domingo, 18 de abril de 2010

Comida, cha, habitos saudaveis e uma boa dose de esnobismo

Se voce nao gosta de posts falando sobre comida e bebiba e principalmente de posts onde o autor fica contando vantagem por saber apreciar a boa mesa e no fim o post eh uma grande descricao das suuas ultimas refeicoes, voce pode pular esse. Se por outro lado, voce gosta particularmente de posts assim, voce deve ir aos classicos e ler O Troisgros (ou mais geralmente a Mesa Voadora) do Verissimo. Eh o auge do que eu gostaria de escrever sobre a boa mesa. De fato, as vezes, depois de ir em algum lugar que me excita muito (em termos gastronomicos, que fique bem dito) eu tenho vontade de escrever um blog post detalhando cada prato e cada impressao. Mas eu fico com medo de parecer esnobe, entao eu escrevo e soh mando pra minha familia e amigos, que jah sabem que eu sou esnobe, deletam o email e nao me falam nada pra eu nao ficar chateado. Foi assim em uma refeicao de 7 pratos diferentes no Heights Cafe aqui em Ithaca, meu jantar no Craftbar de NYC e meu almoco memoravel no Sauc de Barcelona (alias, veja esse blog post sobre restaurantes em Barcelona). Eu lembro que chegando no Sauc (no almoco, claro, porque eu ainda nao tinha cacife pra jantar nesses lugares - detalhe eh que a maior parte dos restaurantes na Espanha - o mesmo acontece nos EUA - servem no almoco pratos excelentes mas com precos incrivelmente mais razoaveis do que eles servem no jantar - e que cabem no meu orcamento restrito de aluno de doutorado), mas voltando, chegando ao Sauc no almoco, eu lembro de simplesmente pedir (no meu portunhol) pra eles me surpreenderem e me trazerem o que iria me impressionar. E eu nao me arrependi. Alias, eu sempre pensei que restaurantes deveriam ser assim: voce nao precisa escolher. Voce soh entra, conversa um pouco com o garcom e ele decide o que te trazer. Ou melhor: ele te olha e te traz pratos, jah intuindo o que voce vai querer. Continuando o roteiro de descricoes esnobes: uma vez, numa cidadezinha da Italia, eu entrei num restaurante com um grupo e pedimos o menu. Menu? Eles olharam a gente meio sem saber o que falar e disseram que nao havia menu: e pediram pra descrever o que estavamos com vontade de comer e entao eles entenderam, foram lah, e trouxeram algo fantastico. Acho que assim que deveriam ser.

Alias, recentemente eu fiquei pensando como seria um restaurante perfeito: e acho que seria algo assim: voce entraria e veria os garcons usando mascaras (como a mascara da serva na comedia dell'arte, ou o gato ou uma mascara catala). Voce nao veria o rosto deles nem conseguiria se comunicar com eles. Eles seriam mudos e soh se comunicariam por gestos, ou entao falariam entre si numa lingua estranha - como a lingua basca ou uma variacao perdida do aramaico. Voce simplesmente sentaria, eles entenderiam o que voce quer - talvez voce pudesse indicar de alguma forma se voce preferia peixe ou carne - e eles trariam a sequencia de pratos que seria sua refeicao. No final, voce soh pagaria e sairia feliz sem entender o que aconteceu.

Uma nota: eu estou compilando uma lista de restaurantes em Manhattan - em vermelho os que eu jah fui e em azul os que eu ainda quero ir. Por causa do meu budget e do fato de eu nao ir sempre a Manhattan, a lista demora a crescer, mas  se voce tiver alguma sugestao... Alias, aceito sugestoes de restaurantes em qualquer lugar.

Bom, mas essa foi a introducao e eu me perdi falando sobre outras coisas. O que eu queria falar eh ligeiramente diferente. Meu topico inicial na verdade eh sobre o que beber e nao sobre comer: eu sempre achei cerveja uma bebida sem graca. De fato, eu diria inclusive que nao se trata de uma bebida de homem, mas de adolescentes. Vinho eh uma coisa mais refinada e que agrada bem mais meu paladar. Mas ainda nao eh o auge. A tese que eu gostaria de sustentar eh que bebida de homem mesmo eh cha - isso mesmo, cha (tea). Eu poderia usar varios fatos da Wikipedia para sustentar essa tese, mas eu vou deixar isso pra outro post pra evitar mais digressao. O fato eh que eu tenho gostado cada vez mais de cha no ultimo ano. O mesmo pode ser dito sobre cafe. Voce pode dizer que eh o inicio de um vicio por cafeina. Eu prefiro dizer que se trata de refinar meus habitos.

