quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ano com bons filmes

Esse foi um ano de bons filmes, mas tambem foi um ano que eu fui pouco ao cinema, o que somado significa que a proporcao de coisas que eu assisti e gostei muito foi alta. Primeiro, Inception eh excelente e era o filme esperado do ano - sim, foi otimo - eu me diverti muito. Mas gostei tambem muito de outros, como "You'll meet a Tall Dark Stranger" do sempre otimo Woody Allen. Nessa mesma semana eu vi The Town, que eh legal, mas mais por mostrar Boston do que por qualquer outra coisa. E ok, eu estava esperando os blockbusters como Harry Potter. Vi tambem o otimo (mas triste) documentario "Waiting for Superman" - sobre a educacao americana. E sim, eu fico deprimido pensando na educacao brasileira se o estado da educacao americana eh esse. Estando no Brasil, eu assiti varios filmes otimos em seguida:
  • Kick Ass: muito bom, recomendo fortemente
  • Tropa de Elite 2: isso, eu soh vi agora. Gostei muito e achei eles muito inteligente: nao ia ser interessante ter mais um filme do Cap Nascimento batendo em traficantes. A cena dele batendo em politicos eh catartica para a maioria dos brasileiros.
  • Shutter Island: Eh um filme do Martin Scorsese baseado em um livro do Dennis Lehane (se voce gostou de Mystic River, por exemplo, voce vai gostar [bem mais, eu acho] deste filme. Eu tento nao contar historias de filmes, mas desse eh tentador. Mas vou evitar e se voce quiser, pode ler no imdb, mas recomendo fortemente fazer como eu e ver ele sem ler nada. Em portugues acho que ele eh chamado "Ilha do Medo", que eh misleading, porque nao eh um filme de terros e sim um thriller psicologico.
Mais sugestoes de bons filmes?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Fatores de desconto


Pequena (?) Introducao sobre o Silencio desse Blog

A algumas semanas atras, Guilherme comentou sobre o silencio desse blog (ele usou uma expressao envolvendo teias de aranha). No entanto, por varias vezes nesses ultimos meses eu quis escrever posts, mas por uma razao ou por outra eu acabei nao fazendo. Varias coisas que eu queria dizer mereciam um post por elas mesmas, mas acho que ser breve eh melhor do que nao falar, entao eis aih um resumo sobre o que eu pensei em escrever (sim, sao temas recorrentes, como o leitor desse blog espera).

  • Do excelente artigo que eu li na New Yorker chamado "What Good Is Wall Street?". Ele responde perguntas que eu sempre tive: a principal delas eh "Qual eh a finalidade do mercado financeiro?". Quando eu estava na faculdade varias pessoas eram muito atraidas pelo mercado financeiro por duas razoes: (i) parecia usar ferramentas matematicas interessantes e parecia estar precisando de "some geeks bearing formular" e (ii) voce podia ganhar muito dinheiro e rapido. Acho que eu era mais atraido pela primeira razao, mas a maioria das pessoas era por uma combinacao convexa das duas - com maior peso para a razao (ii), eu acho. Mas pouco eu via discutindo sobre "mas porque mercado financeiro?" Eh bem claro pra mim porque engenheiros e medicos sao importantes para a sociedade. Mas porque financas eh importante?

    Como regra geral, uma atividade se sustenta se ela gera valor social. O mercado financeiro tem um valor social muito importante: alocar o dinheiro da forma certa. Existe muito dinheiro por aih e recursos para serem aplicados em atividades produtivas, mas como usar ele? O mercado financeiro conecta as pessoas que tem dinheiro para investir e pessoas que tem ideias boas mas precisam de capital. Mas do que isso, o mercado tem mecanismos para decidir quais atividades vao ser mais socialmente uteis. O mercado tem mecanismos para decidir se vale mais a pena investir, por exemplo, em plantar soja ou em uma fabrica de aco e quanto dinheiro colocar lah. Isso nao eh muito claro, porque isso fica escondido por tras de nomes complicados como stocks, trading, bonds, insurance, options, ...

