Corra, Lola, Corra
Paris
Fabuloso Destino de Amerlie Poulain
Paris, Eu Te Amo
Antes do Por do Sol
Madrid
Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos
Viena
Antes do Amanhecer
Se eu esqueci de algum filme (ou cidade) e provavelmente eu esqueci, agradeco sugestoes. Uma idea legal seria tentar fazer uma lista em relacao a outras cidades como o Rio de Janeiro e Nova York. Sobre NYC eu penso em varios filmes do Woody Allen, Sobre o Rio eu penso em varios, mas nenhum se destaca na minha memoria agora como um "o filme do Rio". Tem filmes brasileiros excelentes (como Tropa de Elite, Central do Brasil, Cidade de Deus, ...) - mas eu nao vejo em nenhum deles a cidade sendo o personagem principal - como em varios dos que eu coloquei acima.
Alguns comentarios adicionais sobre os filmes que eu inclui na lista: Amelie Poulain eh um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Sobre o filme de Madrid, eu recentemente vi Abracos Partidos e se voce viu tb, voce sabe que tem um filme dentro de um filme e o filme dentro do filme eh na verdade Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos. Eh uma das melhores comedias que eu vi nos ultimos tempos - principalmente se voce se diverte com comedias estilo "Sai de Baixo". Depois de ver esses eu tenho visto varios filmes do Almodovar. E isso tem a ver com a minha mania de coisas relacionadas a Espanha (recentemente eu aprendi a fazer gazpacho, e modestia a parte, costuma ficar muito bom). Ainda sobre os filmes, tem um par deles que eh particularmente especial: { Before Sunrise, Before Sunset }. Acho que vale a pena ver o primeiro antes do segundo: nao somente porque eles estao em ordem cronologica e Sunset se passa varios anos depois do Sunrise, mas porque acho que o Sunrise diz mais pra mim, pelo menos sobre o meu atual momento da vida (e provavelmente o seu, se voce tem uma idade parecida com a minha).
Antes do fim, um agradecimento especial a pessoas que me motivou a fazer a lista de filmes acima.
Barcelona
Vicky Christina Barcelona
Albergue Espanhol (L'Auberge espagnole)
Berlin
Adeus, Lenin
Corra, Lola, Corra
Paris
Fabuloso Destino de Amerlie Poulain
Paris, Eu Te Amo
Antes do Por do Sol
Madrid
Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos
Viena
Antes do Amanhecer
Se eu esqueci de algum filme (ou cidade) e provavelmente eu esqueci, agradeco sugestoes. Uma idea legal seria tentar fazer uma lista em relacao a outras cidades como o Rio de Janeiro e Nova York. Sobre NYC eu penso em varios filmes do Woody Allen, Sobre o Rio eu penso em varios, mas nenhum se destaca na minha memoria agora como um "o filme do Rio". Tem filmes brasileiros excelentes (como Tropa de Elite, Central do Brasil, Cidade de Deus, ...) - mas eu nao vejo em nenhum deles a cidade sendo o personagem principal - como em varios dos que eu coloquei acima.
Alguns comentarios adicionais sobre os filmes que eu inclui na lista: Amelie Poulain eh um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Sobre o filme de Madrid, eu recentemente vi Abracos Partidos e se voce viu tb, voce sabe que tem um filme dentro de um filme e o filme dentro do filme eh na verdade Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos. Eh uma das melhores comedias que eu vi nos ultimos tempos - principalmente se voce se diverte com comedias estilo "Sai de Baixo". Depois de ver esses eu tenho visto varios filmes do Almodovar. E isso tem a ver com a minha mania de coisas relacionadas a Espanha (recentemente eu aprendi a fazer gazpacho, e modestia a parte, costuma ficar muito bom). Ainda sobre os filmes, tem um par deles que eh particularmente especial: { Before Sunrise, Before Sunset }. Acho que vale a pena ver o primeiro antes do segundo: nao somente porque eles estao em ordem cronologica e Sunset se passa varios anos depois do Sunrise, mas porque acho que o Sunrise diz mais pra mim, pelo menos sobre o meu atual momento da vida (e provavelmente o seu, se voce tem uma idade parecida com a minha).