Tudo comecou assim: eu tinha uma vizinha inglesa e comentei com ela que achava dificil acordar de manha. Que eu era muito improdutivo nas primeiras horas do dia e tal... Ela me disse que isso acontecia porque eu nao fazia as coisas certas de manha. Ela me explicou que depois de acordar e tomar banho. Ela precisava de uma xicara de cha e de meia hora lendo  um livro ou o jornal. E depois disso eh que ela ia tomar o cafe da manha. Eu resolvi fazer o teste e passar meia hora (as vezes uma hora) lendo e tomando o cafe de manha e de fato isso funciona muito bem. Eu saia bem mais desperto - e me sentindo muito bem. E minha leitura melhorou muito - eu de certa forma voltei a ler livros - por um bom tempo quase tudo o que eu lia eram blogs. Por exemplo, quando eu chegava no office de manha eu nao costumava ter energia pra comecar a trabalhar logo - entao eu ficava um tempo perdendo tempo na internet, lendo blogs, ... Depois de colocar a leitura da manha com o cha, eu parei de fazer isso. E de fato acho que minha produtividade aumentou. De certa forma, isso eh a adicao de mais meia hora de "wellness" (desculpas as pessoas que detestam esse termo e acham ele sem sentido) no meu dia-a-dia. Atualmente meu dia contem:
  • leitura + cha e cafe da manha demorado pela manha
  • almoco de uma hora no meio do dia. Para os brasileiros isso eh altamente trivial - eh algo normal e nao um tempo extra de relaxamento que voce estah se concedendo. Mas isso nao vale pra os americanos - eh muito normal aqui comprar um sanduiche e comer enquanto trabalha ou comer correndo enquanto assiste um seminario ou se discute trabalho.
  • pausa pro cafe de tarde
  • uma hora de academia no fim do dia
Ok, isso na conta o tempo que eu realmente tiro pra na fazer nada ou que eu saio, mas o tempo que eu insiro no meio do meu dia produtivo (e voce pode estar pensando, talvez com razao, se existe tempo produtivo mesmo com isso tudo), mas isso eh outro ponto eu deixo pra discutir depois.

O meu cafe da manha em geral eh cha, iogurte e depois algo como uma vitamina de banana. Sabado, eu tenho bem mais tempo, e ficando mais adepto dessa coisa de cafe da manha, eu decidi fazer as vezes algo mais complicado. Eis a foto do meu ultimo cafe:

  • cha (blend de cha verde com cha preto) com leite e mel
  • salmao
  • queijo de cabra
  • pasta de pera e nozes
  • uvas
  • meia baguete
  • iogurte grego de morango
E sim, dado que eu estava em um cooking mood, eu tentei fazer frango teriyaki no almoco (com capelleti) que ficou assim:


E jah que eu estou postando as fotos legais do meu computador que eu tirei ontem, eis o animal que estava escondido atras dos vasos de planta do jardim quando eu cheguei em casa:



quinta-feira, 8 de abril de 2010

FHC @ Cornell

Eu poderia comecar esse blog post falando sobre o comeco da primavera, como as cerejeiras estao florescendo e os excelentes 25oC que estao fazendo aqui, mas vou falar sobre hoje eu ter encontrado o FHC - isso mesmo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para provar, eis uma foto:


O FHC recebeu uma especie de premio - "Henry E. and Nancy Horton Bartels World Affairs Fellowship" e como sempre nesses eventos as pessoas vem dar talks aqui. Procurando no Google, aparentemente uma pessoa recebe isso por ano e em anos anteriores ganhadores foram pessoas como pessoas como o Dalai Lama, ex-presidentes, embaixadores da ONU, ... A talk dele (link aqui) foi sobre a crise economica mundial - eu tenho mixed feelings sobre a talk. Por um lado ele eh um cara muito culto, fala muito bem e sabe fazer piadas bem colocadas. E eu admiro bastante ele e o governo dele. Achei tambem legal no inicio ele falar que varias pessoas do governo dele que foram de Cornell. O Jose Serra - atual candidato - foi PhD em economia aqui por Cornell - e o Celso Lafer, que foi ministro do exterior e ministro do comercio - que tem PhD em Ciencias Politicas por Cornell. Bom, mas voltando a talk, por outro lado, a parte principal da talk foi meio cheia de abobrinha - mas com alguns momentos interessantes. E eu sai da talk com a impressao de nao ter uma mensagem concreta. Mas talvez isso seja somente o modo de sociologos darem talks que eh diferente do modo que engenheiros fariam.