    Ou seja, financas gera dinheiro porque prove um servico muito util, que eh gerar eficiencia no mercado. Isso eh bem explicado no artigo da New Yorker (eles fazem um trabalho muito melhor do que eu estou fazendo aqui) e ele discute tambem se os novos instrumentos - bem mais esotericos que financas andam usando hoje ainda servem a esse proposito de gerar bem-estar-social e explica coisas como subprime mortgages, high-frequency trading, ...
  • Meu mapa de restaurantes em Boston e meu mapa de restaurantes em NYC foram (bastante) expandidos. Em particular eu enfim comi pato laqueado em Chinatown (tres vezes - mas nao no mesmo dia, deixando isso bem claro) e eh impressionante.
  • Dos varios livros que tenho comecado a ler mas nao terminei - alias esse semestre foi cheio deles - a maior parte deles sao muito bons livros, mas pela mesma razao de que tenho escrito pouco nesse blog, tenho tambem lido menos - ou pelo menos de uma forma mais erratica: comecei a ler Voices of Marrakesh (otimo! tem varios pequenos relatos de viagem), Snow Country, High-Fidelity, Surely You Are Joking Mr Feynman (muito bom, esse eu praticamente terminei), ... A maioria deles eh composto de pequenas historias - entao ler uma parte eh interessante por si soh.
  • Da minha crescente paixao (vicio?) por cafe e de como eu tenho aprendido a operar uma maquina de cafe semi-automatica (ok, ok, nao eh nada muito dificil - pelo contrario, eh bem facil) e do fato de eu estar batalhando comigo mesmo e minhas financas para comprar eu mesmo uma maquina de cafe para minha casa.
  • Tenho passeios interessantes pela Wikipedia, por exemplo quando acordei com o nome Wheel of Fortune na cabeca e entao passei por paginas como: Wheel of Fortune (taro card) --> Rota Fortunae --> Monk's Tale --> The Canterbury Tales (e isso tudo me lembra o fabuloso The Castle of Crossed Destinies - e nao sei como ser mais enfatico em recomendar esse livro)
  • Da minha impressao de Las Vegas e do deserto em Nevada. Ou do que eu achei de Seattle ou ainda mais sobre minha impresao sobre a colecao de arte oriental do Museu de Princeton. Mas vou me furtar de todos esses topicos. No entanto talvez volte a eles no futuro.

  • e claro, meu assunto preferido do momento. Mas como eh melhor ser classico do que ser polemico, vou falar de outro assunto: fatores de desconto (abaixo). Brevemente: acho que o Guardian e o NYT fazem um trabalho muito melhor que eu de falar sobre os leaks. Eh sempre legal ler os cables do Brasil. Ultima nota antes de seguir em frente: me deixa de certa forma chateado ver que a imprensa mundial estah dando atencao aos cable e a imprensa brasilera nao estah nem aih - posso estar errado, mas nao vi praticamente nada sobre o Wikileaks affair no Globo, Veja, ...

Fatores de Desconto

Bom, o objetivo de quando eu comecei a escrever era falar de Fatores de Desconto. Isso pertence a classe de coisas que eu ouco falar varias vezes, entendo, mas de repente alguem me explica denovo de uma forma que faz todo sentido e entao eu entendo o real significado. Fatores de desconto estao relacionados com algo muito caro a todos nos: tomar decisoes sobre o que vamos fazer da nossa vida. Em geral nos temos sempre o trade-off entre escolher coisas que vao ser boas para nos hoje (tomar sorvete, ir a praia, ...) e coisas que vao ser boas para nos no futuro (estudar, fazer dieta, ...). O mesmo voce pode pensar em termos de achar um emprego ou trabalhar num topico de pesquisa: arrumar um emprego com um bom salario agora mas sem muitas perspectivas de crescimento ou um emprego com um salario nao tao bom, mas com possibilidades dele aumentar. Eh comum em lojas voce escolher entre pagar a vista uma coisa ou pagar um pouco mais, mas parcelar. E nos temos que escolher esse trade-off entre o eu-presente e o eu-futuro.

Isso eh em geral modelado como um jogo: suponha que todo dia jogamos um determinado jogo nos tempo t=0,2,..., T e que as decisoes que tomamos hoje afetam o futuro. Mas cada dia ganhamos ou perdemos algo e o balanco eh u[t].  Quando tomamos uma decisao agora (no tempo zero), o que estamos tentando maximizar. Um modelo interessate eh pensar que estamos tentando maximizar nossos ganhos com um balanco δ em [0,1], ou seja:
Quanto maior eh o valor de δ, mais voce pensa no futuro. O extremo seria uma pessoa com δ=1, para quem o valor de uma coisa daqui a 10 anos eh o mesmo valor disso hoje. O outro extremo δ=0 eh uma crianca pequena, que se importa com o que ela vai ganhar agora e nao com o que ela vai ganhar amanha. Ou seja, quem tem δ=1 estah preocupado em maximizar u[0] + ... + u[T] e quem tem δ=0 quer maximizar somente u[0]. Em geral nao somos de uma forma nem de outra e sim um meio termo: pensamos de certa forma no futuro, mas se nos eh dado um dolar, preferimos ganhar esse dolar hoje do que esse dolar amanha. Por que se eh 1 dolar da mesma forma? Bom, nos esperamos nao morrer, mas existe uma certa probabilidade pequena de que voce nao esteja mais aqui amanha. Se vc acredita que vai morrer (ou, para fazer a explicacao menos tragica, viajar, parar de se importar com dinheiro, ...) com probabilidade 1-δ entao o valor de um dolar hoje eh 1, mas ganhar esse valor amanha eh somente δ.