Antes do fim, um agradecimento especial a pessoas que me motivou a fazer a lista de filmes acima.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Privacidade e Informacao
Essa semana foi particularmente interessante em termos de talks aqui em Cornell - uma talk boa que eu assisti eh do Harry Lewis, professor de computacao de Harvard, sobre privacidade e informacao. Eles filmaram tudo e colocaram a talk online: aqui o link. A talk fala sobre o conflito entre:
Depois ele comenta de como as pessoas estao dispostas a compartilhar informacao na internet. Existem sites como o blippy.com/ onde voce pode registrar seu cartao de credito e ele gera twitter-like posts com as suas compras (e sim, tem muita gente usando o site) ou o ijustmadelove.com/ onde voce pode compartilhar os lugares onde voce fez sexo, posicoes, ... Em www.wheresgeorge.com/ voce pode compartilhar os numeros de serie das notas de dolar que voce recebe e tentar track o fluxo do seu dinheiro. O otimo episodio do Colbert Report chama isso de "Cognoscor Ergo Sum": sou conhecido logo existo.
Eu sou bem mais descuidado com minhas informacoes online dos que varias pessoas que eu conheco, mas mesmo assim eh facil ficar assustado com o que se pode saber sobre sua vida colocando seu nome no Google. Por outro lado, fico fascinado com a grande quantidade de informacao na web e com todos os usos interessantes que podiamos fazer disso. O governo americano estah publicando seus dados - www.data.gov/ , voce pode acessar as crencas e previsoes das pessoas sobre o futuro em Prediction Markets, para nao falar em todos os mercados reais.
- voce querer compartilhar suas informacoes (no Orkut, Facebook ou Twitter) e com isso ter uma melhor experiencia social: as engines de busca te entendem melhor, voce compartilha com o mundo o que voce sente, ...
- voce quer se proteger e nao deixar que suas informacoes sejam usadas por alguem mal-intencionado.
Depois ele comenta de como as pessoas estao dispostas a compartilhar informacao na internet. Existem sites como o blippy.com/ onde voce pode registrar seu cartao de credito e ele gera twitter-like posts com as suas compras (e sim, tem muita gente usando o site) ou o ijustmadelove.com/ onde voce pode compartilhar os lugares onde voce fez sexo, posicoes, ... Em www.wheresgeorge.com/ voce pode compartilhar os numeros de serie das notas de dolar que voce recebe e tentar track o fluxo do seu dinheiro. O otimo episodio do Colbert Report chama isso de "Cognoscor Ergo Sum": sou conhecido logo existo.
Eu sou bem mais descuidado com minhas informacoes online dos que varias pessoas que eu conheco, mas mesmo assim eh facil ficar assustado com o que se pode saber sobre sua vida colocando seu nome no Google. Por outro lado, fico fascinado com a grande quantidade de informacao na web e com todos os usos interessantes que podiamos fazer disso. O governo americano estah publicando seus dados - www.data.gov/ , voce pode acessar as crencas e previsoes das pessoas sobre o futuro em Prediction Markets, para nao falar em todos os mercados reais.
- Long Tail: Ateh algum tempo, se voce queria fazer um anuncio num grande jornal, radio ou televisao, voce tinha que ter certeza que o seu publico alvo era grande parte da audiencia, caso contrario nao valeria o custo. O mesmo vale para programas de radio, televisao, ... Com a internet eh possivel gerar conteudo que eh direcionado a partes pequenas da populacao e ainda lucrar: a Google consegue exibir anuncios direcionados para cada pessoa, enquanto uma livraria grande nao pode se dar ao luxo de manter no estoque de uma de suas filiais um livro que provavelmente uma infima parte da populacao vai comprar, isso eh mais do que natural para a Amazon.
- Crowdsourcing: A internet tem o poder incrivel de colocar varias pessoas trabalhando para criar um produto comunitario - o exemplo mais bem sucedido desse conceito eh a Wikipedia: eh o primeiro recurso que eu uso para tentar descobrir alguma coisa e eh um produto comunitario. Aqui tem uma lista de projetos explorando Crowdsourcing. Crowdsourcing eh relacionado com o conceito de Wisdom of the Fools (algo como Sabedoria dos Idiotas), que diz que agregando varias fontes imprecisas de informacao nos podemos construir uma fonte bastante confiavel. Nenhum dos editores da Wikipedia em particular eh uma autoridade que tem como garantir que as informacoes lah estejam 100% certas: o que garante isso eh a iteracao social. Eh esperado que os erros, imprecisoes, ineficiencias, sejam corrigidor naturalmente pela mao invisivel do mercado.
- Low barrier-to-entry: A 30 ou 40 anos atras era complicado uma pessoa se tornar famosa da noite pro dia sem estar amparada pela midia principal (televisao, jornais) e era complicado tentar competir com empresas bem estabelecidas. Hoje eh comum pessoas ficarem famosas com um video do YouTube ou um garoto russo de 17 anos criar um servico que em um curto periodo de tempo chega a 20,000 usuarios. O chatroulette, criado pelo garoto de 17 anos, tem um conceito bastante interessante: ao mesmo tempo que eh uma ferramenta social (eh um chat, after all) ele eh totalmente anonimo - sem logins, sem username - e totalmente na contra-mao dos outros sites, sem criar vinculos (o objetivo do Twitter, Facebook, Orkut, ... eh a iteracao social criando um vinculo de amizade, de forma que voce esteja sempre acessivel para a pessoa com quem voce quer falar).