Em geral, essas pessoas como o FHC sao muito dificeis de serem vistas no Brasil - por exemplo, eu nao lembro de nunca ter um presidente ter ido no IME ou no IMPA, e pelo que eu conversei com os brasileiros daqui, tao pouco eles foram na UFRJ, USP, ITA, ... Ok, no IME nos vemos os figuroes das Forcas Armadas, o que eh legal. Eu recebi meu diploma, por exemplo, do comandante do Exercito no dia da minha formatura. Mas eh facil passar longe dos figuroes civis. Eu nao lembro nem de ter visto o governador do Estado - seja lah quem ele eh hoje. Tudo bem, eu nao faco nenhuma questao de tirar uma foto com a Rosinha Garotinho, mas de toda forma, eh estranho que eles nao venham as principais instituicoes de ensino. E mais estranho ainda eh que estando em Cornell, Harvard, Brown, ... seja facil ver esses caras.

Eu posso ter passado um tempo chateado com esse fato descrito acima, mas de certa forma eu entendo: aqui eles conseguem ter uma discussao mais neutra e relaxada - sem imprensa, militantes politicos, manifestantes, ... Ainda com varias pessoas querendo autografos e fotos (como eu) mas em um numero controlavel.

Falando em encontrar celebridades brasileiras nos EUA, eu nao consigo deixar de lembrar do seguinte: eu morei minha vida inteira no Rio de Janeiro, onde fica a Globo e onde era gravado o Show da Xuxa (e se voce nasceu na decada de 80/90 voce sabe do que eu estou falando) - e mesmo assim eu nunca vi a Xuxa no Rio. Em umas ferias eu fui passar com meu irmao e meus pais na Disney e quem estava lah: a Xuxa. Para provar, eis a foto aih embaixo:


Meus agradecimentos ao Pedro por ter achado essa foto e escaneado pra mim. Alias, ele poderia facilmente clamar que eh ele nessa foto e nao eu. De toda forma, ainda ele tem outra foto assim, mas acho que dentro de algum tempo vamos entrar na discussao de sempre quando olhamos pra fotos de crianca, que eh saber qual de nos dois estah em que foto.

domingo, 4 de abril de 2010

Espanha

Eu nao sei exatamente o que me deixou com essa obsecao com a Espanha. Talvez tenha sido a seguinte musica da Adriana Calcanhoto. Talvez tenha sido uma historia que eu li que se passava em Ceuta - ou talvez seja Gibraltar. Quando eu vi todos aqueles filmes do Almodovar eu provavelmente jah tinha comecado e logo eu estava aprendendo a fazer gazpacho, que alias, costuma ficar muito bom, e dah pra fazer em menos de 20 minutos. Eh bom notar que eh mais divertido fazer/comer gazpacho depois de ver "Mujeres al borde de un ataque de nervios" - que eh um dos filmes mais engracados que eu jah vi.

Eu fui a Europa algumas vezes, mas sempre evitei a Espanha, por alguma razao que eu nao sei - mas a um mes atras eu descobri que ia para um workshop na Italia, e dado que a Espanha era logo ali do lado, resolvi esticar uma semana (que, luckly, era Spring Break) e viajar por lah. Tentei convencer algumas pessoas a virem comigo - o que geralmente funciona - mas dessa vez nao consegui ninguem - um pouco por causa da epoca do ano.