Tipicamente, usamos valores de δ menores que "um menos a probabilidade de morrer hoje". Na verdade, existem outras razoes voce pode preferir o dinheiro hoje: por exemplo, se voce receber um dolar hoje, voce pode investir ele e amanha voce vai ter algo como 1/δ, entao o seu valor de ganha um dolar amanha eh somente δ.

Mas nao somente isso: se um amigo chega e diz que vai te pagar 2.01 dolars amanha ou 2.00 dolars hoje, eu geralmente prefiro a opcao de ganhar 2.00 dolars hoje. Por que? Eu em geral nao vou pegar aquele 0.01 e investir na mesma hora - ele vai ficar no meu bolso. Mas eu sempre penso que: "ele pode esquecer de me pagar, eu vou esquecer de cobrar..." e esse fator de desconto cuida dessa pequena probabilidade. No entanto se a opcao era pagar 10 dolares hoje e 15 dolares amanha, talvez a coisa mudasse. Fazendo pequenos experimentos assim, voce pode avaliar quanto vale o seu fator de desconto.

Uma outra razao pela qual eu tenho pensado cada vez mais em fatores de desconto eh a seguinte: as vezes voce vai a uma loja e pode comprar uma coisa por um preco x, ou ganhar um desconto e comprar uma coisa por (1-ε)x. Mas o preco de (1-ε)x te forca a ir na internet e fazer algo, ou voltar na loja mais tarde e pegar os produtos mais tarde (isso aconteceu ontem na verdade - fui fazer umas comprar de Natal e a vendedora me falou que me dava 20% de desconto se eu voltasse pra pegar os produtos soh na quinta). Aih o fator de desconto entra por outra razao: voce pensa algo como: eu tenho algo melhor para fazer com o meu tempo do que voltar aqui e acho que a diferenca compensa. Nesse caso o fator de desconto entra porque voce tem outras opcoes: um melhor investimento para o seu tempo ou seu dinheiro.

Eu pensei em terminar esse post falando sobre implicacoes morais da ideia de fatores de desconto - mas acho que nao tenho uma historia muito boa para contar sobre isso. No entanto pensar em termos deles, esclarece muito do que acontece no mundo - quao imediatistas ou nao somos, eh uma funcao do fator de desconto que usamos. De toda forma, eu gostaria de ter mais intuicao sobre isso. Minha lista preliminar de coisas que influenciam o fator sao:
  • sua probabilidade de estar aqui amanha (seja lah onde aqui seja)
  • que outros usos voce tem para o seu dinheiro ou tempo
  • quanto voce se satisfaz em pensar no futuro versus fazer coisas agora
Por exemplo,  quanto mais eu tenho coisas pra fazer e comeco a perceber meu tempo como valioso, menos eu me sinto com vontade de ter pequenas discussoes (como coisas relacionadas a transito - ok, jah parei de dirigir a algum tempo, isso eh outra razao - a um troco no supermercado ou a um probleminha num hotel)...