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Temple Grandin
Ainda sobre a Temple Grandin, de quem eu falei no post anterior, hoje eu vi o filme sobre a vida dela no Cornell Cinema e teve uma Q&A session logo depois que foi bem interessante. O filme eh uma das historias mais bonitas que eu vi nos ultimos tempos e, a menos de pequenas liberdades cinematograficas, eh uma historia real. No dia anterior teve uma talk dela sobre Animal Behavior and Welfare - se nao me engano na escola de Animal Science - mesmo tendo partes da talk sobre assuntos que me interessavam menos e dos quais eu entendia pouco - como gado, cavalos, ... - a maior parte da talk foi sobre comportamente humano/animais e sobre a mente humana e sobre as nossas dificuldades em entender o modo dos animais pensarem e se comportarem. A talk foi gravada - eu procurei, mas nao achei, mas de toda forma, uma talk dela que acabou de ser uploaded no TED:
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Sobre o Poder da Diversidade
Acho que se eu nao fosse um teorico de computacao (matematico, economista ou nenhuma dessas areas afins) eu gostaria de ser neurologista - pelo menos eh o que eu penso quando eu leio os livros do Oliver Sacks (aqui uma talk dele se vc nao conhece). Eu li nas ferias o Antropologo de Marte e ontem comecei a ler Musicophilia. Quem me conhece pode achar estranho eu estar lendo um livro sobre musica, mas na verdade musica embora seja o fio condutor do livro nao parece ser o principal tema: o personagem principal eh o cerebro, suas capacidades, o talento inato e o que voce pode desenvolver, como eh a nossa percepcao e que fenomenos sociais/fisicos/neurologicos fazem com que apreciemos musica e outros tipos de arte, ... pelo que li ateh agora voce bem poderia substituir musica por, digamos, matematica ou futebol e muito do que eh falado continuaria fazendo muito sentido.
Uma coisa que atraiu minha atencao de volta ao Oliver Sacks eh que essa semana vem a Cornell a Temple Grandin, professora da Colorado State University para a estreia local de um filme sobre a vida dela e uma talk logo em seguida. Temple eh um dos principais casos relatados no Antropologo de Marte - alias, ela que dah nome ao livro. Temple eh autista - e ao contrario do que voce pode pensar se voce nao conhece bem a definicao de autismo - muito inteligente, doutora e uma das maiores especialistas em comportamento animal. Embora me arriscando a dar uma definicao errada (e eu recomendo o livro de Sacks pra eu explicacao mais precisa) o autismo eh caracterizado pela dificuldade de relacionamento e de se entender regras complexas de relacoes sociais. No caso de Temple, a dificuldade de decodificar relacoes sociais de alto-nivel veio junto com um incrivel entendimento dos sentimentos simples e primitivos - que faziam com que ela se sentisse muito conectada aos sentimentos dos animais - e daih o tema principal da pesquisa dela (hoje em dia 1/3 das instacoes de gado nos Estados Unidos sao feitas a partir de designs dela). Mas deixo os detalhes para o livro de Sacks e pro filme e acho que vou falar por que achei essa historia tao interessante.
Embora seja obvio e seja algo popular nos filmes politicamente corretos, mas que eu passei a pensar de uma forma totalmente diferente eh: nos somos pessoas diferentes. O fato de sermos unicos nao eh soh um fato social/cultural - isso eh tambem um fato neurologico. Varias coisas que tomamos como universais nao o sao na verdade. Eu varias vezes me pego irritado com alguem e pensando algo como: "eu nunca agiria dessa forma, independente do que acontecesse" ou "como fulado pode fazer isso ou aquilo comigo - ele nao entende como eu me sinto". A resposta eh: pode ser que de fato ele nao entenda como voce se sente. As pessoas tem graus diferentes de empatia com determinadas coisas: seja sensibilidade para apreciar artes plasticas, para apreciar artes, para sentir empatia, para se sensibilizar com isso ou aquilo, ... e muitas vezes nao entendemos isso. Os relatos neurologicos dos livros do Sacks se concentram em casos extramos, como o autismo no caso do "Antropologo de Marte" e, por exemplo, a amusia, em "Musicophilia". Mas nada disso acontece como zero ou um - mas em diferentes graus de uma forma sutil e com as pessoas a nossa volta. Um exemplo muito comum eh voce olhar para duas pessoas que estao se sentindo tristes e para uma voce se sensibilizar e para outra voce simplesmente achar que eh frescura - simplesmente porque voce tem mais dificuldade de sentir empatia no segundo caso.