Foi uma experiencia boa viajar sozinho. Por um lado eu senti que eu nao tinha alguem para trocar impressoes sobre as coisas como quando eu viajo com amigos meus, mas por outro lado me senti mais aberto e falar com outras pessoas e gostei de eu poder definir o ritmo da viagem - parando para fazer coisas que eu gosto e que nao necessariamente agradam a todo mundo, como imprimir uma lista dos chocolatiers de Barcelona e planejar meu roteiro para visita-los todos - ou fazer almocos demorados de uma hora e meia, duas horas. Ir na feira comprar mel e queijo e coisas assim... Eu fiquei em hostel durante toda a minha viagem. Mesmo viajando acompanhado eu costumo ficar em hostel, mas indo soh eu, eu preferi ao inves de procurar um na hora, reservar todos no HostelWorld e minha experiencia foi otima - eu peguei os hostels mais bem rankeados de cada lugar e fiquei neles. Nao sei se foi coincidencia, mas nos quartos que eu fiquei - e eram quartos de 6 ou 8 pessoas, havia sempre mais da metade das pessoas viajando sozinha - e eu achei gente pra sair quase todo dia. A Espanha tem hostels bem animados, de forma que em todos tinham atividades como tapas tour, bar hopping, night clubs e coisas do tipo. Na maioria dos aspectos, achei que eles tinham qualidade melhor do que a maioria dos hoteis que eu fiquei (conforto da cama, limpeza, servicos, ...)

Meu roteiro foi o seguinte:


Cheguei via Madrid, mas logo peguei um trem pra Granada, e de lah pra Cordoba (que foi quase uma day-trip), Sevilla e Barcelona no fim. As fotos, como sempre, estao no Picasa ou no mapa. Como tinha uma semana soh eu tive que cortar muito do meu plano: eu gostaria de ir ateh Ceuta e chegar ao Marrocos (cruzar de Tarifa pra Tangier) mas isso fica pra proxima viagem. Tambem nao pude ir nos Paises Bascos nem no Caminho de Santiago. Acabei indo a Barcelona (que eh impossivel deixar de ir, principalmente pela criatividade catala - tanto na arquitetura de Gaudi e dos outros modernistas - como na famosa cozinha criativa da Catalunia - os doces lah sao particularmente bons) e alem de Barcelona, o sul da Espanha: a Andalusia - que hospedou os reinos arabes mais influentes da Europa e em seguida os Reinos Catolicos. De certa forma, eu inclui eles no meu roteiro por gostar muito de arquitetura arabe de forma geral e por eles seram um dos blends mais elegantes que eu jah vi de cultura arabe e europeia.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Filmes para ver antes de viajar

Resolvei juntar uma lista dos meus filmes preferidos retratando as cidades que eu mais gosto da Europa. Na verdade eh mentira, sao cidades que eu gosto muito, mas a maioria das minhas cidades preferidas de fato na vai estar na lista (mais por eu nao saber nenhum filme que se passa nelas). Eh complicado de certa forma dizer o que eu mais gosto e em geral quando eu faco uma lista assim, sempre acabam aparecendo as cidades que eu visitei por ultimo e que me impressionaram. Atualmente minha lista eh algo como Lisboa, Istambul e Paris (em alguma ordem que eu nao sei bem qual). Isso sem contar com as cidades que nunca visitei (algumas da quais entram na lista) e que sempre sonhei: por alguma razao eu fico atraido por lugares que eu nunca fui. Os lugares mais recentes nessa categoria sao: Marrakesh, Gibraltar e Barcelona. Sem mais delongas, eis minha lista de filmes:

Barcelona
Vicky Christina Barcelona
Albergue Espanhol (L'Auberge espagnole)

Berlin
Adeus, Lenin
Corra, Lola, Corra

Paris
Fabuloso Destino de Amerlie Poulain
Paris, Eu Te Amo
Antes do Por do Sol

Madrid
Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos

Viena
Antes do Amanhecer




Se eu esqueci de algum filme (ou cidade) e provavelmente eu esqueci, agradeco sugestoes. Uma idea legal seria tentar fazer uma lista em relacao a outras cidades como o Rio de Janeiro e Nova York. Sobre NYC eu penso em varios filmes do Woody Allen, Sobre o Rio eu penso em varios, mas nenhum se destaca na minha memoria agora como um "o filme do Rio". Tem filmes brasileiros excelentes (como Tropa de Elite, Central do Brasil, Cidade de Deus, ...) - mas eu nao vejo em nenhum deles a cidade sendo o personagem principal - como em varios dos que eu coloquei acima.