domingo, 15 de agosto de 2010

Dois Livros sobre Trens e Hippies


Recentemente eu li dois livros sobre trens. Tudo comecou comigo comprando um livro (que nao eh particularmente sobre trens) chamado First Time in Asia. Eu nao costumo ler livros de viagem, mas isso nao eh algo que parece olhando a minha pilha dos ultimos livros lidos. De certa forma, um dos grandes prazeres de viajar eh fazer planos - pelo menos para mim. Nao me entenda errado, eu nao gosto de uma viagem completamente planejada nos minimos detalhes, mas me divirto de certa forma olhando mapas, tracando trajetorias imaginadas (sim, tenho varios mapas do Google Maps - e mais recentemente no StarAlliance Round-the-World), lendo artigos da Wikipedia sobre Angkow Wat e sobre o Monte Fuji e pensar nas combinacoes de trens, avioes e onibus que eu poderia pegar. Mas, ok, estava fazendo isso, quando o guia da Asia me recomendou esse livro de um talk de Paul Theoroux chamado "The Great Railway Bazaar" que conta a viagem do autor desde a Victoria Station em Londres ateh Tokyo de volta somente de trem. A viagem comeca com o Expresso do Oriente (que jah populou a imaginacao de todos que leram Agatha Christie quando jovens) levando ele de Paris ateh Istambul - a Porta do Oriente. E de lah o autor cruza o Ira, Afeganistao, a India, descendo depois para o Sudeste Asiatico para entao subir para o Japao e de lah de volta a Europa pela Transsiberiana. O livro eh um longo relato de viagem, que se passa basicamente em trens - no qual o autor tece comentarios sobre ferrovias, sobre os outros passageiros e os estranhos habitos locais. Irrita muita gente o fato dele ser ironico e nao sempre tratar com muito respeito certas diferencas culturais - isso me incomdou menos do que varias pessoas que escreveram reviews na Amazon. De certa forma, ele me pareceu mais honesto dessa forma - embora pedante as vezes. Eu gostei muito e fiquei a maior parte do livro salivando para fazer uma viagem assim algum dia - embora tal viagem nao seja mias possivel. Esse livro foi escrito na decada de 70 quando Afeganistao e o Paquistao eram bem mais estaveis. Por outro lado, ele cruzou o Vietnan ainda durante a guerra, o que faz uma das partes mais interessantes do livro.

Ainda no mood de ler sobre trens, eu resolvi depois ler o otimo "A Season in Heaven: True Tales from the Road to Kathmandu" - e aqui eu revelo que menti no titulo e isso nao eh um livro sobre trens - mas ainda eh um livro sobre viagens. E antes de mais nada, eh um livro sobre hippies, mais precisamente sobre a Hippie Trail. Acho que eu nao poderia ser mais diferente de um hippie: eu nunca usei drogas, nao gosto do rock, e adoro entrar em discussoes de poltica soh pra defender o capitalismo (se voce jah conversou comigo sobre isso, voce deve saber como eu me divirto argumentando com quem acha o contrario). Mas existe algo nos hippies com que eu de certa forma me identifico - que eh o ideal de estar "on the road" e com o sentimento de liberdade que isso proporciona. E de certa forma, eh sobre isso que fala o livro. Nos anos 60 e 70 muitos jovens na Europa (a geracao hippie) e na America estavam desiludidos com o rumo que o mundo estava tomando e a solucao de muitos foi ir a Asia - e isso pelos mais variados motivos. O livro eh uma colecao de relatos de pessoas que naquela epoca sairam da Inglaterra, Holanda, Franca, dos EUA, ... - alguns buscavam "spiritual enlightment" (na onde dos gurus indianos, Ram Dass e dos Beatles e o famoso guru deles Maharishi Mahesh Yogi), outros simplesmente nao tinham emprego e perspectiva e estavam em busca de aventuras e uma vida barata. Outros relatos diziam que eles estavam simplesmente em busca de "cheap dope and easy sex". Ele conta como muitos se decidiam do dia pra noite, por uma sugestao de um amigo ou algo assim e partiam sem uma nocao clara do que os aguardava. O caminho via Istambul, Afeganistao, Paquistao ateh a India e o Nepal ficou conhecido como a Hippie Trail. Eu li sobre ele nesse blog post que recomendo muito - ele deixou com muito apetite para ler o livro. Recomendo ainda mais os comentarios, em que varias pessoas que fizeram a Hippie Trail a 30,40 anos atras, relembram e discutem as suas experiencias.