Lendo o paragrafo acima voce pode pensar: que chato que eu nao tenho tal habilidade como tal pessoa - seja ela musica, matematica, futebol, empatia, ... Eu acho que nesse sentido o exemplo da Temple eh bonito: a falta de uma coisa deu a ela uma percepcao maior de outras - e o livro de Sacks estah cheio de exemplos assim: pessoas cegar que desenvolvem um talento extraordinario para a musica, dificuldade em criar empatia mas facilidade em capturar imagens ou dificuldade de raciocinio mas uma memoria prodigiosa. De novo, o que ele relata sao casos extremos - mas isso acontece em menor grau no dia a dia e uma coisa que achei muito interessante nesse sentido foi um post do Terry Tao no buzz. Nesse post, ele comenta que o poder de determinados ramos na matematica estah em abstrair ou ignorar determinados aspectos do problema: analise, por exemplo, ignora quantidades exatas e foca em ordens de magnitude, algebra ignora como objetos sao construidos e se concentra nas propriedades que os objetos tem q nas operacoes que podem ser feitas neles, .... O interessante disso eh que varias areas da ciencia podem ser vistas dessa forma: concentrar em um aspecto do problema e ignorar outros. Nossa diversidade neurologica faz com que olhemos para os problemas de uma forma unica - e uma solucao interessante pode vir nao do que voce consegue ver, mas do que voce consegue ignorar.
Uma coisa que atraiu minha atencao de volta ao Oliver Sacks eh que essa semana vem a Cornell a Temple Grandin, professora da Colorado State University para a estreia local de um filme sobre a vida dela e uma talk logo em seguida. Temple eh um dos principais casos relatados no Antropologo de Marte - alias, ela que dah nome ao livro. Temple eh autista - e ao contrario do que voce pode pensar se voce nao conhece bem a definicao de autismo - muito inteligente, doutora e uma das maiores especialistas em comportamento animal. Embora me arriscando a dar uma definicao errada (e eu recomendo o livro de Sacks pra eu explicacao mais precisa) o autismo eh caracterizado pela dificuldade de relacionamento e de se entender regras complexas de relacoes sociais. No caso de Temple, a dificuldade de decodificar relacoes sociais de alto-nivel veio junto com um incrivel entendimento dos sentimentos simples e primitivos - que faziam com que ela se sentisse muito conectada aos sentimentos dos animais - e daih o tema principal da pesquisa dela (hoje em dia 1/3 das instacoes de gado nos Estados Unidos sao feitas a partir de designs dela). Mas deixo os detalhes para o livro de Sacks e pro filme e acho que vou falar por que achei essa historia tao interessante.
Embora seja obvio e seja algo popular nos filmes politicamente corretos, mas que eu passei a pensar de uma forma totalmente diferente eh: nos somos pessoas diferentes. O fato de sermos unicos nao eh soh um fato social/cultural - isso eh tambem um fato neurologico. Varias coisas que tomamos como universais nao o sao na verdade. Eu varias vezes me pego irritado com alguem e pensando algo como: "eu nunca agiria dessa forma, independente do que acontecesse" ou "como fulado pode fazer isso ou aquilo comigo - ele nao entende como eu me sinto". A resposta eh: pode ser que de fato ele nao entenda como voce se sente. As pessoas tem graus diferentes de empatia com determinadas coisas: seja sensibilidade para apreciar artes plasticas, para apreciar artes, para sentir empatia, para se sensibilizar com isso ou aquilo, ... e muitas vezes nao entendemos isso. Os relatos neurologicos dos livros do Sacks se concentram em casos extramos, como o autismo no caso do "Antropologo de Marte" e, por exemplo, a amusia, em "Musicophilia". Mas nada disso acontece como zero ou um - mas em diferentes graus de uma forma sutil e com as pessoas a nossa volta. Um exemplo muito comum eh voce olhar para duas pessoas que estao se sentindo tristes e para uma voce se sensibilizar e para outra voce simplesmente achar que eh frescura - simplesmente porque voce tem mais dificuldade de sentir empatia no segundo caso.