Alguns comentarios adicionais sobre os filmes que eu inclui na lista: Amelie Poulain eh um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Sobre o filme de Madrid, eu recentemente vi Abracos Partidos e se voce viu tb, voce sabe que tem um filme dentro de um filme e o filme dentro do filme eh na verdade Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos. Eh uma das melhores comedias que eu vi nos ultimos tempos - principalmente se voce se diverte com comedias estilo "Sai de Baixo". Depois de ver esses eu tenho visto varios filmes do Almodovar. E isso tem a ver com a minha mania de coisas relacionadas a Espanha (recentemente eu aprendi a fazer gazpacho, e modestia a parte, costuma ficar muito bom). Ainda sobre os filmes, tem um par deles que eh particularmente especial: { Before Sunrise, Before Sunset }. Acho que vale a pena ver o primeiro antes do segundo: nao somente porque eles estao em ordem cronologica e Sunset se passa varios anos depois do Sunrise, mas porque acho que o Sunrise diz mais pra mim, pelo menos sobre o meu atual momento da vida (e provavelmente o seu, se voce tem uma idade parecida com a minha).

Antes do fim, um agradecimento especial a pessoas que me motivou a fazer a lista de filmes acima.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Privacidade e Informacao

Essa semana foi particularmente interessante em termos de talks aqui em Cornell - uma talk boa que eu assisti eh do Harry Lewis, professor de computacao de Harvard, sobre privacidade e informacao. Eles filmaram tudo e colocaram a talk online: aqui o link. A talk fala sobre o conflito entre:
  • voce querer compartilhar suas informacoes (no Orkut, Facebook ou Twitter) e com isso ter uma melhor experiencia social: as engines de busca te entendem melhor, voce compartilha com o mundo o que voce sente, ...
  • voce quer se proteger e nao deixar que suas informacoes sejam usadas por alguem mal-intencionado.
Muita informacao sobre a gente estah disponivel no Orkut, Facebook, Picasa, Twitter, ... e muita dessa informacao eh usada de maneira interesante: com base nisso eh que conseguimos achar o conteudo que estamos interessados, que estas empresas conseguem achar anuncios direcionados aos nossos interesses, ... mas como se proteger para que isso nao seja usado de uma forma maliciosa. Um exemplo impressionante e assustador foi o seguinte experimento feito em Stanford [Bailenson et al]: os pesquisadores pediram que os participantes escolhessem entre duas fotos em quem eles preferiam votar: Bush or Kerry. No grupo de controle foram usadas fotos originais dos dois candidatos e o resultado foi 45% pro Bush, 45% pro Kerry e mais 10% indecisos. No segundo grupo, a foto do Kerry era a original, mas a do Bush era um foto morphed com a imagem da pessoa que estava votando. No terceiro o mesmo, so que mantendo a foto do Bush original e fazendo o morph do Kerry com a pessoa participando do experimento. No segundo grupo,a proporcao do Bush era maior e no terceiro, a proporcao do Kerry era maior. Eh assustador pensar que, dado que nossas fotos sao tao facilmente achadas na internet nao possam fazer isso dentro de uma campanha de marketing, por exemplo. Coisas menos subitas jah fazem: colocar pessoas da mesma etnia que voce, ou da mesma idade, ... Ele dah outros exemplos na talk, mas esse era um dos mais interessantes.

Depois ele comenta de como as pessoas estao dispostas a compartilhar informacao na internet. Existem sites como o blippy.com/ onde voce pode registrar seu cartao de credito e ele gera twitter-like posts com as suas compras (e sim, tem muita gente usando o site) ou o ijustmadelove.com/ onde voce pode compartilhar os lugares onde voce fez sexo, posicoes, ... Em www.wheresgeorge.com/ voce pode compartilhar os numeros de serie das notas de dolar que voce recebe e tentar track o fluxo do seu dinheiro. O otimo episodio do Colbert Report chama isso de "Cognoscor Ergo Sum": sou conhecido logo existo.