domingo, 27 de junho de 2010

Camarao e a memoria, Copa do Mundo, Trufas e listas

Lembro que sempre que vovo servia camarao ensopadinho com chuchu ela cantava um pedaco dessa musica: "Disseram que voltei americanizada" da Carmen Miranda. Recentemente me deparei com ela por acaso e fiquei feliz com a lembranca e fiquei ouvindo a musica no YouTube e de fato ela eh bem interessante: tem uma letra leve e engracada e fala sobre manter a sua identidade tropical mesmo vivendo na Terra do Tio Sam, o que eh um assunto que me interessa, ainda em epoca de Copa do Mundo. Eu meio que sinto que deveria escrever alguma coisa sobre a Copa do Mundo, mas vai ser breve. Eu de fato assisto futebol de quatro em quatro anos e mesmo assim, soh os jogos do Brasil, mas eu gosto da Copa do Mundo por varias razoes:
  • uma razao pratica eh me juntar com os outros brasileiros num bar e conhecer a comunidade brasileira do MIT/Harvard/BU/...  Acho a festa em torno da Copa divertida.
  • eu fico com um certo orgulho quando varias pessoas dizem que torcem pro Brasil, mesmo sendo um pouco embaracoso quando eles tentam conversar comigo sobre a selecao brasileira e logo percebem que eles sendo iranianos, arabes, americanos ou europeus entendem mais sobre a minha selecao do que eu (outro dia me perguntaram o que eu achava do Ronaldinho nao ter sido convocado e ficaram espantados por eu nao saber que ele nao tinha sido convocado.) Gosto tambem quando saimos do lugar que estamos vendo o jogo com a camisa do Brasil e as pessoas ficam te cumprimentando na rua e acham que voce eh um cara legal soh por ser brasileiro - o que eh uma imagem bem legal que o meu pais tem.
  • Eh interessante a imagem de Copa do Mundo como uma maneira pacifica de se expressar o seu nacionalismo. Por outro lado, nao dah pra esquecer essa "emulacao de guerra". Eu acho legal quando uma ex-colonia enfrente seu ex-colonizador - mas legal ainda quando eles vencem. Dessa forma, acho legais jogos como Brasil x Portugal, EUA x Inglaterra e por aih vai. Jogos que tem um fundo politico sao sempre interessantes como um da Argentina x Inglaterra (na Copa passada ou na anterior, se nao me engano) e outros... Acho que gostaria de a Coreia do Norte se classificasse porque EUA, Coreia do Sul e outros devem estar doidos para jogar contra eles, jah que atacar Pyongyang parece por enquanto fora de questao. Sobre isso, esse video eh engracado.
  • Eu tentei argumentar que o Brasil deveria ganhar a copa por uma questao de Social Welfare. Estava discutindo porque o Brasil deveria ganhar e a Argentina nao: de fato a nossa populacao (200M) eh cinco vezes maior que a populacao da Argentina (40M). Dessa forma, voce vai estar fazendo mais gente feliz. Argumentaram entao que a China deveria ganhar a Copa. O problema eh que nao eh soh uma questao de tamanho da populacao, mas de percentagem da populacao que se importa com futebol - o que eh 99,9% do Brasil - tirando individuos como eu que se chateiam mais quando o queijo que estah na minha geladeira estraga do que quando o Brasil joga mal. Mas eu torco mesmo assim pelo meu time e fico feliz quando ele ganha. Como eu falei, eh uma questao de National Welfare.
Se voce quiser entrar mais nessa questao de National Welfare, voce deveria ver a talk no TED falando sobre medir Gross National Happiness ao inves de Gross National Product, como faz o Reino no Butao. Mas eu vou me evadir desse tema e fazer como eu sempre faco em blog posts e mudar para um tema completamente nao-relacionado, mas antes, jah que falamos do Butao, vou colocar uma foto do ninho do tigre:


Eu tenho meditado um pouco sobre o que me faz feliz e nao sei ainda responder a essa pergunta, mas estou tentando ser mais serio sobre procurar essa resposta. E de certa forma acho que a resposta estah em ser menos greedy em algum sentido, em entender que a felcidade eh um caminho e andar calmamente em direcao aos seus objetivos. Eu vou parar por aqui, porque isso estah ficando uma descricao chata, porque nao estah concreto e tudo isso eh muito vago, mas vou tentar em futuros blog posts dizer algo nesse sentido. Sendo mais concreto e mais especifico, eu tomei uma decisao de nao trabalhar nos fins de semana (ou pelo menos nao muito). Bom, talvez eu reverta isso nos proximos fins de semana - mas por enquanto estah sendo uma experiencia interessante. Vou terminar esse blog post desconexo com duas listas. A primeira eh de coisas que eu fiz hoje e de alguns comentarios:
  • comprei trufas na Teuscher e isso foi agradavel e me deu um numero (ainda que bem pequeno - menos de uma por dia) de trufas para a semana. Acho que nesses pequenos prazeres - como trufas - estah parte do caminho. Mas talvez eu esteja redondamente enganado.
  • Passei a maior parte do dia lendo sobre ferrovias na Asia, principalmente a Trans-Siberiana e sonhando em atravessar a Manchuria de Moscou ateh Beijing (sim, se voce ler sobre a Trans-Siberiana voce vai reconher todas as regioes do jogo de War como Omsk, Vladvostok, ... Eu podia ateh sentir o gosto de Borsch na boca. Por outro lado, fiquei triste em saber que o Expresso do Oriente foi descontinuado jah a varios anos. Eu sonhava andar nele desde que a mais de 10 anos atras eu li o livro da Agatha Christie "Murder on the Orient Express" (alias, highly-recommended como uma introducao a Agatha Christie)
  • Fui correr no Rio Charles e isso eh sempre uma experiencia agradavel.
  • Eu me senti com vontade de tomar Vietnamese Coffee, procurei no Google Maps. Fui lah, mas o cafe nao era como eu esperava. Preciso achar um restaurante realmente vietnamita em Boston. Creio que deve ter varios, no entanto.
  • Li um pedaco de The Pooh Perplex, que eh muito engracado - mas acho que seria mais se eu soubesse mais sobre literatura e critica. The perplex eh uma colecao de essays analisando Winnie-The-Pooh sobre diversas oticas: desconstrutivista, neo-colonialista, freudiana, ... A primeira essay decorre sobre a delegacao do heroismo e da hierarquia social dentro da sociedade em Winnie-the-Pooh. O segundo tenta interpretar o livro como uma luta de classes. Sao parodias muito engracadas das linhas de pensamento para analisar literatura (e arte de uma forma geral).
O fim do post eh uma lista de expressoes desconexas, mas interessantes:
  • o ultimo imperador da China
  • a coroacao da Rainha de Copas
  • o baile da Ilha Fiscal
  • a ultima flor de Ho Chi Minh
  • o inverno em Buenos Aires
  • um rendevouz em Leningrado
  • o dia da marmota
  • a torre de Hanoi
Em geral, como eu sou meio surdo de tom (tone deaf), eu acho complicado gostar de musica. Mas eu gosto de palavras lidas alto e gosto do som das palavras de uma forma geral - o que faz com que eu goste de musicas que tem palavras. Por isso eu gosto de listas de palavras lidas em sequencia, mesmo que nao facam sentido, como essa e essa. Finalizando com uma quote da Susan Sontag:
Every country, including southern countries, has its south: below the equator, it lies north. Hanoi has Saigon, Sao Paulo has Rio, Delhi has Calcutta, Rome has Naples and Naples...

domingo, 20 de junho de 2010

Oolong, Jasmin, Rosas and Tartarugas

Hoje, como parte da minha jornada para me tornar uma pessoa sofisticada, eu fui em uma loja de cha em Boston e comprei Oolong, cha de Jasmin, Rosas, um cha verde japones chamado Sencha. Oolong eh a traducao de "black dragon tea" - cha do Dragao Preto, porque eh uma erva longa, preta e encaracolada. Eu comprei tambem um pacote de "Rooibos Cocomint" - um cha africano doce com hints de coco e chocolate - mais para fazer IceTea, se bem que meu tipo preferido de IceTea eh Thai IceTea, particularmente o que fazem num dos restaurantes tailandeses de Ithaca. Falando ainda em bebidas geladas do oriente, eu gosto muito de Vietnamese Iced Coffee (Ca phe sua da). Essas coisas fariam um sucesso no Brasil - eu recomendo fortemente que os meus amigos empreendedores pensem em uma loja de cha/cafe orientais. Algo que teria cafe turco, as variacoes americanas de latte, os cafes italianos, ice-teas tailandeses e a variedade de chas do Oriente. Mas voltando, eu ainda comprei um pote de cha japones azul:


Nao eh uma ceramica de shino rara do periodo Edo (um dia eu chego lah), mas eu fiquei feliz com meu pote. De toda forma, eu preparei Oolong e tomei ele com esses biscoitos belgas de amendoas aih da foto. [Aos leitores mais sensiveis, eu peco desculpas se o post parece pretensioso. E sim, eh um post isolado e eu nao tenho pretensao de transformar isso num blog de cha.]