Lendo o paragrafo acima voce pode pensar: que chato que eu nao tenho tal habilidade como tal pessoa - seja ela musica, matematica, futebol, empatia, ... Eu acho que nesse sentido o exemplo da Temple eh bonito: a falta de uma coisa deu a ela uma percepcao maior de outras - e o livro de Sacks estah cheio de exemplos assim: pessoas cegar que desenvolvem um talento extraordinario para a musica, dificuldade em criar empatia mas facilidade em capturar imagens ou dificuldade de raciocinio mas uma memoria prodigiosa. De novo, o que ele relata sao casos extremos - mas isso acontece em menor grau no dia a dia e uma coisa que achei muito interessante nesse sentido foi um post do Terry Tao no buzz. Nesse post, ele comenta que o poder de determinados ramos na matematica estah em abstrair ou ignorar determinados aspectos do problema: analise, por exemplo, ignora quantidades exatas e foca em ordens de magnitude, algebra ignora como objetos sao construidos e se concentra nas propriedades que os objetos tem q nas operacoes que podem ser feitas neles, .... O interessante disso eh que varias areas da ciencia podem ser vistas dessa forma: concentrar em um aspecto do problema e ignorar outros. Nossa diversidade neurologica faz com que olhemos para os problemas de uma forma unica - e uma solucao interessante pode vir nao do que voce consegue ver, mas do que voce consegue ignorar.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Alguns filmes, livros e videos
Eu vi recentemente dois otimos filmes alemaes: o primeiro de maneira mais ou menos acidental: Kirschblüten - Hanami, que assisti porque nao consegui ingressos pra ver Abracos Partidos. Depois descobri que era o filme que tinha o melhor rating pelo menos na lista da Veja e que estava sendo muito bem comentado em todo lugar. Eh um filme muito bonito sobre a saudade e a lembranca. E de fato, se voce tem parentes mais velhos, o filme trata de uma serie de conflitos familiares com os quais voce vai se identificar. O filme fala da distancia (em varios sentidos: geografica, entre geracoes, ...) dentro da familia. Eh uma historia triste, mas muito bonita, se passando entre a Alemanha e o Japao. De fato, o filme tem duas fases - uma em cada pais e cada uma eh encantadora a sua maneira.
O outro filme alemao que vi recentemente eh um pouco mais antigo e se chama Die Welle (The Wave) e ele explora de uma maneira bem diferente o tema mais recorrente dos alemaes: o nazismo. Tendo estuda em uma escola alema, eu jah me cansei de todos os possiveis approaches desse tema - mas Die Welle eh realmente otimo. Na verdade ele nao eh sobre nazismo em si, mas sobre regimes autoritarios e controle de massas de uma forma geral. O filme comeca assim: um professor, que queria estar conduzindo um seminario sobre anarquia, eh obrigado a dar o seminario do tema exatamente oposto: autocracia - o governo de uma pessoa ou de uma elite (uma ditadura). Meio a contragosto, ela vai lah dar a aula e comeca pedindo que os alunos definam o que eh autocracia e deem exemplos. O exemplo natural eh "o Terceiro Reich" e um dos alunos comenta: "Por que a gente tem que voltar nisso o tempo todo? Isso eh um tema superado." E outro diz: "na Alemanha de hoje, isso nao seria mais possivel. Todos jah sao muito conscientes para que isso se repita." Como prova de conceito, o professor comeca a conduzir um experimento em sala criando naquela turma as bases de um sistema autoritario. Durante aquele curso, ele usa uma serie de taticas pra criar um culto a personalidade do proprio professor, um movimento - Die Welle, que tem uniforme, uma saudacao tipica, regras, ... - no qual os alunos estao muito felizes em estar participando. E isso escala para proporcoes fora do que ele inicialmente esperava. O filme eh excelente e eh uma demonstracao clara de como sao formadas ditaduras, gangues criminosas, porque as pessoas se envolvem com drogas, ... - tudo eh tracado as mesmas necessidades nao satisfeitas de uma certa forma.
Vi outros filmes bons: Abracos Partidos do Almodovar que jah mencionei, por exemplo. Eu tinha visto jah dois filmes dele: Volver e Hable con ella. Os dois excelentes e isso abriu meu apetite. Tambem vi Avatar e Sherlock Holmes no cinema, dos quais gostei muito. Achei q a segunda parte de Avatar podia ser bem encolhida (eu gostei muito da primeira parte, mas tenho muito pouca paciencia pra batalhas longas como a da segunda parte). Sherlock eh legal e mistura acao e historia na dose certa. Ouvi dizer que fizeram nesse filme com Sherlock Holmes o que fizeram no ultimo filme de Star Trek - adicionaram mais acao do que eh costumeiro, mas nao ao ponto de descaracterizar. Concordo.