Eu sou bem mais descuidado com minhas informacoes online dos que varias pessoas que eu conheco, mas mesmo assim eh facil ficar assustado com o que se pode saber sobre sua vida colocando seu nome no Google. Por outro lado, fico fascinado com a grande quantidade de informacao na web e com todos os usos interessantes que podiamos fazer disso. O governo americano estah publicando seus dados - www.data.gov/ , voce pode acessar as crencas e previsoes das pessoas sobre o futuro em Prediction Markets, para nao falar em todos os mercados reais.
  • Long Tail: Ateh algum tempo, se voce queria fazer um anuncio num grande jornal, radio ou televisao, voce tinha que ter certeza que o seu publico alvo era grande parte da audiencia, caso contrario nao valeria o custo. O mesmo vale para programas de radio, televisao, ... Com a internet eh possivel gerar conteudo que eh direcionado a partes pequenas da populacao e ainda lucrar: a Google consegue exibir anuncios direcionados para cada pessoa, enquanto uma livraria grande nao pode se dar ao luxo de manter no estoque de uma de suas filiais um livro que provavelmente uma infima parte da populacao vai comprar, isso eh mais do que natural para a Amazon.
  • Crowdsourcing: A internet tem o poder incrivel de colocar varias pessoas trabalhando para criar um produto comunitario - o exemplo mais bem sucedido desse conceito eh a Wikipedia: eh o primeiro recurso que eu uso para tentar descobrir alguma coisa e eh um produto comunitario. Aqui tem uma lista de projetos explorando Crowdsourcing. Crowdsourcing eh relacionado com o conceito de Wisdom of the Fools (algo como Sabedoria dos Idiotas), que diz que agregando varias fontes imprecisas de informacao nos podemos construir uma fonte bastante confiavel. Nenhum dos editores da Wikipedia em particular eh uma autoridade que tem como garantir que as informacoes lah estejam 100% certas: o que garante isso eh a iteracao social. Eh esperado que os erros, imprecisoes, ineficiencias, sejam corrigidor naturalmente pela mao invisivel do mercado.
  • Low barrier-to-entry: A 30 ou 40 anos atras era complicado uma pessoa se tornar famosa da noite pro dia sem estar amparada pela midia principal (televisao, jornais) e era complicado tentar competir com empresas bem estabelecidas. Hoje eh comum pessoas ficarem famosas com um video do YouTube ou um garoto russo de 17 anos criar um servico que em um curto periodo de tempo chega a 20,000 usuarios. O chatroulette, criado pelo garoto de 17 anos, tem um conceito bastante interessante: ao mesmo tempo que eh uma ferramenta social (eh um chat, after all) ele eh totalmente anonimo - sem logins, sem username - e totalmente na contra-mao dos outros sites, sem criar vinculos (o objetivo do Twitter, Facebook, Orkut, ... eh a iteracao social criando um vinculo de amizade, de forma que voce esteja sempre acessivel para a pessoa com quem voce quer falar).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Temple Grandin

Ainda sobre a Temple Grandin, de quem eu falei no post anterior, hoje eu vi o filme sobre a vida dela no Cornell Cinema e teve uma Q&A session logo depois que foi bem interessante. O filme eh uma das historias mais bonitas que eu vi nos ultimos tempos e, a menos de pequenas liberdades cinematograficas, eh uma historia real. No dia anterior teve uma talk dela sobre Animal Behavior and Welfare - se nao me engano na escola de Animal Science - mesmo tendo partes da talk sobre assuntos que me interessavam menos e dos quais eu entendia pouco - como gado, cavalos, ... - a maior parte da talk foi sobre comportamente humano/animais e sobre a mente humana e sobre as nossas dificuldades em entender o modo dos animais pensarem e se comportarem. A talk foi gravada - eu procurei, mas nao achei, mas de toda forma, uma talk dela que acabou de ser uploaded no TED:

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sobre o Poder da Diversidade

Acho que se eu nao fosse um teorico de computacao (matematico, economista ou nenhuma dessas areas afins) eu gostaria de ser neurologista - pelo menos eh o que eu penso quando eu leio os livros do Oliver Sacks (aqui uma talk dele se vc nao conhece). Eu li nas ferias o Antropologo de Marte e ontem comecei a ler Musicophilia. Quem me conhece pode achar estranho eu estar lendo um livro sobre musica, mas na verdade musica embora seja o fio condutor do livro nao parece ser o principal tema: o personagem principal eh o cerebro, suas capacidades, o talento inato e o que voce pode desenvolver, como eh a nossa percepcao e que fenomenos sociais/fisicos/neurologicos fazem com que apreciemos musica e outros tipos de arte, ... pelo que li ateh agora voce bem poderia substituir musica por, digamos, matematica ou futebol e muito do que eh falado continuaria fazendo muito sentido.