Outros fatos dignos de nota: eu estava andando nas imediacoes na casa de cha e descobri estar no bairro brasileiro: sim, tudo estava escrito em portugues. Tinha uma "borracharia" - escrito assim. E todo mundo estava falando portugues. Eu fiquei feliz, entrei num supermercado - e serio, eu estava entrando nas casas Sendas ou no Mundial. E trouxe pra casa um pacote de Serenata de Amor, umas caixas de mocoto e um pedaco de lombo defumado. Era uma supermercado luso-brasileiro - ainda tinham postas enormes de bacalhau salgado como na boa e velha Lisboa. Outros fato:

Estava andando na rua e encontrei essa bela ilustracao do Paradoxo de Zeno (mais particularmente da sua versao conhecida como Aquiles e a Tartaruga):



E falando em tartarugas, eu me lembrei da expressao "It's turtles all the way down" de Russell, que vem dessa bela passagem anedotica extraida (claro) da Wikipedia:
A well-known scientist (some say it was Bertrand Russell) once gave a public lecture on astronomy. He described how the earth orbits around the sun and how the sun, in turn, orbits around the center of a vast collection of stars called our galaxy. At the end of the lecture, a little old lady at the back of the room got up and said: "What you have told us is rubbish. The world is really a flat plate supported on the back of a giant tortoise." The scientist gave a superior smile before replying, "What is the tortoise standing on?" "You're very clever, young man, very clever", said the old lady. "But it's turtles all the way down!"

Mas melhor ilustrada nesse quadrinho do fabuloso LOGICOMIX:

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Diversos: restaurantes, arquitetura, Brasil, out-of-body-experiences, codigos de telefone, ...

  • Eu fiz uma lista de restaurantes que gosto no Rio, mas isso eh um processo em construcao: coloquei os que gosto de ir com meus amigos e dos quais acho a comida particularmente boa. A lista naturalmente privilegia lugares perto de onde eu morei ou estudei (ou seja, nada de Barra, e quem dirah off-Barra na lista). Lugares que eu nunca fui estao, naturalmente fora da lista. Mas estou faminto por sugestoes para a minha proxima viagem para o Rio.
  • Estou trabalhando numa lista de restaurantes em Cambridge/Boston, mas ainda eh muito cedo. Enquanto isso, vou colocar fotos de predios que eu gosto nessa cidade. Sou em particular um grande apreciador da arquitetura de Frank Gehry (embora como se critica o Niemeyer, as pessoas podem dizer que sao predios lindos mas pouco funcionais - eu na ligo e estou feliz de ter o Stata Center perto de mim. Alias, acho que muito bonito por dentro. Mas concordo, eh um predio bem labirintico.)
  •  A frase que diz que o "Brasil nao eh um pais serio" eh normalmente atribuida a Charles de Gaulle, mas eh uma falsa atribuicao. Quem disse isso de verdade foi o embaixador brasileiro em Paris Carlos Alves de Souza Filho na ocasiao da Guerra da Lagosta. Me diverti muito com esse otimo blog post. Eh tao engracado (a Guerra da Lagosta) que eh facil achar que eh mentira - e de fato eu nao sei o quao eu confio nos artigos da Wikipedia que eu citei: tem soh uma referencia para um obscuro documento da Marinha. Verdade ou nao, eh engracado demais.
  • Talks legais do TED:
  • Eu fui numa palestra sobre "naming and numbering" e ouvi coisas curiosas. Uma eu jah sabia, eh sobre o modo de se dar enderecos no Japao (o link eh sobre um videozinho legal de 2 min sobre isso). Outra coisa que achei curiosa eh que os codigos de area foram otimizados para serem discados em um telefone de disco. Isso mesmo um telefone assim, que nem mais a sua avo tem:

    O codigo de NYC eh 212 e o de Chicago era 313 para serem rapidos de serem discados nesses telefones. Fico imaginando se o mesmo eh verdade para os codigos de area de Sao Paulo, Rio e BH (11, 21 e 31). Acho que muito provavelmente eh.
  • Estou correndo no Rio Charles e tenho ouvido Elis Regina enquanto corro. Eu fico rindo sozinho enquanto corro, porque eu acho essa musica engracada: "Eu hein Rosa". Tambem acho engracado ela cantando "Devagar com a louça" mas nao achei o link.
  • Chesterton certa vez disse algo como: "Fairy tales are more than true — not because they tell us dragons exist, but because they tell us dragons can be beaten" [Chesterton Wikiquote