---------------------
Livros dessas ferias: comecei o meu Winter Break (verao aqui no Brasil, ainda bem) lendo Banker to the Poor, sobre a vida do Muhammad Yunus e sua luta pra erradicar a pobreza em Bangladesh. Eh um dos livros que me enche de esperanca sobre o futuro do mundo. De fato, acho que ele merece um blog-post soh pra ele, e eu estou planejando fazer isso no futuro. A nova ideia aqui eh erradicar a pobreza nao atraves de caridade, mas de social business - o microcredito nao dah dinheiro aos pobres, mas empresta a taxas muito baixas e cria uma serie de incentivos para liberar o poder empreendedor deles - de forma que eles possam se desenvolver e pagar os emprestimos de volta. O fato de ter que pagar de ter que pagar de volta os emprestimos leva eles a nao se acomodarem e usarem o dinheiro de forma produtiva. Melhor que eu explicar eh ele mesmo explicar: recomendo muito a tech talk dele no YouTube. Na verdade, depois de ver ela eh que eu tive vontade de ler o livro.
Depois disso eu li o terceiro volume da serie Milenium, que foi jah publicado no Brasil mas nao nos EUA (e eu nao entendo o por que disso). Depois eu li o Antropologo de Marte - um livro do neurologista ingles Oliver Sacks. Cada um capitulo contem casos medicos curiosos - como o pintor que sofre um acidente e deixa de enxergar cores ou a mulher que nao pode compreender sentimentos humanos mas eh uma grande especialista em comportamento animal - e discussoes sobre o cerebro humano e nossa maneira de agir. De certa forma a pergunta principal eh: como esses casos medicos - que reprsentam situacoes expremas - podem jogar uma luz sobre quem somos e nossa maneira de se comportar. Depois de ler esse livro eu pensei que se eu nao fosse um engenheiro/matematico/economista/... nem nenhuma math-related subject, eu gostaria de ser neurologista. Se vc quer abrir seu apetite, tem um talk otima do Oliver Sacks no TED:
Alias, eu tenho assistido muitos videos no TED. Recomendo muito o site. Alguns que eu gosto em particular sao:
A primeira eh especialmente interessante pois eh sobre algo que cientistas e artistas passam de uma forma mais ou menos semelhante. A segunda traz lembrancas (nao muito boas) dos tempos de escola.
O outro filme alemao que vi recentemente eh um pouco mais antigo e se chama Die Welle (The Wave) e ele explora de uma maneira bem diferente o tema mais recorrente dos alemaes: o nazismo. Tendo estuda em uma escola alema, eu jah me cansei de todos os possiveis approaches desse tema - mas Die Welle eh realmente otimo. Na verdade ele nao eh sobre nazismo em si, mas sobre regimes autoritarios e controle de massas de uma forma geral. O filme comeca assim: um professor, que queria estar conduzindo um seminario sobre anarquia, eh obrigado a dar o seminario do tema exatamente oposto: autocracia - o governo de uma pessoa ou de uma elite (uma ditadura). Meio a contragosto, ela vai lah dar a aula e comeca pedindo que os alunos definam o que eh autocracia e deem exemplos. O exemplo natural eh "o Terceiro Reich" e um dos alunos comenta: "Por que a gente tem que voltar nisso o tempo todo? Isso eh um tema superado." E outro diz: "na Alemanha de hoje, isso nao seria mais possivel. Todos jah sao muito conscientes para que isso se repita." Como prova de conceito, o professor comeca a conduzir um experimento em sala criando naquela turma as bases de um sistema autoritario. Durante aquele curso, ele usa uma serie de taticas pra criar um culto a personalidade do proprio professor, um movimento - Die Welle, que tem uniforme, uma saudacao tipica, regras, ... - no qual os alunos estao muito felizes em estar participando. E isso escala para proporcoes fora do que ele inicialmente esperava. O filme eh excelente e eh uma demonstracao clara de como sao formadas ditaduras, gangues criminosas, porque as pessoas se envolvem com drogas, ... - tudo eh tracado as mesmas necessidades nao satisfeitas de uma certa forma.
Vi outros filmes bons: Abracos Partidos do Almodovar que jah mencionei, por exemplo. Eu tinha visto jah dois filmes dele: Volver e Hable con ella. Os dois excelentes e isso abriu meu apetite. Tambem vi Avatar e Sherlock Holmes no cinema, dos quais gostei muito. Achei q a segunda parte de Avatar podia ser bem encolhida (eu gostei muito da primeira parte, mas tenho muito pouca paciencia pra batalhas longas como a da segunda parte). Sherlock eh legal e mistura acao e historia na dose certa. Ouvi dizer que fizeram nesse filme com Sherlock Holmes o que fizeram no ultimo filme de Star Trek - adicionaram mais acao do que eh costumeiro, mas nao ao ponto de descaracterizar. Concordo.
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Livros dessas ferias: comecei o meu Winter Break (verao aqui no Brasil, ainda bem) lendo Banker to the Poor, sobre a vida do Muhammad Yunus e sua luta pra erradicar a pobreza em Bangladesh. Eh um dos livros que me enche de esperanca sobre o futuro do mundo. De fato, acho que ele merece um blog-post soh pra ele, e eu estou planejando fazer isso no futuro. A nova ideia aqui eh erradicar a pobreza nao atraves de caridade, mas de social business - o microcredito nao dah dinheiro aos pobres, mas empresta a taxas muito baixas e cria uma serie de incentivos para liberar o poder empreendedor deles - de forma que eles possam se desenvolver e pagar os emprestimos de volta. O fato de ter que pagar de ter que pagar de volta os emprestimos leva eles a nao se acomodarem e usarem o dinheiro de forma produtiva. Melhor que eu explicar eh ele mesmo explicar: recomendo muito a tech talk dele no YouTube. Na verdade, depois de ver ela eh que eu tive vontade de ler o livro.
Depois disso eu li o terceiro volume da serie Milenium, que foi jah publicado no Brasil mas nao nos EUA (e eu nao entendo o por que disso). Depois eu li o Antropologo de Marte - um livro do neurologista ingles Oliver Sacks. Cada um capitulo contem casos medicos curiosos - como o pintor que sofre um acidente e deixa de enxergar cores ou a mulher que nao pode compreender sentimentos humanos mas eh uma grande especialista em comportamento animal - e discussoes sobre o cerebro humano e nossa maneira de agir. De certa forma a pergunta principal eh: como esses casos medicos - que reprsentam situacoes expremas - podem jogar uma luz sobre quem somos e nossa maneira de se comportar. Depois de ler esse livro eu pensei que se eu nao fosse um engenheiro/matematico/economista/... nem nenhuma math-related subject, eu gostaria de ser neurologista. Se vc quer abrir seu apetite, tem um talk otima do Oliver Sacks no TED:
Alias, eu tenho assistido muitos videos no TED. Recomendo muito o site. Alguns que eu gosto em particular sao:
- Robert Lang folds way-new origami
- Sean Gourley on the mathematics of war
- Dan Buettner: How to live to be 100+
- Ron Eglash on African fractals
A primeira eh especialmente interessante pois eh sobre algo que cientistas e artistas passam de uma forma mais ou menos semelhante. A segunda traz lembrancas (nao muito boas) dos tempos de escola.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Arte
Estou atualmente num quest sobre o poster certo pra colocar na parede do meu escritorio e nao, isso nao eh uma tarefa facil. Eu jah estou quase decidido, mas achei que seria legal falar sobre o que ander pensando. No meu quarto no Rio de Janeiro eu tenho varios posters do Escher. Para ser mais preciso: The Waterfall, The Belvedere, Day and Night e meu preferido Ascending and Descending (que depois que eu sai de casa acabou indo parar na parede da sala). Meu primeiro instinto foi colocar Ascending and Descending tambem na parede do meu escritorio. E de fato ainda penso em fazer isso.
Mas monocromatico demais - e de fato eu tenho espaco pra dois posters. Na verdade, eu jah tenho um quadro que comprei na Feira de Arte da Praca General Osorio. Tem um cara lah que faz uma otimas aquarelas do Rio - e resolvi levar uma delas pra colocar lah. Acabou que nao conseguindo prender ele e tirei um pedacao da pintura da parede. Entao acabei colocando ele apoiado na mesa e sobrou um grande pedaco de parede (que de fato eu tenho que cobrir - jah a algum tempo - com alguma coisa). A conclusao eh que ha espaco de parede para mais alguma coisa e eu pensei em algum dos posters de um japones chamado Utagawa Hiroshige. Eu conheci os posters desse cara em um paper que eu li de computacao grafica e fiquei impressionado com as cores e simplicidade das gravuras. Esse cara chegou a influenciar Van Gogh ao ponto dele fazer quadros que eram claras homenagens ao trabalho do Hiroshige. Por exemplo, o seguinte par de quadros, o da direita eh a homenagem do Van Gogh:
Eu estou basicamente em duvida em relacao a essas duas em seguida pra colocar do lado do Ascending e Descending no office:
que sao respectivamente "Drum Bridge At Meguro" e "Wave Off Satta Coast". A paisagem de inverno talvez seja bem mais apropriada para o clima de Ithaca, mas pela mesma razao talvez seja bom ficar olhando para uma paisagem de verao com o Monte Fuji atras. (Alias, falando em Monte Fuji, essa semana eu vi o filme Kirschblüten - Hanami e eh excelente. Recomendo muito. Fui bem sem querer e me impressionei muito.) Mas acho que eu estou certo de colocar um par: o Ascending and Descending e um dos quadros acima.
Falando em arte, eu passei uma semana em NYC antes de voltar ao Rio e pela primeira vez eu fui ao MOMA. Eu jah tinha ido no MET e no meu preferido, o Museu de Historia Natural, mas eu tinha negligenciado o MOMA por achar que eu nao gosto de Arte Moderna. E de fato minhas experiencias com museus na Europa me diziam isso. Achei o Centre George Pompidou um dos piores museus que eu jah visitei - uma grande perda de tempo em Paris. Mas o MOMA foi diferente. O que eu encontrei lah foi diferente do que eu esperava.
Em vez de coisas tipo Duchamps, havia coisas como pop-art, Bauhaus, quadrinhos/cinema, ... Tinham excelentes gravuras do Andy Warhol e ateh Van Gogh, Picasso e Kandinsky. Eu tenho uma idea que arte tem que ser antes de tudo decorativa e a varias pessoas certamente descordam de mim. Alguns vao dizer que o importante eh a mensagem: eu concordo, mas os espectadores tem que ser antes convidados a admirar (seja pelo belo ou pelo grotesco) mas a gostar, se sentir atraido, ... para depois entender a mensagem. O mesmo acredito para livros, concordo que livros profundos sao importantes, mas acho que eles tem que divertir. Ninguem vai ler obras profundas soh por isso. Se elas demandarem varios litros de suor por pagina, como eh esperado que alguem leia tudo e pegue a mensagem. Isso vale ateh pra textos cientificos - o leitor tem que ser atraido e se sentir bem em ler aquilo. Nesse sentido, esses artistas todos que mencionei fazem um otimo trabalho - sem deixar de ser inovadores e transmitir mensagens importantes.
Mas voltando ao MOMA, eu gostei particularmente das duas exposicoes itinerantes. Uma delas era sobre a obra do Tim Burton, que, diferente de como eu pensava, nao tem soh filmes e livros, mas tambem quadros, gravuras e outros tipos de arte. Grande parte eh voltada para o cinema e para ilustrar os personagens dele. A outra exposicao era sobre o Bauhaus - um estilo alemao voltado pra arquitetura e pro design. Haviam quadros e gravuras tambem, mas o grande foco era uma arte utilitaria: moveis, cadeiras, vasos, edificios, ... Eu aprecio muito esses estilos onde a arte se integra ao cotidiano e eh um modo de repensar o que fazemos todo o dia. Achei inclusive o site da exposicao.
Em vez de coisas tipo Duchamps, havia coisas como pop-art, Bauhaus, quadrinhos/cinema, ... Tinham excelentes gravuras do Andy Warhol e ateh Van Gogh, Picasso e Kandinsky. Eu tenho uma idea que arte tem que ser antes de tudo decorativa e a varias pessoas certamente descordam de mim. Alguns vao dizer que o importante eh a mensagem: eu concordo, mas os espectadores tem que ser antes convidados a admirar (seja pelo belo ou pelo grotesco) mas a gostar, se sentir atraido, ... para depois entender a mensagem. O mesmo acredito para livros, concordo que livros profundos sao importantes, mas acho que eles tem que divertir. Ninguem vai ler obras profundas soh por isso. Se elas demandarem varios litros de suor por pagina, como eh esperado que alguem leia tudo e pegue a mensagem. Isso vale ateh pra textos cientificos - o leitor tem que ser atraido e se sentir bem em ler aquilo. Nesse sentido, esses artistas todos que mencionei fazem um otimo trabalho - sem deixar de ser inovadores e transmitir mensagens importantes.
Mas voltando ao MOMA, eu gostei particularmente das duas exposicoes itinerantes. Uma delas era sobre a obra do Tim Burton, que, diferente de como eu pensava, nao tem soh filmes e livros, mas tambem quadros, gravuras e outros tipos de arte. Grande parte eh voltada para o cinema e para ilustrar os personagens dele. A outra exposicao era sobre o Bauhaus - um estilo alemao voltado pra arquitetura e pro design. Haviam quadros e gravuras tambem, mas o grande foco era uma arte utilitaria: moveis, cadeiras, vasos, edificios, ... Eu aprecio muito esses estilos onde a arte se integra ao cotidiano e eh um modo de repensar o que fazemos todo o dia. Achei inclusive o site da exposicao.
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