Uma coisa que atraiu minha atencao de volta ao Oliver Sacks eh que essa semana vem a Cornell a Temple Grandin, professora da Colorado State University para a estreia local de um filme sobre a vida dela e uma talk logo em seguida. Temple eh um dos principais casos relatados no Antropologo de Marte - alias, ela que dah nome ao livro. Temple eh autista - e ao contrario do que voce pode pensar se voce nao conhece bem a definicao de autismo - muito inteligente, doutora e uma das maiores especialistas em comportamento animal. Embora me arriscando a dar uma definicao errada (e eu recomendo o livro de Sacks pra eu explicacao mais precisa) o autismo eh caracterizado pela dificuldade de relacionamento e de se entender regras complexas de relacoes sociais. No caso de Temple, a dificuldade de decodificar relacoes sociais de alto-nivel veio junto com um incrivel entendimento dos sentimentos simples e primitivos - que faziam com que ela se sentisse muito conectada aos sentimentos dos animais - e daih o tema principal da pesquisa dela (hoje em dia 1/3 das instacoes de gado nos Estados Unidos sao feitas a partir de designs dela). Mas deixo os detalhes para o livro de Sacks e pro filme e acho que vou falar por que achei essa historia tao interessante.


Embora seja obvio e seja algo popular nos filmes politicamente corretos, mas que eu passei a pensar de uma forma totalmente diferente eh: nos somos pessoas diferentes. O fato de sermos unicos nao eh soh um fato social/cultural - isso eh tambem um fato neurologico. Varias coisas que tomamos como universais nao o sao na verdade. Eu varias vezes me pego irritado com alguem e pensando algo como: "eu nunca agiria dessa forma, independente do que acontecesse" ou "como fulado pode fazer isso ou aquilo comigo - ele nao entende como eu me sinto". A resposta eh: pode ser que de fato ele nao entenda como voce se sente. As pessoas tem graus diferentes de empatia com determinadas coisas: seja sensibilidade para apreciar artes plasticas, para apreciar artes, para sentir empatia, para se sensibilizar com isso ou aquilo, ... e muitas vezes nao entendemos isso. Os relatos neurologicos dos livros do Sacks se concentram em casos extramos, como o autismo no caso do "Antropologo de Marte" e, por exemplo, a amusia, em "Musicophilia". Mas nada disso acontece como zero ou um - mas em diferentes graus de uma forma  sutil e com as pessoas a nossa volta. Um exemplo muito comum eh voce olhar para duas pessoas que estao se sentindo tristes e para uma voce se sensibilizar e para outra voce simplesmente achar que eh frescura - simplesmente porque voce tem mais dificuldade de sentir empatia no segundo caso.

Lendo o paragrafo acima voce pode pensar: que chato que eu nao tenho tal  habilidade como tal pessoa - seja ela musica, matematica, futebol, empatia, ... Eu acho que nesse sentido o exemplo da Temple eh bonito: a falta de uma coisa deu a ela uma percepcao maior de outras - e o livro de Sacks estah cheio de exemplos assim: pessoas cegar que desenvolvem um talento extraordinario para a musica, dificuldade em criar empatia mas facilidade em capturar imagens ou dificuldade de raciocinio mas uma memoria prodigiosa. De novo, o que ele relata sao casos extremos - mas isso acontece em menor grau no dia a dia e uma coisa que achei muito interessante nesse sentido foi um post do Terry Tao no buzz. Nesse post, ele comenta que o poder de determinados ramos na matematica estah em abstrair ou ignorar determinados aspectos do problema: analise, por exemplo, ignora quantidades exatas e foca em ordens de magnitude, algebra ignora como objetos sao construidos e se concentra nas propriedades que os objetos tem q nas operacoes que podem ser feitas neles, .... O interessante disso eh que varias areas da ciencia podem ser vistas dessa forma: concentrar em um aspecto do problema e ignorar outros. Nossa diversidade neurologica faz com que olhemos para os problemas de uma forma unica - e uma solucao interessante pode vir nao do que voce consegue ver, mas do que voce consegue ignorar.