terça-feira, 15 de junho de 2010

Mil Tsurus, Bangkok, Caixa Preta

Li livros muito bons recentemente e acho que merecem um comentario:
  • Mil Tsurus foi o primeiro livro que eu li do premio Nobel japones Yusunari Kawabata. Ele tem um texto eleganta, trabalhado como um vaso oriental. Alias, os vasos e utensilios de cha ocupam o lugar principal nesse livro. Tudo o amor, traicao, intriga, ... acontece via os utensilios, chawans e vasos. Os personagens sao quase que desculpas para exibir as belas pecas durante a cerimonia do cha. Por um lado eh uma historia que transpira tradicionalismo e respeito as tradicoes milenares do cha, por outro lado eh um romance altamente sexual - mas com uma sensualidade elegante e oriental. Resumindo a historia (ou seja contando o que voce pode ler na orelha do livro) e correndo o risco de simplificar demais e contar coisas erradas, o plot eh o seguinte: um homem se encontra numa cerimonia do cha onde ele encontra duas ex-amantes de seu pai, jah falecido. As duas buscam seduzir o rapaz e ao mesmo tempo fazer com que ele se case com suas filhas/protegidas. O que tem tudo pra se transformar num enredo de filme de terceira, nas maos de Kawabata, vira um romance elegante. Um link para o livro.
  • Bangkok 8: eu gosto muito de thrillers bons, mas nao eh facil encontra-los, entao eh bom eu falar quando eu acho um excelente. Bangkok eh um desses romances que quando vc chega na metade voce fica acordado a noite inteira lendo ateh chegar no final. Eh um romance sujo, violento e chocante em varios pontos - mas dificil de parar de ler. Um otimo misterio, costurado num lugar exotico como a Tailandia e temperado com monges budistas, policiais corruptos, arte Khmer, ... Um link pra ele.
  • A Caixa Preta: ontem eu terminei de ler A Caixa Preta e eh uma bela historia. O autor - Amos Oz - eh um dos principais escritores israelenses atuais. Nao eh um livro alegre: o livro eh uma colecao de cartas entre os personagens, mas basicamente entre os dois personagens analisando o seu casamento desfeito: ela ainda em Israel e ele nos EUA. Eu fiquei mais curioso para ler ele para entender mais sobre Israel. Os personagens principais e outros que tambem escrevem cartas exemplificam diferentes formas de pensamento politico dentro do pais. O personagem principal, em particular, eh um academico nos EUA que estuda diferentes formas de fanatismo.

Eu vi Awakenings. Eh um filme de 1990 baseado no livro homonimo do Oliver Sacks. Eh baseado no caso mais famoso do proprio Sacks e na sua experiencia pessoal de assumir um posto de neurologista em um hospital depois de anos fazendo pesquisa e nao tendo contatos com pacientes. Aplicando os metodos cientificos que ele estava acostumado no tratamento dos seus pacientes ele consegue "acordar" pacientes que estavam em estado catatonico a 20 anos. Eh uma historia muito bonita e o filme que mais me emocionou em bastante tempo (desde Temple Grandin, do qual eu falei aqui no blog a algum tempo atras). Recomendo fortemente, principalmente pra quem compartilha meu interesse por neurologia. (Wikipedia entry for Awakenings).

Ainda na minha sequencia de recomendacoes, a Jorge Zahar publicou a algum tempo atras uma serie de comic books de Em Busca do Tempo Perdido (link aqui para o primeiro volume: O caminho de Swann - Combray). Eu li os tres primeiros livros, que correspondem aos dois primeiros volumes do romance de Proust. Eu gostei muito dos quadrinhos - que sao uma versao (bastante) resumida do livro. Eh dificil nao se identificar com os personagens. Comprei os dois primeiros volumes do original: Swann's Way e In The Shadow of the Girls in Flower. Vejamos agora se eu consigo chegar ateh o final.

Falando em quadrinhos, recentemente eu achei alguns quadrinhos do Tintin que eu li quando crianca e de fato o Tintin modelou em algum sentido minha visao de mundo. A minha visao do homem bem sucedido era daquele belga que viajava pelo mundo, da Africa a China, das profundezas do oceano ateh a lua. Num dos meus livros preferidos ele investigava a morte de varios arqueologos e ia a America Latina em busca de uma mumia inca perdida, em outro ele achava tesouros em um navio naufragado. E no meio disso tudo ele era a pessoa que cientistas famosos recorriam quando tinham um problema, era amigo de cantoras famosas de opera, de marajas e executivos importantes ao mesmo tempo que confrontava ditadores em paises ficticios da Europa Oriental. De uma forma ou de outra eu devo ao Herge um pouco das minhas metricas de sucesso - ainda que o Tintin tenha setado elas um pouco altas demais. Continuando no mesmo assunto mais mudando de assunto, eu recentemente comprei um poster para que o meu novo quarto em Cambridge pareca um pouco menos business e mais um quarto de um academico. O poster eh a capa do Le Lotus Bleu: